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Queirosiana

Blogue sobre livros, leituras, escritores e opiniões

O Sonho Mais Doce, Doris Lessing

20.10.09

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Publicado em 2001, este é um dos grandes títulos da renomada Doris Lessing.

Um livro marcante, inesquecível... é o meu terceiro livro da escritora e começa a tornar-se óbvio que o meu apreço pela escritora, mesmo antes de ler qualquer obra sua, é verdadeiro.

Este livro fala-nos dos "dourados" anos 60. Acompanhamos três gerações distintas, os seus sucessos, os seus fracassos, as suas fraquezas, as suas glórias, e acima de tudo, os seus sonhos.

Nunca vivi os anos 60, estou muito longe deles até, mas este livro revive o espírito, a mudança latente, a ruptura emergente, a rebeldia incessante, o pensamente de esquerda, as relações "liberalíssimas" e o Sonho constante de querer Mudar o Mundo...

Julia é a personagem mais velha, sogra de Frances e avó de Andrew e Colin e, mais tarde, Sylvia. Representa a geração que ainda viveu, na juventude, a 2ª Guerra e que guarda ainda dentre de si uma educação rígida e conservadora.

Frances, mãe de Andrew e Colin é a mãe liberal que torna a sua casa num albergue para jovens (amigos dos filhos, amigos dos amigos dos filhos...) que fogem de casa das suas famílias porque se sentem "incompreendidos", divorciada de Johnny um eterno comunista que defende a todo o custo da doutrina da Revolução e incentiva todos os actos contra o regime e que negligencia a educação e sustento dos filhos.

Sylvia, filha da segunda mulher de Johnny, sofre na infância os tormentos de uma mãe louca que a culpa por não ter sucesso na vida. Acaba por ir para casa de Julia, que a acolhe como uma segunda mãe e lhe dá a educação que acaba por a tornar Médica. Decide fazer voluntariado numa zona de África - Zimlia - onde se inicia o confronto com a doença, que nessa altura começava a surgir, a SIDA. Esta parte do livro é a mais inquetante e a mais crua e isso torna-a, sem dúvida, na parte fulcral e culminante de todo o enredo.

Existem depois uma série de personagens secundárias, cuja vida também acompanhamos de próximo e que demonstram, muitas delas, a sua hipocrisia, que mais não é do que a perda do Sonho, que está constantemente presente nesta obra - esse Sonho de mundar o mundo. Que resiste e persiste mesmo depois do Muro cair, mesmo depois de se conhecer o tamanho das atrocidades cometidas pelo Regime Soviético, e com uma citação do livro ... "mas onde está a surpresa, se, (apesar de tudo) é sempre O Sonho que conta?".

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