Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Queirosiana

Blogue sobre livros, leituras, escritores e opiniões

As Mulherzinhas (1868), Louisa May Alcott

Ficção - Clássicos

11.10.20 | Margarida M.

N11244458A_1.jpgHoje escrevo sobre mais um clássico que não pode faltar nas listas de leitura. “As Mulherzinhas”. Um conto que, retratando a vida da família “March”durante o período de guerra civil americana (1861-5), toma o seu foco em algo mais, algo que, no contexto temporal (América século XIX) a autora, Louisa May Alcott, seria das poucas com a coragem de o abordar – o feminismo. Tendo sido educada num meio familiar transcendentalista (ideia de que a sociedade está corrompida e necessita por isso de uma reforma), lutar e dar a sua voz pelo que achava correto ou incorreto não era problema para Alcott.

“As Mulherzinhas” desenvolve-se à volta de uma família e do seu quotidiano enquanto o pai da família está ausentado na guerra civil. A família March é composta por 4 filhas e a mãe, a base e apoio das jovens. As filhas compreendem diferentes idades, personalidades e diferentes fases de crescimento de uma rapariga. A mais velha, Meg é uma rapariga elegante, delicada e pronta para entrar na fase adulta da sua vida com todas as responsabilidades e preocupações que advém da mesma. De seguida temos Josephine “Jo” uma jovem rapariga cheia de vida e alegria que não se deixa limitar pelos padrões da sociedade e vive livre e sem pudores ou preocupações no que toca à “etiqueta” feminina. Será importante referir que esta personagem, “Jo”, é a que mais se assemelha com a própria escritora, que fez questão de deixar a sua alma neste livro pois ela própria não era a típica jovem rapariga da sua época. As duas irmãs mais novas são Beth, tímida, reservada, simples e muito humilde e com uma paixão pelo piano. Por último temos a pequena Amy que, ainda a crescer não conhece as dificuldades e adversidades da vida, mas demonstra uma maturidade além das raparigas da sua idade, é ainda orgulhosa e determinada.

Como já referi, a questão do feminismo é um ponto fulcral na obra. É exaltada a independência da mulher, a sua determinação perante adversidades e ainda o amor no seio familiar em que o homem não está presente (o que na época era visto como algo invulgar). São ainda exploradas questões mais sociais no que toca às mulheres. “Jo” é a grande protagonista do “rompimento” de padrões, o seu espírito aventureiro leva-a a ir por caminhos menos convencionais e até a comportar-se como o que hoje chamaríamos de “maria-rapaz”. Devo dizer que a parte que mais gosto na história é a amizade de “Jo” com “Laurie” (o jovem estudante e vizinho). A sua amizade é retratada tal como seria a relação entre uma irmã e um irmão com idades semelhantes, o que era incomum na altura pois rapaz e rapariga juntos seria sinal de casamento ou que algo de romântico se passava entre ambos. Aqui não vemos isso, apenas uma boa amizade cheia de aventuras e momentos engraçados com o jovem (Laurie), “Jo” e as suas irmãs.

Este clássico intemporal é um hino às mulheres, mas também um conto sobre a amizade e a importância da empatia e simpatia num Mundo, ou deverei dizer país dividido pela guerra civil. Embora hoje a América do Norte não esteja em guerra civil (física pelo menos, devo acrescentar) este é um livro que não deixa de ser importante de analisar em contexto do século XXI. As mulheres lutam ainda por igualdade e direitos que deveriam ser tomados como certos nesta era, e a humanidade tem ainda muito para aprender sobre o verdadeiro valor da amizade e da entreajuda e o sentido de sociedade.

Irei com certeza voltar a esta leitura no futuro, inspirou-me agora e sinto que me irá continuar a inspirar independentemente da idade, estatuto ou fase da vida! Para terminar deixo-vos um transcrito do livro “Little Women”, editado pela Collins Classics, relativamente à autora que achei importante de realçar:

“she lived through the turbulence of the American Civil War and saw America metamorfose into a modern nation where slaves were freed of their literal chains and women were freed of their metaphorical chains.” “Collins Classics Ed.(2013), Little Women”

***

1 comentário

Comentar post