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Queirosiana

Blogue sobre livros, leituras, escritores e opiniões

Carmilla, Sheridan Le Fanu (1872)

Ficção - Horror/Gótico - LGBT

03.02.20 | L.F. Madeira

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Uma leitura curiosa e estranhamente moderna. Digo estranhamente porque, embora sendo uma escrita e um enredo singelos, em quase nada denotei o fator temporal desta obra - o de ter sido escrita na segunda metade do século XIX. 

Carmilla é um clássico gótico, a história que veio inspirar a famosa criação de Bram Stoker, Drácula. Carmilla é pioneira na abordagem ao folclore dos vampiros, temática que granjeou grande popularidade na literatura desde então. Não sei se pioneira, mas no mínimo, invulgar, é também a abordagem da paixão lésbica. 

Com a criação de Carmilla, surgiu aquela que viria a ser das primeiras personagens vampíricas no feminino. O enredo não é extenso ou elaborado, há até algumas dúvidas que subsistem uma vez concluída a leitura. Todavia, é surpreendente e cativante, pelo folclore, pela superstição e pelos mistérios sempre latentes. 

No início da história conhecemos Laura, que vive com o seu pai num castelo na região austríaca. Após um espalhafatoso e incrivelmente rápido acidente com uma carruagem, Carmilla torna-se hóspede no castelo da família de Laura. Desde cedo se apresentam aos leitores alguns aspetos invulgares do comportamento e hábitos de Carmilla. Entre Laura e Carmilla desenvolve-se uma intensa amizade que, em muitos momentos, se assemelha a uma relação de paixão sanguínea (literalmente) entre as duas jovens. A determinada altura surge uma estranha doença nas redondezas que provoca a morte a outras jovens e acaba por "infetar" Laura que, em poucas semanas, definha rapidamente até se revelar o segredo de Carmilla e a sua natureza de vampira. 

Não se tem de ser um amante do género gótico para apreciar o estilo desafetado e arrojado do romance Carmilla.

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O Coração das Trevas, Joseph Conrad (1902)

Ficção - Clássicos

03.02.20 | L.F. Madeira

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Não sei como me justificar, mas não consegui digerir este clássico dos inícios do século XX. Efetivamente a leitura foi intragável, passava as páginas e não conseguia nunca envolver-me. Sob pena de soar misândrica, a verdade é que senti estar a ler um livro escrito por um homem para homens. Talvez não tenha sido boa ideia tomar esta obra nas mãos depois de ler Um Teto Só Seu de Woolf, posso ter sido desencaminhada. No entanto, todo o enredo surgiu aos meus olhos como uma exaltação viril, imperialista e supremacista.

O Coração das Trevas é um importante livro da literatura anglófona e da literatura mundial. Resumidamente, a obra é um relato da história de vida de um marinheiro inglês, Marlow, que nos conta a sua experiência quando navegou o rio Congo nessa colónia inglesa. Descobri mais tarde que o próprio autor, Conrad, vivenciou semelhante história na vida real. 

Marlow vai à procura de Kurtz, um comerciante de marfim (enlouquecido) e é o relato dessa viagem que é o cerne da história. Aqui é-nos apresentado o profundo continente africano pelos olhos do colono europeu. São constantes os paralelismos entre o civilizado e o primitivo, o negro e o branco. O enrendo adensa e torna-se muito desumano e brutal. A exploração do homem pelo homem, o paradoxo da humanidade. 

Não, não gostei. Mas o defeito é meu. Farei nova tentativa, um dia destes. 

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