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Queirosiana

Blogue sobre livros, leituras, escritores e opiniões

A Metamorfose, Franz Kafka

09.03.09

A Metamorfose foi publicada pela primeira vez em 1915.

Tenho de dizer que, no impacto da leitura da primeira página, nada me poderia parecer mais absurdo e tinha plena consciência de que toda a história era uma alegoria.

Esta sensação de absurdo acompanhou-me durante toda a leitura e também no final. Contudo, depois de uma reflexão e "conversazinha" com o meu pai, consegui desmembrar a alegoria da história.

Tudo começa com Gregor, a personagem principal, que se transforma num insecto e a sua primeira preocupação é de como irá apanhar o comboio para ir para o emprego.

Gregor Samsa, caixeiro-viajante, trabalha para sustentar a família e pagar as dívidas da antiga empresa do pai. No início do livro vemos quão contrariado ele está em ter de trabalhar naquela empresa. Ele é quem sustenta a família e daí que os seus primeiros pensamentos enquanto insecto é quem irá cuidar da família agora.

A repulsa que a família demonstra para com aquela metamorfose de Gregor é cruelmente demonstrada, apenas a irmã se digna a ir dar-lhe de comer e a limpar-lhe o quarto, mas com o passar dos meses, também nisso se começa a descuidar.

Como li algures, mais do que uma metamorfose de Gregor, a questão retratada no livro é uma metamorfose da família. Todos eles que viviam à sombra de Gregor, como que "renascem" para a vida. O pai arranja um emprego como porteiro, a mãe começa a trabalhar fazendo costuras e a irmã começa a trabalhar também. A dependência que tinham de Gregor até então, desaparece, e por isso, ele é esquecido, porque é um insecto (porque é insignificante) e não fala, acaba por morrer no esquecimento e na ingratidão da família.

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