Queirosiana
Livros, Escritores e Criadores de Almas
11
Out 11

 

Tenho andado muito interessada em livros deste género. Ainda há dias terminei "As Avis", cheia de vontade de partir para outro! Não se trata de uma obra ficcionada onde a personagem principal é Carlota Joaquina, mas antes, uma biograia dquela que viria a ser a última rainha portuguesa vinda de Espanha.

 

Temos, generalizadamente, uma má imagem de Carlota Joaquina... quem não recorda a insistência em não jurar a Constituição? Ou o apoio constante na subida de D. Miguel (seu filho) ao trono, em busca do poder absoluto?

Bem, confesso que o livro mostra várias facetas de Carlota desde tenra idade até aos seus 55 anos, mas aquilo que ressalta é a busca constante e quase sempre frustrada na tentativa de alcançar um verdadeiro poder recorrendo a muitos subterfúgios, intrigas, rupturas conjugais, preferências filiais para o alcançar.

 

 

Podemos estar em desacordo com o pensamento e atitudes desta rainha, mas que tinha carisma e um certo grau excentricismo, isso tinha, sem dúvida!

 

Classificação: 3/7 (Interessante)

 

publicado por Clara às 21:33
03
Out 11

 

Esta obra dá-nos a conhecer a biografia das oito rainhas da dinastia de Avis.

Considero muito mais atractivo ler sob a forma de biografia do que ler obras onde romanceiam a vida destas figuras, acima de tudo porque depois fico confusa sobre o que é que será verdadeiro ou não.

 

Conhecia os nossos valorosos reis da Dinastia de Avis, mas das figuras femininas, apenas conhecia (vagamente) a Rainha Filipa de Lencastre a mãe da Ínclita Geração. Por isso foi com uma certa avidez que me fui imiscuindo na vida pessoal destas rainha:

 

Filipa de Lencastre, a mãe da Ínclita Geração; Leonor de Aragão, a Triste Rainha; Joana de Castela, conhecida como a Excelente Senhora; Leonor de Lencastre, que mandou construir o Convento de Madre Deus em Lisboa; Isabel de Castela, filha dos Reis Católicos de Espanha; Leonor de Áustria, peça fundamental no jogo político do seu irmão, o imperador Carlos V; Catarina de Áustria, avó de D. Sebastião.

 

Uma conclusão que se tira desta leitura é a forma instrumental como as mulheres eram "usadas" para fazer valer determinados interesses políticos, diplomáticos e estratégicos. Ao lado desta imagem, surge também a imagem da mulher como "máquina de fazer filhos" pois esta era a grande tarefa, dar ao país, a maior quantidade de filhos de forma a garantir a sucessão, numa altura em que a mortalidade infantil era terrivelmente alta, já para não falar das mortes femininas provocadas por partos mal conseguidos...

 

 

Classificação: 3/7 (Interessante)

 

publicado por Clara às 15:59
Livros e Autores: ,
27
Set 11

 

Tenho uma predilecção por livros deste tipo. Sou fã de tudo o que envolva história das disnatias portuguesas e tenho uma certa admiração pelas discretas figuras femininas que participaram na história de Portugal.

 

Trouxe este livro da biblioteca porque há muito que pretendia conhecer a historia da Rainha Santa, até porque desde que li o livro "As Amantes dos Reis de Portugal" e descobri a tremenda infidelidade de D. Dinis, coisa que me espantou, pois tinha dele uma ideia muito diferente, se bem que na época este género de comportamentos era tido como normal, convenhamos que o D. Dinis tinha maior tendência que os restantes!

 

Com este livro, vamos acompanhando a vida do casal régio pela perspectiva de uma terceira figura. Acompanhamos D. Isabel desde os 12 anos até ao último suspiro, na felicidade e na amargura, presenciando as tão conhecidas histórias das rosas e do "ide vâ-las!".

 

Um livro que romanceia este trecho da história de Portugal, mas que ao mesmo tempo explica muitas das difíceis situações do Reino.

 

Classificação: 3/7 (Interessante)

 

publicado por Clara às 20:53
26
Set 11

 

Fui levada a ler este livro depois de assistir à minha primeira aula de Direito Penal. O Professor mencionou nessa aula uma série de livros que estavam indirectamente relacionados com a matéria, e de todos os que mencionou, apenas me faltava este. Foi este o mote.

 

Surpreendi-me logo quando iniciei a leitura, num dos primeiros capítulos fiquei muito horrorizada a propósito de uma cena onde aparecia uma mula morta a sangue frio. Acho que nunca mais me esqueço desta cena.

 

A história passa-se na Rússia, num período de extrema miséria onde uma casa servia para várias famílias, cada uma alugava uma divisão onde vivia. Raskolnikov é a personagem principal, um jovem ex-estudante de Direito que deixa de ter dinheiro de pagar a Universidade e abandona os estudos, abandonando praticamente o mundo, vivendo fechado no seu cúbiculo onde engendra mentalmente um crime hediondo. Leva-o avante contra as suas próprias expectativas. O curioso e interessante desta história é a forma como o escritor explora a criação do crime, a execução do crime e o pós-crime, num caminho para a expiação.

Raskolnikov é-nos apresentado como alguém antipático, reservado, lunático consciente; mas ao mesmo tempo, surgem-nos cenas onde o mesmo Raskolnikov é capaz de ajudar o outro sem esperar nada em troca, é capaz de se horrorizar com comportamentos e atitudes de outros menos próprios contra pessoas indefesas, aliás, é capaz de as defender e proteger. E este é o mesmo Raskolnikov que comete um crime por uma razão mesquinha, quase sem valor.

 

A exploração do drama psicológico em que caí Raskolnikov depois de cometer o crime é quase brutal. Em momento algum julguei precipitadamente Raskolnikov, em momento algum senti necessidade de lhe apontar o dedo, porque de certa forma entramos no seu consciente e subconsciente e vamos acompanhando as suas justificações, muitas delas incoerentes. Ele comete um crime, é certo, mas não é repulsa aquilo que se sente por aquela personagem, mais uma vontade imensa de que ele se arrependa. Mas também me apercebi que era escusado tentar perceber o porquê de tal crime.

 

A história encaminha-se numa direcção em que achamos que Raskolnikov ficará impune, não deixa de ser interessante o impacto que teve em mim o último capítulo.

 

Classificação: 7/7 (Obra-prima)

 

publicado por Clara às 16:11
08
Jun 11

- Existe um livro que leias e releias várias vezes?


Sim.  Os sete livros de Harry Potter de J.K. Rowling... nunca me canso; e Persuasão de Jane Austen, a história de amor mais fabulosa de sempre.
2 - Existe algum livro que começaste a ler, paraste, recomeçaste, tentaste e nunca conseguiste ler até ao fim?

Sim. Guerra e Paz de Leão Tolstoi. Comecei a ler uma primeira vez e parei trinta páginas depois, retomei no Verão passado, mas se passei dessas trinta páginas, pouco mais foi do que isso. Mas ainda não desisti; outro livro é O Velho e o Mar de Hemingway, comecei a lê-lo mais do que três vezes, mas sempre se meteu outro livro no meio que o abafou e lá permance ele eternamente na minha mesinha de cabeceira à espera de ser acabado.
3 - Se escolhesses um livro para o resto da tua vida, qual seria ele?

Hum... O Retrato de Dorian Gray de Oscar Wilde, o livro mais arrebatador que alguma vez li, certamente teria sempre novo para descobrir no seu interior.
4 - Que livro gostarias de ter lido mas que por algum motivo nunca leste? 


São vários... mas os mais imediatos talvez sejam The Golden Notebook de Doris Lessing, Orlando de Virginia Woolf, As Pupilas do Senhor Reitor de Júlio Dinis e Great Expectations de Charles Dickens.
5 - Que livro cuja "cena final" jamais conseguiste esquecer? 


Expiação de Ian McEwan... um final inesperado e com uma profundidade belíssima.
6 - Tinhas o hábito de ler quando eras criança? Se lias, qual era o tipo de leitura? 

 

Sim. O primeiro livro que li foi aos sete anos "Os Cinco na Ilha do Tesouro", depois desse, seguiram-se outros dessa colecção, Uma Aventura, Patrícia, muitos muitos da Alice Vieira, outros tantos de Sophia de Mello Breyner Andersen, e obviamente, Harry Potter que me acompanhou dos nove aos dezoito anos.

 

7 - Qual o livro que achaste chato mas ainda assim leste até ao fim? Porquê? 

A Duas Vozes de William Golding - o enredo começou por ser interessante, mas a meio perdi-me um pouco da "mensagem" da história e tive dificuladade em perceber o final
8 - Indica alguns dos teus livros preferidos - sem ordem

 

Emma, Jane Austen

Northanger Abbey, Jane Austen

Persuasão, Jane Austen

Jane Eyre, Charlotte Bronte

O Monte dos Vendavais, Emily Bronte

O Retrato de Dorian Gray, Oscar Wilde

Mrs. Dalloway, Virginia Woolf

O Sonho Mais Doce, Doris Lessing

Os Maias, Eça de Queirós

O Fio da Navalha, Somerset Maugham

A Insustentável Leveza do Ser, Milan Kundera

Anna Karenina, Leão Tolstoi

Expiação, Ian McEwan

 

Estou a Ler:
Queirosiana's bookshelf: currently-reading

As Avis - As Grandes Rainhas que Partilharam o Trono de Portugal na Segunda DinastiaOnde Vais Isabel?The Canterville GhostWuthering HeightsThe Picture of Dorian GrayAs Farpas

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