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Queirosiana

Blogue sobre livros, leituras, escritores e opiniões

Ana Karenina, Lev Tolstoi

05.06.10

Um grande, imenso clássico. Quando decidi começar a lê-lo achei que tomava em mãos apenas uma grande obra, mas não, naquele dia, tomei em mãos uma das magistrais obras-primas da literatura mundial.

Tendo começado a ser publicado num periódico, assume a forma de livro em 1877. Se é certo que Guerra e Paz é o título maior de Leo Tolstoy, Anna Karenina segue-lhe de imediato. O livro é intenso, envolvente e ultrapassa a história de amor de Ana e Vronsky. É tão intenso quão complexo, basta recordar a imensidão de personagens que o integram e o tempo que demoramos a assimilar quem é quem, pois na literatura russa, as mesmas personagens podem ter vários nomes. Mas não só, dependendo das edições, o livro ronda as 800 páginas. Enfim, tal como disse, este livro é uma imensidão!

A história desenrola-se na Rússia do século XIX e mostra-nos não só a sociedade aristocrática ou imperial russa, mas também a sociedade rural, por exemplo, quando lemos as passagens relativas a Kostya um proprietário rural, um filósofo, um homem sério e íntegro que acaba por se casar com Kitty depois desta o ter rejeitado.

A história principal é a que envolve Ana Karenina num caso extra-conjugal com o Conde Vronsky. A ideia que tinha era de que a ia culpar, de que ia ver nela defeitos e fraquezas, que ela iria ser destituída de carácter, mas não, mesmo nos próprios erros que comete, nunca a consegui julgar porque, a história envolve-nos de tal forma, que Ana parece sempre inocente e vítima aos nossos olhos, inocente e vítima de um amor que não pode controlar tal é a sua genuinidade e afeição. E o final mostra-nos precisamente quão verdadeiramente vítima Ana era da sua situação.

Mas essa não é a única história, em paralelo, a paixão de Kitty por Vronsky, a sua decepção, o seu crescimento e amadurecimento, o seu casamento com Kostya, são também deveras interessantes. Assim como a história análoga de Oblonsky (irmão de Ana) e da sua mulher que em tudo se parece com o que sucedeu com Ana (pelo menos, ambos tiveram amantes durante o casamento), mas em que os géneros estão alterados e para Oblonsky não existe qualquer consequência, nem a nível familiar, nem a nível da sociedade, graças à ajuda de Ana que convenceu a cunhada a não terminar o casamento (o que não deixa de ser irónico).

Existem muitos temas discutidos no livro, para além do adultério, discutem-se muito temas políticos. Igualmente nos dá uma imagem do que viria a ser a Rússia mais tarde sob a hegemonia comunista. São também abordados temas morais, como a distinção entre o Bem e o Mal, o justo e injusto, questões latentes em toda a obra.

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