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Queirosiana

Blogue sobre livros, leituras, escritores e opiniões

O Leitor, Bernhard Schlink

16.03.09

O Leitor é um romance de um professor de direito e juíz, chamado Bernhard Schlink. Foi publicado pela primeira vez na Alemanha em 1995.

Já tinha visto o filme, que já agora, achei fenomenal. Podem pensar que se perde a expectativa do final quando se lê um livro quando já se sabe o fim, mas isso não me aconteceu. O livro, como sempre, melhor que o filme, graças aos pormenores e explicações que não são apresentados no filme.

Muito daquilo que tinha ficado pouco esclarecido durante o filme, vi espelhado nas páginas do livro.

Michael de 15 anos, conhece Hanna (muito mais velha que ele) e fica apaixonado. Começam a ter uma relação que dura um ano e que marca irreversivelmente a vida de Michael.

Mais tarde ela desaparece e ele volta a encontrá-la num julgamento que lhe serve de estudo para o curso de Direito. Nesse julgamento, ela é acusada de ter pertencido às SS do regime Nazi. Este acontecimento tem um impacto muito forte em Michael que começa a ter uma verdadeira guerra mental que assenta basicamente na contradição, culpa e compreensão.

No fim ficamos perplexos perante o efeito que só uma pessoa pode ter na nossa vida, não só para o mal como também para o bem.

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A Insustentável Leveza do Ser, Milan Kundera

10.03.09

O seu título original (em Checo), Nesnesitelná lehkost bytí, surgiu pela primeira vez em 1984. Foi mais tarde adaptado para cinema com o nome "The Unbearable Lightness of Being"

Escolhemos então o quê?

Não sei quanto a vocês, mas certamente escolheria o peso. No livro existem personagens distintas, Tereza parece-me ser aquela que segue a teoria do "peso", Tomas e Sabina a "leveza". No livro, nem uma nem outra resulta em coisa alguma. Apesar de no fim, o "peso" da idade revelar uma certa felicidade que, na minha opinião, não é suficiente para apagar toda a "leveza" do amor de Tomas.

O livro possui algumas partes muito brutas e cruas, que revelam aquilo que o ser humano também é. O amor surge-nos como algo triste e doloroso (pesado) e a infidelidade como algo simples para aqueles que seguem a "leveza", dá a ideia de que é algo que não podem controlar.

É sem dúvida alguma dos melhores livros que li. As relações humanas estão longe de ser perfeitas, contudo, gosto de acreditar (talvez ingenuamente) que as relações humanas podem ter algo mais dignificante do que aquelas apresentadas neste livro.

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A Metamorfose, Franz Kafka

09.03.09

A Metamorfose foi publicada pela primeira vez em 1915.

Tenho de dizer que, no impacto da leitura da primeira página, nada me poderia parecer mais absurdo e tinha plena consciência de que toda a história era uma alegoria.

Esta sensação de absurdo acompanhou-me durante toda a leitura e também no final. Contudo, depois de uma reflexão e "conversazinha" com o meu pai, consegui desmembrar a alegoria da história.

Tudo começa com Gregor, a personagem principal, que se transforma num insecto e a sua primeira preocupação é de como irá apanhar o comboio para ir para o emprego.

Gregor Samsa, caixeiro-viajante, trabalha para sustentar a família e pagar as dívidas da antiga empresa do pai. No início do livro vemos quão contrariado ele está em ter de trabalhar naquela empresa. Ele é quem sustenta a família e daí que os seus primeiros pensamentos enquanto insecto é quem irá cuidar da família agora.

A repulsa que a família demonstra para com aquela metamorfose de Gregor é cruelmente demonstrada, apenas a irmã se digna a ir dar-lhe de comer e a limpar-lhe o quarto, mas com o passar dos meses, também nisso se começa a descuidar.

Como li algures, mais do que uma metamorfose de Gregor, a questão retratada no livro é uma metamorfose da família. Todos eles que viviam à sombra de Gregor, como que "renascem" para a vida. O pai arranja um emprego como porteiro, a mãe começa a trabalhar fazendo costuras e a irmã começa a trabalhar também. A dependência que tinham de Gregor até então, desaparece, e por isso, ele é esquecido, porque é um insecto (porque é insignificante) e não fala, acaba por morrer no esquecimento e na ingratidão da família.

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