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Queirosiana

Blogue sobre livros, leituras, escritores e opiniões

5 mulheres escritoras para (re)descobrir a literatura francesa contemporânea

#4 Baú dos Livros

31.05.20 | L.F. Madeira

Na literatura tenho sido refém do legado anglo-saxónico - talvez refém não seja expressão mais correta, porque o tenho sido de livre vontade. No entanto, há sempre um je ne sais pas quoi da cultura francesa que, caindo que nem um patinho na crítica de Eça ao povo português, me encanta sobremaneira - na música, no cinema e na gastronomia. Contudo, tal encantamento não se reflete nas estantes da minha casa, são poucos os autores franceses e ainda menos as autoras. Assim, inspirada pelas minhas infindáveis listas de mulheres escritoras, selecionei um grupo de cinco escritoras francesas contemporâneas, com livros publicados nos últimos dez anos e com edições em língua portuguesa, para mergulhar aos poucos na atual literatura francesa escrita no feminino. 

 

Annie Ernaux

Nascida em 1940, graduada em literatura e professora durante grande parte da sua vida. Muitos falam da escrita de Ernaux como autoficção, no sentido de que mistura ficção e biografia, mas a própria escritora recusa esse rótulo. Ainda assim, a verdade é que a sua escrita assume características profundamente introspetivas. Transversal aos seus romances é o toque sociológico, a preocupação por questões sociais e, consequentemente, questões políticas também. Annie Ernaux foi premiada com inúmeros prémios literários, contando o mais recente Prémio Hemingway em 2018. 

Infelizmente não existem muitas edições traduzidas para português da obra de Ernaux, ainda assim podemos encontrar, Uma Paixão Simples, Um Lugar ao Sol e Os Anos todos das edições Livros do Brasil. 

 

Delphine de Vigan

Nascida em 1966, Delphine de Vigan, escritora e romancista, é hoje um dos nomes importantes do panorama literário francês. Os seus livros exploram a relação entre ficção e realidade, sendo uma imersão profunda no que de mais íntimo há em nós. Foi com o seu livro Not et Moi que venceu o Prix des Libraires em 2008 bem como outros prémios, e se dedicou inteiramente à escrita. Not et MoiD’après une histoire vraie foram já adaptados ao cinema. 

Nas livrarias portuguesas podemos encontrar três edições das principais e mais aclamadas obras de Delphine de Vigan, Nô e Eu (Guerra e Paz), A Partir de Uma História Verdadeira (Quetzal Editores) e Lealdades (Gradiva). 

 

Marie Ndiaye

Nascida em 1967 Ndiaye é hoje uma das mulheres escritoras mais importantes em França. Aclamada em 2009 com o Prémio Goncourt pelo romance Trois Femmes Puissantes, NDiaye já se consolidou como um dos grandes nomes da literatura contemporânea francesa. Os seus livros são descritos como complexos e experimentais, não sendo uma leitura ligeira. Os universos dos livros de Ndiaye são, por vezes, sórdidos, imperfeitos, as suas obras falam-nos de famílias fragmentadas, rupturas, crueldade e pela violência.

Infelizmente só apenas uma obra de Ndiaye foi traduzida para português Três Mulheres Poderosas da Texto Editores.

 

Virginie Despentes

Nascida em 1969 Virginie Despentes é uma escritora feminista francesa e cineasta. As opiniões sobre ela e a sua escrita vão do oito ao oitenta, mas a verdade é que ninguém lhe fica indiferente. Com uma história e passado complexos e duros, Despentes utiliza a escrita para romper e criar controvérsia. Fá-lo de forma irreverente, polémica e explosiva. Não tem de concordar com ela, mas Despentes deixá-la-á a pensar. 

Já encontramos edições traduzidas das suas obras em várias livrarias, nomeadamente o seu afamado Teoria King KongVernon Subutex, das editoras Orfeu Negro e Elsinore, respetivamente. 

 

Leila Slimani

Nascida em 1981, Leila Slimani é jornalista, feminista e acérrima defensora dos Direitos das Mulheres. Leila Slimani surge como um dos grandes nomes atuais da literatura francófona. A Vogue descreveu-a como uma escritora com um dom peculiar de contar histórias arrepiantes e desconfortáveis. Slimani ganhou estrelato literário com o seu romance Chanson Douce o qual lhe valeu o Prémio Groncourt em 2016 e entretanto foi já adaptado para o cinema em 2019. 

O reportório de Slimani ainda não é extenso, mas em Portugal já podemos encontrar duas edições traduzidas, Canção Doce e No Jardim do Ogre, ambos da editora Alfaguara Portugal.

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5 Livros com a guerra como fundo histórico

#3 Baú dos Livros

28.05.20 | L.F. Madeira

Tenho estado a completar as lacunas do desafio #Ler Os Clássicos, entre os títulos em aberto, tenho "um clássico sobre a guerra". Embora este ano já tenha lido um romance com a guerra colonial como pano de fundo, não cumpre o requisito "clássico anterior a 1970" e assim, iniciei uma investigação sobre livros de guerra que pudesse selecionar.

As sugestões que apresento, não são livros sobre guerra, no sentido de descreverem atos de guerra ou diários de guerra, são livros cujo fundo histórico é de guerra. Trata-se de uma opção pessoal, histórias de guerra de linha da frente não me cativam sobremaneira. Assim, selecionei cinco títulos com cinco guerras diferentes em cenário e para cada escolha apresentei uma alternativa. 

Depois de algumas trocas de comentários decidi retirar da lista a primeira sugestão (que indicava uma obra de Dickens, "Uma História de Duas Cidades", que tinha como pano de fundo o Período do Terror da Revolução Francesa) e substituí-la por uma sugestão mais óbvia e concordante com a temática "guerra" associada ao mote desta publicação - logrei alcançar cinco sugestões referentes a diferentes guerras, a Guerra Civil Americana, a I Guerra Mundial, a Guerra Civil Espanhola, a II Guerra Mundial e a Guerra Colonial Portuguesa. 

 

O Regresso do Soldado (1997), Charles Frazier

Ficção histórica - Romance - Guerra

Ambientado no período da Guerra Civil Americana, O Regresso do Soldado (Cold Mountain) conta-nos a odisseia de Inman, um soldado sulista ferido na batalha de Petersburg, que decide desertar e regressar à Carolina do Norte para aí reencontrar a mulher que ama, Ada, persuadido de que ela o espera. Por seu lado, Ada, sozinha após a morte do pai, sobrevive como fazendeira em Cold Mountain, uma pequena aldeia da montanha. Ambos afrontam, antes de se reencontrarem, as transformações de um mundo onde lhes cabe agora viver.

Comprar na Bertrand (edição traduzida)

Comprar na Bertrand (edição em inglês)

Outras sugestões: E Tudo o Vento Levou de Margaret Mitchell

 

O Adeus às Armas (1929), Ernest Hemingway

Ficção histórica - Clássicos - Guerra

O Adeus às Armas, provavelmente o melhor romance americano resultante da experiência da Primeira Guerra Mundial, é a história inesquecível de Frederic Henry, um condutor de ambulâncias que presta serviço na frente italiana, e da sua trágica paixão por uma enfermeira inglesa.

Comprar na Bertrand

Outras sugestões: Testament of Youth de Vera Brittain 

 

A Praça do Diamante (1962), Mercè Rodoreda

Ficção histórica - Romance - Guerra

Publicado originalmente em 1962 como La Plaça del Diamant, é considerado o romance catalão mais importante de todos os tempos. Retrata uma Barcelona no ​​início dos anos 30 e conta a história comovente, intensa e poderosa de uma mulher envolvida num período convulsivo da história. Embora a editora Dom Quixote tenha uma tradução da obra, hoje em dia já não se encontra facilmente à venda a não ser em alfarrabistas, contudo, existe oferta por parte de editoras brasileiras. 

Comprar na Bertrand (edição espanhola)

Comprar na Bertrand (edição inglesa)

Outras sugestões: O Tempo Entre Costuras de María Dueñas

 

Expiação (2001), Ian McEwan

Ficção - Romance - Guerra 

Opinião da Queirosiana

Expiação é, porventura, a melhor obra de Ian McEwan. Descrevendo de forma brilhante e cativante a infância, o amor e a guerra, a Inglaterra e a situação de classes, contém no seu âmago uma exploração profunda - e muito comovente - da vergonha, do perdão, da expiação e da dificuldade da absolvição. A sua ação ocorre em três períodos de tempo - na Inglaterra de 1935, na Inglaterra e França na Segunda Guerra Mundial e na Inglaterra de 1999. 

Comprar na Bertrand (edição traduzida)

Comprar na Bertrand (edição em inglês)

Outras sugestões: Suite Francesa de Irène Némirovsky.

 

A Costa dos Murmúrios (1988), Lídia Jorge

Ficção - Romance - Guerra

Opinião da Queirosiana

Romance de um império de ocupação de costa, nada é atenuado ou escamoteado neste livro. Enredo e personagens arrastam consigo o significado caótico de um universo desregulado, onde o risco permanente torna os protagonistas dependentes em extremo de fortuitas coincidências. Aborda aspetos da guerra colonial portuguesa em Moçambique, de uma perspetiva feminina. 

Comprar na Bertrand

Outras sugestões: Memória de Elefante de António Lobo Antunes 

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História de Quem Vai e de Quem Fica (2013), Elena Ferrante

Ficção Histórica

24.05.20 | L.F. Madeira

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Cada nova leitura de Ferrante é um assombro. Publicado originalmente em 2013, História de Quem Vai e de Quem Fica é o terceiro volume da série A Amiga Genial. Nesta continuação, acompanhamos as duas personagens principais ao longo dos seus vinte e trinta anos numa Itália em verdadeiro tumulto político, social e cultural. 

Muito mais denso e obscuro que os anteriores, uma certa sensação de abismo e solidão perpassam toda a história, bem como a incerteza de identidade (saber quem sou ou o que quero ser), sobretudo com Lenú, cuja personagem tem particular enfoque neste volume, como se a sua vida não fosse mais do que uma aglutinação sem fusão. 

Este volume parece ser uma sucessão de recuos daquilo que se havia aberto no segundo volume, sobretudo pela desfragmentação do debute de Lenú que, após a publicação do seu livro e de algum reconhecimento no meio literário, se vê ancorada a uma vida que lhe suga o potencial, a criatividade e a ambição.

A emancipação feminina, tema transversal na série da Amiga Genial, é particularmente incisivo neste terceiro volume em que a intimidade e sexualidade feminina e a maternidade assumem relevo, bem como a libertação daquilo que é um mundo construido por homens à sua semelhança e do qual as nossas personagens tentam escapar. 

Igualmente importante é o contexto social, político e cultural dos anos sessenta, com os seus tumultos, cisões e revoluções, um universo que se abre inteiramente ao leitor no seu fervilhar simbólico, cruel e de ilusões e que é profundamente revigorante para alguém que, como eu, só tem por fonte os relatos históricos e não a vivência e as sensações.

No final do livro, parece existir uma rutura na relação simbiótica entre Lenú e Lila, quando Lenú decide quebrar a apatia e invisibilidade da sua vida presente num aparente regresso ao passado que, no meu entender, me parece deslocado para quem pretende seguir em frente. Mas só o quarto e último volume poderão satisfazer a curiosidade desta leitora. 

Até lá, num esforço sobre-humano (pois prometi a mim mesma ler cada volume da série espaçadamente, com pelo menos um mês de intervalo), reforço a ideia que já vi escrita por muitos, ler a série A Amiga Genial é imergir num universo violento, ambivalente e masculino e escalpeliza-lo lentamente pela visão, voz e tacto femininos, numa ânsia constante de rutura e destruição, numa repulsa lancinante pelas desigualdades e hipocrisias, numa busca por um lugar e uma oportunidade num exercício de plena liberdade. 

A escrita de Ferrante é inexplicavelmente honesta e torna a leitora cativa, num afã de abarcar essa sinceridade que, mais das vezes, cala. Por intermédio da sua misteriosa arte de cerzir emoções, Ferrante encanta-nos e aprisiona-nos porque, quando escreve, confessa a vida. 

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Alma Lusitana

Desafio - Dia do Autor Português

22.05.20 | L.F. Madeira

A Andreia lançou-nos o desafio da Alma Lusitana para assinalarmos, coletivamente, o Dia do Autor Português. Já aqui referi anteriormente que tenho uma lacuna enorme no que toca a escritores portugueses, sobretudo, contemporâneos. Completar este desafio foi uma chamada de atenção para colmatar essa falha literária! 

 

  • Porto | Um autor que nunca tenhas lido, mas que está na tua lista

Natália Correia, quero muito ler a sua poesia, mas também a sua narrativa. A sua personalidade é fascinante, a sua escrita sê-lo-á igualmente. 

  • Aveiro | Um livro para morar

Cidade e as Serras de Eça de Queirós porque, tal como Jacinto, é o bucólico e a sua pureza que me preenche a alma. 

  • Coimbra | Um livro do teu autor favorito

O Primo Basílio de Eça de Queirós, escolhi este por ter sido o primeiro que li do autor, tinha então treze anos e foi o primeiro "clássico" que tomei em mãos. 

  • Leiria | Um livro para reler

Amor de Perdição de Camilo Castelo Branco, não porque tenha gostado da leitura da primeira vez, simplesmente porque acho que o li no momento errado e não apreciei a sua grandeza, tendo colocado o autor de lado de vez (muito por culpa da feroz rivalidade com Eça de Queirós). Quero remendar esta situação.  

  • Ericeira | Um livro que te transporta para uma zona do país de que gostas

Os Maias de Eça de Queirós, por causa de Sintra e das memórias da meninice. 

  • Guimarães | Um livro que deveria ter uma adaptação cinematográfica

Memorial do Convento de José Saramago, este livro merecia uma versão na tela. Não era incrível? 

  • Sintra | Um livro de poesia

Antologia Poética de Florbela Espanca por aos treze anos me ter enfeitiçado. 

  • Bragança | O primeiro autor que leste

Alice Vieira a primeira escritora portuguesa que li e adorei. 

  • Gaia | Um livro infanto-juvenil

Rosa Minha Irmã Rosa de Alice Vieira, um livro ternurento e que tanto sentido vez para mim na altura em que o li. 

  • Lisboa | Um livro que mencione outras expressões artísticas

Felizmente Há Luar! de Luís de Sttau Monteiro, pela sua dramaturgia e simbologia histórica. 

  • Braga | Um livro passado na tua estação do ano favorita

O Rapaz de Bronze de Sophia de Mello Breyner, por evocar a Primavera em todas as palavras. 

  • Óbidos | O livro com a capa mais bonita

Os Lusíadas de Luís de Camões, o que tenho cá em casa tem uma encadernação dura com filamentos dourados, gosto muito dela. 

E por último, o desafio extra, tal como a Andreia pediu!

  • Lousã | O último livro que leste, escrito por uma mulher

A Costa dos Murmúrios de Lídia Jorge, um livro a que tenho de voltar. 

As Horas (1998), Michael Cunningham

Ficção - Clássicos

18.05.20 | L.F. Madeira

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Tenho tido sorte com grande parte das minhas escolhas de leitura para 2020. Adiei por muito tempo a leitura deste livro, mas creio que o fiz no momento certo, como uma circunferência que se completa.

As Horas, romance premiado do escritor Michael Cunningham, publicado originalmente em 1998 merece lugar cimeiro na minha prateleira de favoritos como, aliás, já esperava. Terminei o livro há instantes e já lhe sinto a falta. Acredito que todos os livros são exercícios contínuos de empatia, seja o escritor que cria as personagens, seja o leitor que observa, omnipresente, o desenrolar da vida daqueles seres ficcionados. Nada melhor há do que um livro para nos ensinar, passo a passo, a colocarmo-nos na posição do outro, a compreender que, mesmo que não tenhamos partilhado as mesmas circunstâncias, mesmo que o nosso contexto seja em tudo distante daquele, conseguimos criar empatia com aquele ser ilusório, com aquele outro que nos guia pela mão e nos mostra outras perspetivas, outras formas de olhar o mundo, na sua insignificância, ambivalência e transcendência. Escrever um livro, mas ler um livro também, são derradeiros atos de empatia e de partilha. Isso é sublime. E o que Michael Cunningham fez com As Horas foi precisamente isso - um exercício perfeito de empatia. 

Pessoal e intimamente, este livro tem um profundo significado para mim. Laura e Richard Brown deixaram uma marca indelével - a primeira, pela sua inquietante presença e semelhança; o segundo, pela insaciabilidade e esperança. Duas personagens que me ajudam a compreender pessoas reais, que contribuem para a expiação da culpa, para o perdão e para a empatia. 

Para o título do seu romance, The Hours, Cunningham foi buscar inspiração àquele que teria sido o título inicial pensado por Virginia Woolf para a sua obra Mrs. Dalloway. Mas não é só no título que há relação - todo o romance de Cunningham está alicerçado em Mrs. Dalloway. Em As Horas, cujos capítulos se encontram divididos pelas três personagens principais, numa ação que ocorre num dia apenas (tal como Mrs. Dalloway), encontramos Virginia Woolf a criar e escrever Mrs. Dalloway; Laura Brown, uma mulher insatisfeita com a sua vida e que lê Mrs. Dalloway; e Clarissa Vaughan que vive a vida de Mrs. Dalloway na década de 90. É o livro de Woolf que entrecruza a existência destas três mulheres. Eu li Mrs. Dalloway de Virginia Woolf antes de ler As Horas, não digo que seja essencial, mas considerando que os alicerces se encontram naquela obra de Woolf, diria que ter conhecimento prévio de Clarissa Dalloway é uma mais valia. 

Em As Horas a tragédia é latente, na vida de todos os personagens, contudo, verificamos como, ainda que maculados pela tragédia, com os seus monstros e melancolias, todos vivem, todos acordam - todos os dias - para mais um dia, mais horas, mais tempo, mais vida. É incrível como, envolto em tanta tristeza, este livro é, no final, um ato de plenitude e clarividência - uma ode à vida, à beleza, aos pequenos átomos quotidianos que constroem a nossa história e que a tornam preciosa porque a felicidade não se busca, ela simplesmente acontece. 

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Quero ler este livro

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Melodia Interrompida (1934), Boris Pasternak

Ficção - Novela

15.05.20 | L.F. Madeira

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Povest (título original em russo), publicado em 1934, viria depois a ser republicada em inglês em 1958 com o título Last Summer. Este pequeno livro, uma novela, conta-nos a história de Sérgio, o personagem principal que, no inverno de 1916 visita a sua irmã e, num momento de sonolência recorda o verão de 1914, altura em que era preceptor em Moscovo, o último momento de paz antes da Primeira Guerra Mundial. O enredo é uma sucessão de evocações, sonhos e memórias que vão da tristeza à melancolia sem nunca refletirem verdadeira alegria. 

Infelizmente, não posso dizer que tenha sido uma leitura enriquecedora ou interessante. Pensei que seria uma boa introdução à escrita de Pasternak, mas não foi. Inicialmente até julguei que por ser uma edição de bolso, não seria a obra completa, depois percebi que era e comecei a achar que o mal estava na tradução. Sinceramente, não sei. A verdade é que tive de pesquisar sobre o livro para o perceber, porque da leitura só encontro uma amálgama de episódios desconexos e descontextualizados. 

Foi depois de ler opiniões em inglês que comecei a entender a história que não vislumbrei no decurso da leitura. Pergunto-me se não arriscarei um dia destes regressar a esta obra, mas na sua edição em inglês (ou então tentar a tradução da Europa-América), porque todas as apreciações literárias são muito boas e não encontrei reflexo dessa beleza de escrita na minha experiência. 

Tenho imensa vontade de ler Doutor Jivago do mesmo autor e, não obstante a frustração desta leitura, assim farei brevemente, não estivéssemos nós a falar de um autor laureado com o Nobel da Literatura e cujas obras estiveram proibidas na  antiga URSS até 1987. 

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Quero ler este livro

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Deus Ajude a Criança (2015), Toni Morrison

Ficção - Romance

13.05.20 | L.F. Madeira

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Dizem que Toni Morrison se deve ler na edição original em inglês, na medida em que o seu estilo de narrativa poética e a riqueza da sua escrita é dificilmente alcançável por intermédio de uma tradução. Talvez. Publicado originalmente em 2015, Deus Ajude a Criança foi o último romance escrito pela laureada Toni Morrison, primeira mulher negra a receber o Nobel da Literatura em 1993.

Neste livro conhecemos personagens cuja existência brotou de episódios, mais ou menos contínuos, de profunda violência. A violência praticada contra crianças é o tema desta obra, violência física, psicológica, sexual, demonstrando de que forma a brutalidade se pode tornar no quotidiano de uma criança e de como o terror molda - reverte e inverte - a personalidade da criança que depois se torna adulta.  

Quando iniciei a minha leitura, tinha outra expectativa, talvez devido à sinopse do livro, esperava algo mais  pungente. Gostei do livro, mas achei-o incompleto. A estrutura da narrativa prende o leitor, sem dúvida. Contudo, fica a sensação de com mais umas cem páginas, este romance estaria pleno e as lacunas no enredo inexistentes. São descritas cenas e episódios de profunda  violência, mas a consequência que estes têm na vida dos personagens, fica um pouco aquém. Aborda-se o racismo, a violência sexual, o silenciamento de crimes, porém, tudo parece ser tratado pela superfície, de forma inconsequente. Quero ler Beloved da mesma autora, temo que Deus Ajude a Criança não seja a melhor amostra do seu trabalho. 

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Quero ler o livro

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Húmus (1917), Raul Brandão

Ficção - Clássicos

11.05.20 | L.F. Madeira

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Publicado em 1917, Húmus demoraria ainda largas dezenas de anos a ser incluído na estante das grandes obras nacionais. Herberto Hélder foi talvez o escritor que mais divulgou a obra de Raul Brandão e a fez chegar ao seu legítimo lugar como um dos maiores clássicos da Literatura Portuguesa. 

Atordoada. Angustiada. Fascinada. Sensação semelhante, só depois de uma Metamorfose de Kafka, umas Ondas de Woolf ou um Ivan Ilitch de Tolstoi. Húmus deixa-nos trôpegos, como se uma mão invisível alcançasse o âmago da existência - aquela pedra filosofal que nos anima o espírito - e nos sacudisse brutalmente. Sinto-me despojada.

Não é uma leitura ligeira, embora não tenha uma dimensão assustadora, o seu conteúdo é monumental e um absoluto apelo à introspeção e silêncio.  A escrita é pungente e contemplativa, ainda que nem sempre lhe tenha compreendido o sentido, a forma como Brandão disseca a natureza humana é abissal. 

Húmus não conta uma história, não acompanha personagens, interpela o leitor numa espécie de diário mas sem estrutura narrativa, pelo menos a que estejamos acostumados. Em Húmus questiona-se a vida, a morte e o transcendente. É um livro eminentemente filosófico e existencialista, sim. A sua leitura é complexa e difícil será dizer que se compreendeu todo o seu sentido. Contudo, em Húmus, Raul Brandão toca profundamente o medo, primário e primitivo do ser humano, e assalta o leitor de rompante colocando-o sós a sós com a [sua] alma

Mas que assombro!

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WOOLFPACK - Ler Virginia Woolf

Desafio de Leitura 2020-2023

08.05.20 | L.F. Madeira

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Conheci Virginia Woolf aos doze anos, depois de ver o filme As Horas. Mais tarde, aos dezassete, li o meu primeiro romance da escritora, As Ondas. Estes são os dois marcos da minha relação com Woolf. A determinado momento, mais do que a sua obra, era o fascínio pela sua vida que me alimentava a devoção. Woolf foi a minha grande companhia no primeiro ano de faculdade, juntamente com Doris Lessing. A admiração pela pessoa, o encanto pela sua escrita e a forma como me relacionava com os livros de Woolf, num desvelar da alma, criaram uma certa intimidade soliloquiar, um entendimento unilateral, uma afeição platónica. Não sabia então, mas desde os doze anos que estou em formação para ser uma woolfiniana inveterada. 

Ao longo dos anos fui lendo os romances de Woolf, bem como os seus contos e ensaios. Nunca o fiz de forma regrada e metódica, fui uma leitora ao sabor do vento. Com este novo desafio quero amadurecer com Woolf, quero reler as obras que me iluminaram e deslumbraram há quase uma década, quero revisitá-las com um propósito, com um fio condutor. Quero reaprender e compreender Virginia Woolf tal e qual como ela me parece compreender nas suas páginas. 

Assim, ao longo de quatro anos, proponho-me ler toda a obra de Virginia Woolf por ordem cronológica de publicação, preferencialmente em inglês, a saber:

MAIO - JULHO | The Voyage Out (A Viagem) - Romance - 1915 (opinião)

JULHO - SETEMBRO | Night and Day (Noite e Dia) - Romance - 1919

SETEMBRO - NOVEMBRO | Monday or Tuesday - Contos - 1921

NOVEMBRO - JANEIRO | Jacob's Room (O Quarto de Jacob) - Romance - 1922

JANEIRO - MARÇO | The Common Reader (O Leitor Comum) - Ensaios - 1925

MARÇO - MAIO | Mrs. Dalloway - Romance - 1925 

MAIO - JULHO | To the Lighthouse (Rumo ao Farol) - Romance - 1927

JULHO - SETEMBRO | Orlando: A Biography (Orlando: Uma Biografia) - Romance - 1928 

SETEMBRO - NOVEMBRO | A Room of One's Own (Um Quarto Que Seja Seu) - Ensaios - 1929 

NOVEMBRO - JANEIRO | The Waves (As Ondas) - Romance - 1931 

JANEIRO - MARÇO | The London Scene - Ensaios - 1931

MARÇO - MAIO | The Common Reader Second Series - Ensaios - 1932

MAIO - JULHO | The Flush: A Biography (Flush: Uma Biografia) - Ficção - 1933

JULHO - SETEMBRO | The Years (Os Anos) - Romance -1937

SETEMBRO - NOVEMBRO | Three Guineas (Três Guinéus) - Ensaios - 1938

NOVEMBRO - JANEIRO | Between the Acts (Entre os Actos) - Romance -1941

JANEIRO - MARÇO | A Haunted House and Other Short Stories - Contos - 1944

MARÇO - MAIO | Moments of Being - Autobiografia - 1972

MAIO - JULHO | The Diary of Virginia Woolf - Diários - 1977

5 livros escritos por mulheres antes do séc. XVIII

#2 Baú dos Livros

04.05.20 | L.F. Madeira

O universo literário anterior ao século XVIII é, já de si, parco. Descartes, Racine, Voltaire, Shakespeare, More, Maquiavel, são nomes que nos assaltam a mente e aos quais é praticamente impossível escapar quando delineamos limites temporais desta ordem. É por isso que o mote - cinco livros escritos por mulheres antes do século XVIII - é tão tentador e desafia todas as probabilidades. 

Não facilitei a minha demanda. Quis escapar ao género lírico e epistolar, à poesia, às peças de teatro, aos textos divinos, clericais ou místicos. Esta premissa obrigou-me a excluir muitas mulheres, desde a Grécia Antiga, Idade Média e período Renascentista. A intenção foi, tanto quanto possível, focar-me no género narrativo e de ficção. O resultado foi este e espero que da próxima vez que encaminharem as vossas leituras para obras anteriores ao ano 1700, possam incluir algum destes títulos. Eu certamente o  farei!

 

Heptameron (1558), Margarida de Navarra

Contos

Margarida de Navarra (1492-1549), também conhecida como Margarida de Angoulême, foi princesa de França e rainha de Navarra. Quer como escritora, quer como mecenas, ela foi uma figura marcante do Renascimento francês e considerada a "Primeira Mulher Moderna".

Marguerite escreveu muitos poemas e peças de teatro. A sua obra mais notável é L'Heptameron, uma coleção clássica de 72 contos inspirada no Decameron de Giovanni Boccaccio, publicada postumamente em 1558. O seu título, que encontra raiz no grego, significa sete dias, sendo o Heptameron uma coletânea de contos divididos em dias. A ideia inicial de Margarida de Navarra era de que a sua coletânea cobrisse dez dias, tal como Decameron, perfazendo um total de cem contos, mas por força da sua morte, ela concluiu apenas até à segunda história do oitavo dia. Muitas das histórias tratam de amor, luxúria, infidelidade e outros assuntos românticos e sexuais. Com afinco, ainda se consegue encontrar esta obra traduzida para português em alfarrabistas. 

Comprar na Bertrand (edição em inglês)

Ebook gratuito em inglês (Project Gutenberg)

 

The Worth of Women (1600), Moderata Fonte

Contos - Diálogos - Feminismo

Moderata Fonte, pseudónimo de Modesta di Pozzo di Forzi, também conhecida como Modesto Pozzo (1555-1592) foi uma escritora e poeta veneziana. Embora pouco conhecida pelas críticas modernas antes de 1980, agora é reconhecida como uma das escritoras italianas mais acessíveis e atraentes do século XVI. 

Moderata Fonte é mais conhecida pela sua obra Il Merito delle donne (The Worth/Merits of Women - O Valor/Mérito das Mulheres) publicado postumamente em 1600, no qual critica o tratamento das mulheres pelos homens, enquanto celebra as virtudes e a inteligência das mulheres e argumenta que as mulheres são superiores aos homens, embora não chegue a apelar à igualdade sexual. Moderata foi uma autora pioneira e moderna, que influenciou o pensamento moderno e a compreensão do feminismo no contexto histórico. Não encontrei indícios de que esta obra tenha alguma vez sido traduzida para língua portuguesa. 

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Versão digital gratuita em italiano (Liber Liber)

 

The Blazing World (1666), Margaret Cavendish 

Ficção científica - Utopia/Distopia

Margaret Lucas Cavendish (1623-1673) foi uma poeta, filósofa, escritora de romances em prosa, ensaísta e dramaturga que publicou com o seu próprio nome numa altura em que a maioria das mulheres publicava anonimamente. A sua escrita abordou vários tópicos, incluindo género, poder, método científico e filosofia.

Famosa pelo seu romance utópico, The Blazing World, pioneiro no universo literário como um dos primeiros exemplos de ficção científica. The Blazing World é uma representação fantasiosa de um reino utópico noutro mundo que pode ser alcançado através do Pólo Norte. A personagem principal, uma jovem mulher, é sequestrada por um comerciante e levada para o mar. Por causa de uma forte tempestade,  o barco é forçado a navegar em direção ao Pólo Norte e no decurso dessa travessia, todos os homens morrem, sobrevivendo apenas a heroína que é levada para uma nova dimensão, um outro mundo do qual se tornará Imperadora. Também neste caso não logrei alcançar indícios da existência de tradução para língua portuguesa. 

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Ebook gratuito em inglês (Project Gutenberg)

 

A Princesa de Clèves (1678), Madame de La Fayette

Ficção histórica - Romance - Clássicos

Madame de La Fayette (1634 - 1693) foi uma escritora francesa, autora de La Princesse de Clèves, o primeiro romance histórico francês e um dos primeiros romances da literatura. Publicado anonimamente, A Princesa de Clèves é considerado precursor do romance de análise psicológica, tendo sido um verdadeiro marco na história da literatura e da ficção narrativa ao criar um enredo realista, linguagem introspetiva que explora os pensamentos interiores e emoções dos personagens, bem como a criação de vários níveis de enredo referentes à vida dos diferentes personagens, além dos protagonistas. 

A ação do romance decorre entre outubro de 1558 e novembro de 1559, principalmente na corte real de Henrique II de França. O romance recria essa época com uma precisão notável. Quase todos os personagens - à exceção da heroína - são figuras históricas. Eventos e intrigas desenrolam-se com grande fidelidade, semelhante àquela que encontramos em registos documentais. Este romance foi um enorme sucesso aquando da sua publicação, e os leitores fora de Paris tiveram de esperar meses para receber cópias.

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Oroonoko (1688), Aphra Behn

Ficção - Novela - Clássicos

Aphra Behn (1640-1689) foi uma poetisa, dramaturga e autora de ficção inglesa. Foi uma das primeiras mulheres inglesas a fazer da escrita forma de vida. Detentora de uma biografia turbulenta e, para alguns, escandalosa, foi espiã do rei inglês na Antuérpia, esteve cativa numa prisão civil, teve alguns problemas com a lei por causa dos seus escritos. A versatilidade de Behn era imensa; ela escreveu várias obras populares de ficção e adaptou obras de dramaturgos mais antigos. Ela também escreveu poesia e peças teatrais. O carisma de Behn rendeu-lhe um amplo círculo de amigos, mas a sua relativa liberdade como escritora profissional, bem como os temas das suas obras, sobretudo sobre sexualidade, fizeram dela objeto de algum (significativo) escândalo.

Oroonoko é uma novela que conta a história do herói homónimo, um príncipe africano de Coramantien que é levado à escravidão e vendido a colonos britânicos no Suriname, onde conhece o narrador. O texto de Behn é um relato, na primeira pessoa, da vida, amor, rebelião e morte do protagonista. 

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Outras sugestões que acabei por não colocar no top cinco, deixo aqui menção a título de curiosidade: How to Be a Medieval Woman de Margery Kempe, The Dialogue on Adam and Eve de Isotta Nogarola e The Book of the City of the Ladies de Christine de Pizan. 

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5 Livros sobre universos matriarcais

#1 Baú dos Livros

02.05.20 | L.F. Madeira

Estreio a rubrica "Baú dos Livros" com cinco sugestões de livros sobre universos matriarcais nos quais são as mulheres que "governam". A ideia adviu de uma conversa sobre o livro O Poder de Naomi Alderman que li recentemente e que considerei bastante  original. A minha interlocutora apresentou-me um rol de livros com o mesmo mote, mas quase todos sobre universos distópicos e com forte componente de ficção científica - que não é examente o meu género literário de eleição. Ainda assim, logrei selecionar esta breve lista com estilos diversos, mas estórias que partilham universos de base matriarcal e que, utópicos ou distópicos, criam na leitora e leitor reflexões interessantes. 

 

Terra Delas (1915), Charlotte Perkins Gilman

Ficção científica - Utopia/Distopia - Clássico feminista

Opinião da Queirosiana

No início do século XX, três jovens amigos partem para uma expedição a terras longínquas - e acabam por ir parar à Terra Delas, um país extraordinariamente evoluído e civilizado, exclusivamente povoado por mulheres. Um dos três amigos é um ricaço sedutor e fanfarrão; o segundo é um médico sem vocação, alma romântica e cavalheiresca; o terceiro é sociólogo — e é esse o narrador desta história, o que a torna imediatamente hilariante: este sofisticado mundo feminino é-nos apresentado através do espanto absoluto de três representantes do mundo masculino, que vêem ir por água abaixo todas as ideias feitas que têm sobre o que são as mulheres e de que são capazes.

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A Fenda (2007), Doris Lessing  

Ficção - Fantasia

Opinião da Queirosiana

Imagine uma comunidade pré-histórica exclusivamente constituída por mulheres, que não conhecem homens nem deles têm necessidade, e que funciona de forma quase idílica. Imagine agora tudo o que poderá implicar para esta tribo o nascimento de uma criatura estranha: um bebé do sexo masculino. Esta é a premissa de que Doris Lessing parte para reflectir sobre um dos temas que mais a inspiraram ao longo da sua carreira: as relações entre ambos os sexos e como afectam toda a nossa vida. Com este livro, porém, Doris Lessing vai ainda mais longe, ao fazer também um retrato de uma beleza desconcertante da natureza simultaneamente transitória e imutável dos seres humanos, com os sentimentos de ambição, vulnerabilidade e incompletude que a caracterizam.

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O Poder (2016), Naomi Alderman

Ficção científica - Utopia/Distopia

Opinião da Queirosiana

Quando as raparigas ganham o poder de causar sofrimento e morte, quais serão as consequências?
E se, um dia, as raparigas ganhassem subitamente o estranho poder de infligir dor excruciante e morte? De magoar, torturar e matar? Quando o mundo se depara com esse estranho fenómeno, a sociedade tal como a conhecemos desmorona e os papéis são invertidos. Ser mulher torna-se sinónimo de poder e força, ao passo que os homens passam a ter medo de andar na rua, sozinhos à noite.

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The Book of the City of Ladies (1405), Christine de Pizan

Não ficção - História - Clássicos

Opinião da Bárbara

Em diálogos com três damas celestes, Razão, Retidão e Justiça, Christine de Pizan (1365-ca. 1429) constrói uma cidade alegórica fortificada para mulheres, usando exemplos das importantes contribuições que as mulheres deram à civilização ocidental (guerreiras, inventoras, eruditas, profetisas, artistas e santas) e argumentos que provam os seus direitos intelectuais e de igualdade moral para com os homens. A espirituosa defesa de Christine de Pizan do seu sexo foi única pelo seu confronto direto com a misoginia da sua época e oferece uma visão reveladora da posição das mulheres na cultura medieval. 

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Woman on the Edge of Time (1976), Marge Piercy

Ficção científica - Utopia/Distopia - Clássico feminista

Connie Ramos é uma americana de ascendência mexicana que vive em Nova York. Uma mulher que já foi ambiciosa e orgulhosa, ela perdeu o seu filho, o seu marido, a sua dignidade - e agora querem tirar-lhe a sua sanidade. Depois de ser injustamente ecaminhada para uma instituição de saúde mental, Connie é contactada por um enviado do ano de 2137, que lhe mostra um futuro utópico de igualdade sexual e racial e harmonia ambiental. 

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