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Queirosiana

Blogue sobre livros, leituras, escritores e opiniões

O Deus das Moscas, William Golding

16.12.08

Publicado em 1954, William Golding, que viria mais tarde a ser laureado com o Nobel da Literatura, apresenta-nos O Deus das Moscas, uma obra que tem sido descrita como uma fábula dos tempos modernos e que, nas palavras do autor reflete o “mal existente no coração” quando seres humanos são despojados das redes da civilização ou regras da sociedade. 

O título não é muito convidativo, mas o livro é mais do que interessante, é interessantíssimo!

Imaginem um grupo de miúdos, com pouco mais de 12 anos, que caem de avião numa ilha onde não há ninguém, não há nativos, não há adultos, simplesmente eles.

É o início para uma incrível história de aventuras, de peripécias, de heróis, de amizade. Poderia ser, no mínimo, com tamanha introdução, seria o mais provável. Agora voltemos ao grupo de miúdos sozinhos numa ilha deserta que "reinventam o mal", tornam-se autênticos selvagens, capazes de matar os próprios amigos.

Imaginem o caos, a maldade, e uma única personagem (ignorada e desprezada por todos os outros) que mantém a coerência, a rectidão e é gozada, ridicularizada, maltratada e por fim, morta.

Percebemos que há uma cisão no grupo, quando Rafael e Jack formam dois grupos distintos na ilha. Rafael deseja apenas que todos se preocupem em manter a fogueira acesa para que faça fumo e sejam salvos; Jack apenas quer caçar, quer carne e correr atrás da "Fera".

Acabam por ser salvos no fim da história, mas sem dúvida que perderam toda a ingenuidade e inocência característica da infância. Este livro deixa-nos inquietos perante a ideia de como seria se, de um momento para o outro, fôssemos despojados de qualquer civilização e quaisquer regras. E acabamos o livro a pensar ... "mas eram simplesmente crianças ... como poderia surgir tanta maldade?".

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A Peste, Albert Camus

11.12.08

Publicado em 1947 A Peste é considerada uma alegoria à inumanidade. Contudo, tenho de confessar que este não entrou para a lista dos meus livros predilectos.

Talvez não tenha percebido devidamente o livro, mas começou a tornar-se cansativo a partir de determinada altura. Não deixo, contudo, de vos contar um pouco da história.

Tudo se passa em Orão, uma cidade Argelina. A história começa com o aparecimento de ratos mortos por tudo quanto é sítio, sem aparente razão. Ninguém sabe o que se passa.

O porteiro de Rieux (a personagem central) é o primeiro a morrer, devido a um inchaço anormal de gânglios (o que refiro, desde já, que é uma descrição um pouco enjoativa).

Os médicos, entretanto, reunem-se na Prefeitura e, ainda que sem provas, dizem tratar-se de peste. Uma série de medidas para prevenção são tomadas, até que as portas da cidade são obrigadas a ser fechadas. A quarentena é imposta e os seus habitantes iniciam um percurso de sofrimento e loucura. 

Tal como começou, sem aviso ou razão aparente, a peste desaparece. E há uma passagem muito engraçada, em que dizem que até já há gatos nas ruas!

Penso que é um livro para reler, pois não creio que tenha tirado as conclusões acertadas.

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