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Queirosiana

Blogue sobre livros, leituras, escritores e opiniões

A Utopia (1516), Thomas More

Ficção - Filosofia - Utopia/Distopia - Clássicos

07.09.20 | L.F. Madeira

A-Utopia.jpg

Um clássico dos antigos que estava na estante desde 2016. Thomas More tem sido companheiro nos livros de História e de Direito quer pela sua qualidade de estadista, filósofo e humanista do Renascimento; mas também por ser o criador de uma das palavras mais belas, "utopia".

A palavra utopia (ou-topos), construída a partir de outra muito semelhante do Grego (eu-topos = bom lugar), significa, numa tradução literal, "não lugar". A ideia era fazer aqui um jogo de palavras na medida em que esta ilha da Utopia criada por More seria um lugar inexistente. No entanto, quis a providência que a palavra utopia fosse além do intento do seu criador e passasse a significar algo ideal, algo perfeito ou idílico. Utopia, fortemente influenciada pel' A República de Platão, foi ela própria a precursora de um novo género literário de ficção utópica ou distópica. 

Utopia, uma ilha em lugar desconhecido, surge pelo contador Rafael Hitlodeu - nascido no Reino de Portugal e que viveu na Utopia cinco anos - como uma sociedade perfeitamente ordenada assente em princípios de justiça, equidade e razoabilidade.

Ante a sociedade da época de sistema feudal calculo que esta tenha sido uma obra, diria, revolucionária. Desde logo,  no que concerne à organização societal da ilha da Utopia: o facto de todos trabalharem apenas 6 horas por dia, não existirem advogados (porque as leis eram diminutas e as existentes, escritas de forma a serem facilmente interpretadas por todos), existir algo muito semelhante à morte assistida, a educação ser acessível a mulheres e homens, a propriedade ser essencialmente comum e não existir dinheiro.

Claro, à luz os olhos de hoje a ilha da Utopia estava longe de ser utópica para todos os Utopianos, desde logo por assumir premissas de desigualdade entre mulheres e homens e parte da organização social estar assente em trabalho escravo. Fora isso, o forte apelo à disciplina e à ordem com limitações de liberdades quase totalitaristas, como a indicação dos cidadãos para determinadas profissões ou a uniformização do vestuário, denotam também pouco apreço pela liberdade individual. 

Um pequeno livro que se lê bastante bem e que vale a pena conhecer. 

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