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Queirosiana

Blogue sobre livros, leituras, escritores e opiniões

5 Livros de não-ficção das áreas da filosofia e política escritos por mulheres

#5 Baú dos Livros

25.08.20 | L.F. Madeira

O espaço público nas sociedade ocidentais é hoje aberto às mulheres como nunca antes na História. Há ainda dimensões de desigualdades que importa e urge combater, mas não é esse o tema aqui. Hoje quero apresentar cinco mulheres que, em momentos históricos diferentes, mais ou menos adversos para as mulheres no espaço académico ou político, se distinguiram dos seus pares debruçando-se sobre matérias filosóficas, sociais, económicas e políticas, tornando-se num marco na História da Humanidade.
 
As minhas cinco sugestões de obras de não ficção escritas por mullheres no século XX são resultado de um exercício pessoal, reflexo da minha curiosidade, dos meus interesses e afinidades políticas e ideológicas. Procurei igualmente propor títulos que não tivessem ligação imediata ao feminismo pois, para o efeito, irei criar um Baú dos Livros específico. 
 
Embora existam edições antigas traduzidas para português para quase todas as obras indicadas, encontramos poucas (ou nenhumas) edições recentes no mercado. Havendo pouca sorte nos alfarrabistas o recurso será, no meu caso, a leitura em inglês. 
 
 
A Condição Humana (1958), Hannah Arendt 
Não-Ficção - Política - História
 
A Condição Humana, livro central do pensamento de Hannah Arendt (1906-1975), afirma-se, nos primeiros capítulos, como uma crítica da modernidade, a partir da reflexão sobre ‘o que andamos a fazer’, e da discussão sistemática ‘do labor, do trabalho e da acção’, actividades que constituem traços essenciais da perenidade da condição humana. Arendt aponta para a recuperação de um mundo comum, a ágora, como espaço público do debate e do confronto entre iguais, pela reabilitação da política, a única resistência possível contra a alienação do mundo moderno, e, por inerência, do discurso, ‘pois é o discurso que faz do homem um ser político’.
 
Por uma Moral da Ambiguidade (1947), Simone de Beauvoir 
Não-Ficção - Filosofia 
 
Simone de Beauvoir (1908-1986), romancista, dramaturga e filósofa, foi a escritora mais ilustre da França moderna. Uma das principais expoentes do existencialismo francês. Em The Ethics of Ambiguity, Beauvoir penetra imediatamente nos problemas éticos centrais da condição da pessoa moderna: o que fará e como fará para construir valores, em face dessa consciência do absurdo da sua existência? Beauvoir obriga o leitor a enfrentar o absurdo da condição humana e, ao fazê-lo, passa a desenvolver uma dialética da ambiguidade que lhe permitirá não dominar o caos, mas criar com ele. 
 
A Origem do Capitalismo (1999), Ellen Meiksins Wood 
Não-Ficção - História - Economia
 
Neste livro original e provocativo, Ellen Meiksins Wood (1942-2016) lembra-nos que o capitalismo não é uma consequência natural e inevitável da natureza humana, nem é simplesmente uma extensão de práticas antigas de comércio. Em vez disso, é um produto tardio e localizado de condições históricas muito específicas, que exigiram grandes transformações nas relações sociais e na interação humana com a natureza. A autora discorre sobre imperialismo, história anti-eurocêntrica, capitalismo e o estado-nação e as diferenças entre capitalismo e comércio não capitalista. Traça ainda ligações entre a origem do capitalismo e as condições contemporâneas, como a globalização, a degradação ecológica e a atual crise agrícola. 
 
The Virtue of Selfishness (1964), Ayn Rand 
Não-Ficção - Filosofia
 
Ayn Rand (1905-1982) expõe nesta obra os princípios morais do Objetivismo, a filosofia que considera a vida humana - a vida própria de um ser racional - como o padrão de valores morais e considera o altruísmo como incompatível com a natureza do homem, com os requisitos criativos da sua sobrevivência, e com uma sociedade livre.
 
A Acumulação do Capital (1913), Rosa Luxemburg 
Não-Ficção - Economia
 
Rosa Luxemburgo (1871-1919) foi uma socialista revolucionária que lutou e morreu pelos seus ideais. Em janeiro de 1919, depois de ser presa por envolvimento numa revolta de trabalhadores em Berlim, foi brutalmente assassinada por um grupo de soldados de direita. O seu corpo foi recuperado num canal dias depois. Seis anos antes, ela tinha publicado o que foi, sem dúvida, a sua obra mais conhecida, The Accumulation of Capital - um livro que continua a ser uma das obras-primas da literatura socialista. Tomando Marx como ponto de partida, Luxemburg oferece uma explicação independente e de crítica feroz sobre as consequências económicas e políticas do capitalismo no contexto dos tempos turbulentos em que viveu, reinterpretando eventos nos Estados Unidos, Europa, China, Rússia e Império Britânico. Muitos hoje acreditam que não há alternativa ao capitalismo global. Este livro é uma declaração oportuna e vigorosa de uma visão oposta.
 

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