Paz Podre
Não escrevo há muito tempo. As preocupações quebraram-me a pena e tenho vivido egoisticamente, até de mim própria. São pequenos nadas que compõem um vazio abismal de coisa nenhuma que me entorpece a alma e a envolve num lamentável buraco negro de onde é difícil escapar. Temo que a minha alegria se desvaneça por completo... Mesmo hoje parece mais que essa alegria foi substituída por uma estranha sensação de revolta lunática, frenética... estimulada pela misérias humanas que resultam na indignidade pestilenta da Injustiça.
Estou em erupção ideológica, creio eu. No fundo, isso confunde-se estranhamente com esperança, porque nada há de mais sagrado do que o principio basilar da Dignidade Humana, onde tudo se funde, até a própria Vida. A ideologia que governa o país tresanda a bafio, envolta em fungos tóxicos de um verde putrefacto que destroem qualquer partícula de oxigénio.
Não tenho outra força que não esta, a escrita. Este é o meu instrumento de revolta. Este é o insignificante espaço onde alivio a alma de todos os encontrões do dia a dia. Este é o meu antro de confissão, onde me insurjo contra o incessante espezinhamento das Instituições deste país, tão solitária e sobranceiramente afastadas dele... inertes num cubículo onde do horizonte não se esboça sequer uma sombra.
Mas atenção, incautos! É na sombra que desperta uma (ainda) ténue massa de revolta.




