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Queirosiana

Blogue sobre livros, leituras, escritores e opiniões

Jane Eyre, Charlotte Brontë

19.10.10

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Já há muito tempo que queria ler este livro. A grande rivalidade que parece haver entre Brontë e Austen animavam ainda mais o meu espírito e incitavam-me a agarrar nesta obra. É sem surpresa que digo que gostei bastante.

Jane Eyre, publicado em 1847, é a autobiografia ficcional dessa personagem. Começa por nos apresentar a sua triste vida em criança em casa de Mrs. Reed, sua tia, que lhe tem uma aversão hedionda e que acaba por a mandar para um Colégio interno de caridade - Lowood, onde a vida de Jane Eyre não melhora, pelo menos nos primeiros tempos, depois conhece Helen Burns (a sua única amiga até conhecer Mr. Rochester) que tem um fim triste. Embora não tenha sido um tempo particularmente feliz, em Lowood Jane estuda durante seis anos e acaba por lá ficar a ensinar durante dois anos.

Aos 18 anos faz um anúncio num jornal a procurar um lugar como preceptora. Mrs. Fairfax responde e Jane parte para Thornfield Hall, onde vai ser feliz. Aí conhece o sarcástico Mr. Rochester que brinca fortemente com os sentimentos de Jane Eyre, cego de paixão. Mas Thornfield Hall esconde um segredo muito bem guardado que por vezes se solta e vagueia durante a noite. Confesso que sentimos alguns arrepios nessas partes. A paixão entre Jane Eyre e Mr. Rochester acaba por se desenvolver e chegam mesmo a (quase) casar-se - mas há um impedimento. Esse impedimento levará Jane a fugir. Encontrando em Morton uma família que a recolhe e para quem irá tornar-se uma "irmã". Aí ganha a sua independência e nova proposta de casamento. No entanto, antes de aceitar, decide procurar novamente Mr. Rochester e as notícias que recebe ao chegar a Thornfield Hall em ruínas, não são nada boas. Este Mr. Rochester longe de ser aquele que conhecemos nos primeiros capítulos, mantém o seu sarcasmo e ironia e o grande amor por Jane Eyre.

Confesso que achei algumas partes da história demasiado moralistas. Quer dizer, talvez esta não seja a palavra indicada, mas personagens como Helen Burns e St. John massacraram-me as entranhas e não consegui encontrar neles a "tal" grandiosidade de que nos fala a obra. Em Helen Burns não tanto (embora ache alguns dos seus diálogos demasiado forçados, encontrei nela uma certa consolação, tal como Jane) mas St. John tão temente a Deus e tão obstinado fizeram-me desgostar do seu carácter.

Mr. Rochester é daquelas personagens que nos causa um turbilhão de sensações e que vive nos extremos, ou gostamos muito ou não gostamos nada; eu experimentei ambas, embora tenha achado sempre o seu lado irónico e cínico irresistíveis. Jane Eyre, creio que é impossível não gostar dela, em certas alturas fez-me lembrar Elinor Dashwood e também Jane Fairfax. Adorei a batalha mental que ela travou enquanto desconheceu a paixão de Mr. Rochester por ela. Uma diferença que notei é que Brontë exacerba bastante a Independência da mulher, o que me agradou. Em Jane Austen, a mulher está destinada a casar (isto não é uma crítica, uma vez que era assim o pensamento da altura) com Brontë, a quimera da Independência começa a aparecer no horizonte - mas também esta heroína acaba por casar com o amor da sua vida.

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Expiação, Ian McEwan

13.10.10

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Assombroso este livro. Se o filme é dos meus preferidos de sempre, o livro rebentou essa escala. Ao ler esta obra tive laivos de Virginia Woolf e sombras de Jane Austen. É pura e simplesmente brilhante.

É um romance em que a personagem principal é uma promissora escritora e em que o próprio romance que lemos é da sua autoria, uma biografia fantasiada da sua vida e do seu crime. A história começa por nos mostrar a mesma situação vista de três pontos de vista diferentes, depois, vem o crime que perseguirá Briony para o resto da vida e por fim, a tentativa desta por remediar o mal causado.

A forma como uma criança (inocente) põe em causa a vida de terceiros é brutal; mas o livro dá-nos todas as explicações, mostra-nos a sua mente e nós compreendêmo-la - Briony acusa o namorado da irmã Cecilia de ter cometido um crime hediondo e a vida desse futuro médico entra num verdadeiro caos que o levará para a frente de batalha da 2ª Guerra. No decorrer da história vemos que é o seu amor por Cecilia que o mantém vivo, pensando constantemente nas suas palavras "Espero por ti. Volta". O crime de Briony, por ter acusado um inocente, irá sempre persegui-la, e é por isso que, em vez de entrar para a faculdade, como a irmã fizera, decide tornar-se enfermeira - este seu percurso, que acompanhamos, mostra-nos uma Briony diferente daquela que nos foi apresentada no início do romance e é nesta parte que nos reconciliamos com ela. E no último capítulo, perdoamo-la.

É um livro comovente. Mostra-nos como uma acção pode alterar o rumo de uma vida; mostra-nos a dura e cruel realidade do que foi a 2ª Guerra Mundial; mostra-nos um amor que superou todas as barreiras; mostra-nos o sofrimento da culpa e a busca pelo perdão. Eu não sustive as lágrimas, nem no fim do filme, nem no fim do livro.

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Amantes dos Reis de Portugal, Maria Paula Marçal Lourenço, Ana Cristina Duarte Pereira, Joana Almeida Troni

12.10.10

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Esta obra da autoria de três historiadoras, Maria Paula Lourenço, Ana Cristina Pereira e Joana Troni, acompanha a vida conjugal e extraconjugal das nossas quatro dinastias. É um livro que se lê muito depressa porque o tema em si é fascinante e curioso. Nele encontramos um grande número de reis "fogosos" e um número simpático, mas reduzido, de reis "sérios" e que amaram verdadeiramente as suas rainhas. Mas tenhamos sempre em conta que os casamentos reais eram casamentos de Estado, o amor era algo acessório.

Mas este livro não trata só de "revista cor-de-rosa" medieval, ao mesmo tempo que nos fala da vida conjugal dos reis, conta-nos a história política do Reino de Portugal.

Fui surpreendida negativamente pelo Rei D. Dinis e D. Pedro II, reis que tinha em alta conta, mas que neste livro mostraram que o seu carácter era um tanto ou quanto duvidoso.

Fiquei encantada com a história de D. Duarte, D. Maria II e o seu conto de fadas com D. Fernando...

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