QUEIROSIANA
Blogue sobre Livros, Leituras e Escritores
20
Nov 09

 

"Em O Sonho Mais Doce, o leitor é conduzido por uma saga familiar que atravessa três gerações, centrando-se o enredo, sobretudo, na década de 60, altura em que a casa de Júlia Lennox alberga uma grande quantidade de jovens, personificando o espírito de liberdade prevalecente na Inglaterra de então."

 

Um livro marcante, inesquecível... é o meu terceiro livro da escritora e começa a tornar-se óbvio que o meu apreço pela escritora, mesmo antes de ler qualquer obra sua, é verdadeiro.

Este livro fala-nos dos "dourados" anos 60. Acompanhamos três gerações distintas, os seus sucessos, os seus fracassos, as suas fraquezas, as suas glórias, e acima de tudo, os seus sonhos.

Nunca vivi os anos 60, estou muito longe deles até, mas este livro revive o espírito, a mudança latente, a ruptura emergente, a rebeldia incessante, o pensamente de esquerda, as relações "liberalíssimas" e o Sonho constante de querer Mudar o Mundo...

Julia é a personagem mais velha, sogra de Frances e avó de Andrew e Colin e, mais tarde, Sylvia. Representa a geração que ainda viveu, na juventude, a 2ª Guerra e que guarda ainda dentre de si uma educação rígida e conservadora.

Frances, mãe de Andrew e Colin é a mãe liberal que torna a sua casa num albergue para jovens (amigos dos filhos, amigos dos amigos dos filhos...) que fogem de casa das suas famílias porque se sentem "incompreendidos", divorciada de Johnny um eterno comunista que defende a todo o custo da doutrina da Revolução e incentiva todos os actos contra o regime e que negligencia a educação e sustento dos filhos.

Sylvia, filha da segunda mulher de Johnny, sofre na infância os tormentos de uma mãe louca que a culpa por não ter sucesso na vida. Acaba por ir para casa de Julia, que a acolhe como uma segunda mãe e lhe dá a educação que acaba por a tornar Médica. Decide fazer voluntariado numa zona de África - Zimlia - onde se inicia o confronto com a doença, que nessa altura começava a surgir, a SIDA. Esta parte do livro é a mais inquetante e a mais crua e isso torna-a, sem dúvida, na parte fulcral e culminante de todo o enredo.

Existem depois uma série de personagens secundárias, cuja vida também acompanhamos de próximo e que demonstram, muitas delas, a sua hipocrisia, que mais não é do que a perda do Sonho, que está constantemente presente nesta obra - esse Sonho de mundar o mundo. Que resiste e persiste mesmo depois do Muro cair, mesmo depois de se conhecer o tamanho das atrocidades cometidas pelo Regime Soviético, e com uma citação do livro ... "mas onde está a surpresa, se, (apesar de tudo) é sempre O Sonho que conta?".

 

"E por isso, como todos nós fazemnos com a pior e mais profunda dor, começaram a esquecer"

 

 

publicado por Laura às 16:21
Estou a ler: O Verão antes das trevas
06
Nov 09


"A Erva Canta transporta até nós a beleza rude e majestosa e os impiedosos valores sociais da África do Sul, numa escrita vigorosa e cheia de colorido."

 

Penso que já aqui referi o meu fascínio por esta escritora, vencedora do Prémio Nobel da Literatura em 2007.

Este é o segundo livro que leio da autora.

Uma história inquetante, que não tendo nada de estranho nela, mexe connosco, consegue alcançar o nosso íntimo e o nosso maior medo - solidão.

 

Mary, a personagem principal, é uma mulher indiferente, superficial e só, embora no início da sua vida, esteja rodeada de gente.

Casa-se com Dick, sem saber porquê. Não o ama, apenas lhe tem uma indiferença amável ou piedosa, tirando isso, ele é-lhe insuportável.

Vai viver para a Fazenda de Dick, em plena África Sul rural, numa altura em que os preconceitos raciais eram latentes - a África do Sul ainda era uma colónia inglesa.

Mary no meio de "nenhures" passa a viver em solidão, vira-se para si própria... e se no início ainda tinha energia para executar tarefas que a mantessem ocupada, no fim, é o exemplo concreto do estoicismo, da apatia total.

Apaixona-se pelo criado negro - Moses, mas isto é algo implícito no livro nunca é descrito. É ele que a mata, mas tenho de confessar que a razão me passou ao lado.

 

Mais uma vez, a escritora me surpreendeu pela sua enorme capacidade de trabalhar as suas personagens (quase genialmente). 

A personagem é ela mesma a história, os acontecimentos que vão sendo descritos estão num plano abaixo.

O impacto que Doris Lessing tem no leitor em "A Erva Canta", consegue-o pela estrondosa capacidade de descrever olhares e tornar audíveis os tons de voz, que tanto dizem sobre nós.





Mary Turner, filha de um modesto ferroviário, tem uma infância miserável e cresce no meio da solidão. Chegada à juventude, vai trabalhar para a cidade e acaba por casar com um fazendeiro. Porém, não consegue estabelecer qualquer relação íntima com ele e continua solitária. É então que inicia a primeira verdadeira relação da sua vida, mas fá-la com Moses, um negro, a única pessoa a quem lhe é vedado ligar-se.

 

24
Out 09

 

"Na conversa da sociedade, três quartos das perguntas feitas e das respostas dadas são para magoar um pouco o interlocutor; é por isso que muita gente tem sede da sociedade: ela confere a todos o sentimento de sua força"


Definitivamente não sou grande fã de Nietzsche.

Li este livro porque o meu manual de Introdução ao Direito remetia, mais do que uma vez, para este escritor/filósofo. Vi, algures pela net, que seria o primeiro livro de introdução ao pensamento de Nietzsche.


Ele tem um certo "ódio" racional aos filósofos clássicos, eu tenho paíxão - logo aqui, surgiu uma ruptura com este filósofo.

O livro é interessante e suscita muitas surpresas e dúvidas.

Mas percebe-se desde cedo, uma crítica feroz às religiões que eu, enquanto crente, não entendo por completo.

Deste livro pode-se afirmar que é totalmente anti-moralista e que põe em causa os papéis da ciência, da religião, da cultura... e de mil e uma outras coisas.

 

publicado por Laura às 18:30
Estou a ler: O Processo e Constituições Portuguesas
02
Out 09

 

"Tendo como palco uma excelente reconstituição da França do século XVIII, modos e hábitos sociais, a história transporta-nos através da vida de Grenouille, um homem que nasceu diferente, viveu diferente e morreu diferente."

 

Um livro como nenhum outro. Apresenta-nos o incrível mundo dos odores e dos cheiros. A única sensibilidade que trespassa para o leitor são as impressões olfactivas da personagem mais repugnante que conheci até hoje.

Um livro de sucesso, pelo que li, inconfundível.

Confesso que, apesar de nos contar a história de um assassino, fiquei totalmente deliciada com aquele "mundo novo" do olfacto, dos cheiros agradáveis e dos mais asquerosos que nos põem verdadeiramente indispostos.

O fim do livro é terrivelemente chocante, mas em nada decepcionante.

Passado para a sétima arte em 2006, no entanto, ainda não tive a oportunidade de ver.

 


 

"Esta estranha história passa-se no século XVIII e é fruto de um extraordinário trabalho de reconstituição histórica que consegue captar plenamente os ambientes da época tal como as mentalidades. O protagonista é um artesão especializado no ofício de perfumista, e essa arte constitui para ele - nascido no meio dos nauseabundos odores de um mercado de rua - uma alquímica busca do Absoluto. O perfume supremo será para ele uma forma de alcançar o Belo e, nessa demanda nada o detém, nem mesmo os crimes mais hediondos, que fazem dele um ser monstruoso aos nossos olhos. Jean-Baptiste Grenouille possui no entanto uma incorrupta pureza que exerce um forte fascínio sobre o leitor."

 

Wook

publicado por Laura às 21:19
Estou a ler: Humano, Demasiado Humano
21
Ago 09

 

"A Mensagem é um livro poético no sentido forte e etimológico do termo. Pessoa visava através da Mensagem - livro que inicialmente, de modo significativo, se chamava Portugal - elevar a alma triste dos portugueses, para que estes pudessem, tomando consciência do que foram, imaginar o que ainda poderiam ser."


O livro de poesia de leitura obrigatória no 12º ano.

Não posso afirmar que seja grande admiradora dos poemas de "Mensagem", mas posso, contudo, afirmar que sou uma grande admiradora de Fernando Pessoa e dos seus heterónimos Álvaro de Campos e Bernardo Soares.


Este livro foi o único que Fernando Pessoa publicou em vida. Esta obra onde se encontram várias semelhanças com "Os Lusíadas", retrata o grande passado histórico de Portugal e a decadência em que este posteriormente caiu, ("O Encoberto") fazendo diveras alusões ao Sebastianismo e à esperança, profetizando um Quinto Império em solo português -o Império Espiritual.

 


 

MAR PORTUGUEZ


Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!

 

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quere passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abysmo deu,
Mas nelle é que espelhou o céu.

 

publicado por Laura às 11:40
Estou a ler: North and South e O Perfume
20
Ago 09

 

Confesso que este livro só me chamou à atenção, uma vez que, quando era mais pequena, o meu pai chamava-me "Calamity", na medida em que era (e sou) muito desastrada. Desde cedo que senti curiosidade em conhecer tudo sobre esta personagem, e devo confessar que sou uma grande admiradora!

Aqui fica a sinopse deste livro que um tem pouco do "Western" Americano, mas que fala sobretudo da Mulher.



 

O testemunho que Calamity Jane deixa à sua filha, em forma de cartas, é tocante na descrição da coexistência de duas realidades: a luta de uma mulher pela sobrevivência num mundo Western profundamente duro e masculino, papel que assumiu e cumpriu de forma exímia, nunca perdendo, no entanto, o seu outro lado, mais frágil, mais emotivo, mais afectuoso, e que se revela em toda a sua dimensão neste diário à filha. Mito feminino do oeste selvagem, Calamity Jane manifesta na sua escrita uma rebeldia natural de quem vive num mundo de homens e uma angústia provocada em boa parte pela insegurança de não se ter realizado no papel da maternidade depois de ser visto obrigada a entregar a sua filha em tenra idade. Confrontada no seu interior com a ausência de cuidado e afecto maternal, sente-se nas suas cartas uma procura intensa de serenar interiormente a dor da renúncia.

Martha Jane Cannary Hickok (1852-1903), mais conhecida por Calamity Jane, foi uma das raras mulheres com estatuto de figura lendária “Western“. A sua vida, naturalmente árdua e problemática, foi pontuada também com alguns momentos de felicidade, sobretudo os momentos que viveu ao lado do homem da sua vida, Wild Bill Hickok, e com a sua filha Janey ainda que de uma forma sonhadora, distante e imaginária.

 

Sapo Livros



 

publicado por Laura às 11:12
Estou a ler: North and South e O Perfume
20
Ago 09

"Gerda"

 

"Oh, sim, quando é preciso, afogamos até nosso senso moral, a liberdade, a tranquilidade, até a consciência, tudo, tudo, vendemos tudo por qualquer preço! Contanto que nossos entes queridos sejam felizes."

 

Crime e Castigo, Dostoievsky

 

Mais informações sobre as obras... )
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publicado por Laura às 10:24
Estou a ler: North and South e O Perfume
19
Ago 09

 

"There will be little rubs and disappointments everywhere, and we are all apt to expect too much; but then, if one scheme of happiness fails, human nature turns to another; if the first calculation is wrong, we make a second better: we find comfort somewhere . . ."


Publicado pela primeira vez em 1814. Juntamente com "Northanger Abbey", é a obra que menos atrai as "Janeittes", coisa que julguei que também se aplicava a mim, mas no entanto...


Este livro surpreendeu-me positivamente. Tenho de admitir que fui, à partida, sem grandes expectativas. Já tinha visto o filme e a série, que estão muito aquém da obra e não lhe fazem qualquer espécie de justiça.

Agradavelmente surpreendida, será o termo correcto. Fanny Price, a personagem principal e a heroína desta obra, é diferente de qualquer outra heroína de Jane Austen e diferente de qualquer heroína em geral... Fanny Price, é fisicamente débil, tímida, humilde, ingénua, infantil, submissa e, nalgumas alturas, considerada como "chorona". Enfim, devo dizer que é isso tudo, e que no início há uma espécie de decepção, tendo em conta que Jane Austen nos habitou a heroínas repletas de um carácter forte. Contudo, Fanny Price acabou por se tornar muito querida, pelo menos para mim.

Uma coisa que reparamos nesta obra, diferente de todas as outras de Jane Austen, é de que o "romance" propriamente dito, acontece somente no último capítulo; a obra possui também um carácter moral que está quase sempre adjacente a duas personagens muito curiosas - Mary e Henry Crawford - que surgem nesta obra como resultado de uma sociedade insípida e sem princípios; nesta obra, Jane Austen, mostra-nos também outro lado desconhecido (entre as suas obras) da época, relatando o dia-a-dia de uma família pobre.

É curioso notar também que, a nossa heroína possui o enorme dom de avaliar correctamente o carácter das pessoas e fazer juízos acertados... foi algo que gostei bastante nela.


A história em resumo pode ser contada da seguinte forma: Fanny Price é levada (com 9 anos) para Mansfield Park, casa do tio e da tia (irmã de sua mãe) para aí crescer com  mais vantagens do que aquelas que teria no seio da sua família muito pobre e repleta de crianças.

Apenas o seu primo Edmund contribui para a sua adaptação e bem-estar, tornando-se desde logo o seu melhor amigo.

Quando Mary e Henry Crawford (irmãos) chegam a Mansfield Park, a moral de todos os membros de Mansfield Park é posta à prova, embora Fanny nunca tenha gostado de nenhum deles. Henry Crawford seduz ambas as suas primas, levando uma a perder toda a sua dignidade e Edmund fica perdidamente apaixonado por Mary Crawford, que só lhe trará decepção.

O contraste entre Mansfield Park e a família Price, que conhecemos graças à visita de Fanny passados quase 9 anos da sua saída, é enorme e só nessa altura Fanny se apercebe que a sua casa não é aquela, mas sim Mansfield Park.

Uma série de desgraças sucedem-se à sua saída (temporária) de Mansfield Park, e só depois de muitas decepções é que Fanny encontra a felicidade... que acontece somente no último capítulo, que devo dizer, escrito de forma genial!


Não é o meu livro preferido de Jane Austen, esse lugar há uns tempos que está ocupado por "Sense and Sensibility", no entanto, revelou-se tudo menos aquilo do que estava à espera!

O último grande livro que me faltava ler de Jane Austen... ainda irei ler Lady Susan... mas posso dizer que li a obra de Jane Austen e, para mim, não há melhor escritora no mundo.



 

"We have all a better guide in ourselves, if we would attend to it, than any other person can be." (Mansfield Park)

 

 



publicado por Laura às 17:43
Estou a ler: North and South e O Perfume
18
Ago 09

ELINOR DASHWOOD

 

Austen Illustrated: Ann Kronheimer

 

Elinor Dashwood, personagem do livro de Jane Austen - Sense and Sensibility.

Esta é a minha personagem preferida de todas as obras de Jane Austen, e também a minha personagem feminina preferida de sempre.

Julga-se que é baseada na irmã de Jane Austen, Cassandra.

 

A mais velha de três irmãs, Elinor de 19 anos é dotada de uma grande capacidade de juízo, de bom senso e razoabilidade. É uma personagem muito forte, que parece resistir a qualquer tormenta, podendo, inclusivé, tornar-se (aparentemente) fria e insensível. Contudo, ninguém sente de forma mais profunda do que ela.

 

 

 

 

 

Passou dos livros para o cinema e incorporou diversas actrizes, entre elas, Joanna David (1971), Irene Richards (1980), Emma Thompson (1995) e Hattie Morahan (2008).

Apenas vi as versões de 1995 e 2008 mas, pessoalmente, sou grande fã da interpretação de Hattie Morahan, acima de tudo porque a adaptação é mais fiel à obra.

 

18
Ago 09


"Como dissera Hagrid, o que tiver de vir, virá... e ele teria de o enfrentar quando chegasse a altura"


Foi com este livro que me assustei pela primeira vez com a história. Tinha 11 anos e fiquei aterrorizada com toda a cena do cemitério... não tive pesadelos nem nada do que se parecesse, mas fiquei, digamos, abalada.

Não é dos meus livros preferidos da saga, essencial para a continuação da história. Tal como a Hermione, não sou muito dada ao Quidditch e por isso, o início do livro foi um pouco cansativo para mim... depois, não gostava nada do Krum e achei estranhíssimo que a Hermione gostasse dele... embora haja partes hilariantes, na personagem do Ron, em relação a tudo isso! A situação do baile achei lamechas, lembro-me como se fosse ontem... mas enfim... e o facto de ser o livro em que Voldemort volta a ganhar poder, também contribuiu muito para que não fosse um dos favoritos!





Harry Potter nem quer acreditar na sua sorte! Afinal não vai ter de aturar os Dursleys até ao início do seu quarto ano em Hogwarts. Graças à taça Mundial de Quidditch vai passar os últimos quinze dias de férias na companhia dos Weasleys e do seu amigo Ron. Mas a verdade é que nem tudo vai correr pelo melhor para o nosso herói. Quando Harry começa a sentir a sua cicatriz a doer terrivelmente, sabe que Lord Voldemort está de novo a rondá-lo e a ganhar poder. A marca da morte, que apareceu no céu, não pode significar outra coisa...Entretanto, este é um ano muito especial para Hogwarts, pois é lá que se irá realizar o célebre Torneio dos Três Feiticeiros, no qual Harry vai desempenhar um papel decisivo e que quase lhe irá custar a vida!! Pela segunda vez, Potter vê-se frente a frente com Voldemort, e ele sabe que o maior desejo do poderoso senhor das trevas é vê-lo morto...


Wook


 

publicado por Laura às 11:43
Estou a ler: Mansfield Park e O Perfume
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