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Queirosiana

Blogue sobre livros, leituras, escritores e opiniões

Chamavam-lhe Grace, Margaret Atwood

08.08.19

Um romance primoroso. Segue um estilo de escrita arrebatador e vibrante sem nunca nos enfastiar. Publicado originalmente em 1996, Alias Grace (no seu título original), transporta o leitor para o Canadá do séc. XIX, baseando o seu enredo em factos reais. 

Em 1843, a verdadeira Grace Marks e o verdadeiro James McDermott eram condenados à morte pelo assassinato de Thomas Kinnear e da sua governanta Nancy Montgomery. McDermott acabou condenado a morte por enforcamento e Grace, condenada a prisão perpétua, pois conseguiu ver a sua pena atenuada.

Este é o ponto de partida do romance de Atwood. A partir daqui, a autora constrói uma empolgante história, através dos encontros entre Grace Marks e Simon Jordan, um médico psiquiatra contratado para conduzir uma investigação científica que possa vir a sustentar mais uma petição para libertar Grace e Marks. 

Em cada consulta vamos sabendo mais um pouco sobre a história de Grace Marks, contada por ela própria e desvelada aos poucos, qual Xerazade. Desde a sua vinda da Irlanda para o Canadá, uma viagem cuja descrição me fez recordar os barcos negreiros do livro de História; depois o seu establecimento no Canadá, já órfã de mãe; o seu primeiro trabalho como criada e os que se seguiram; a amizade com Mary Whitney; os bizarros acontecimentos em torno da morte de Mary; a sua mudança para a casa de Mr Kinnear e as relações aí travadas; as suas tarefas do quotidiano como criada; o seu dia-a-dia na prisão; e finalmente a descrição do fatal dia que mudaria a sua vida para sempre.

Ao longo destas consultas, Jordan vai criando uma espécie de admiração pela paciente e a razão e a emoção vão-se confundindo pelo caminho. O próprio leitor não consegue deslindar a culpa ou inocência desta bela mulher. Não obtendo os resultados esperados, Jordan acaba por ceder a que Grace seja sujeita a uma sessão de hipnotismo que rapidamente se transforma numa espécie de séance  espírita. 

Neste romance, encontramos elementos que nos cativam e prendem a todo o enredo, a crueza da descrição da realidade da vida de Grace, o crime, o sobrenatural e a dúvida. 

Quando virem este livro na livraria, não hesitem emtrazê-lo convosco!

De notar que a adaptação desta obra para televisão pela Netflix está, igualmente, soberba. bertrand.jpg

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