Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Queirosiana

Blogue sobre livros, leituras, escritores e opiniões

Crime e Castigo, Fiódor Dostoiévski

26.09.11

Publicado em 1866, Crime e Castigo explora a ideia da salvação pelo sofrimento, bem como do existencialismo. Dostoiévski ocupa com Tolstoi o lugar de melhor escritor russo de todos os tempos. 

Fui levada a ler este livro depois de assistir à minha primeira aula de Direito Penal. O Professor mencionou nessa aula uma série de livros que estavam indirectamente relacionados com a matéria, e de todos os que mencionou, apenas me faltava este. Foi este o mote.

Surpreendi-me logo quando iniciei a leitura, num dos primeiros capítulos fiquei horrorizada a propósito de uma cena onde aparecia uma mula morta a sangue frio. Acho que nunca mais me esqueço desta cena.

A história passa-se na Rússia, num período de extrema miséria onde uma casa servia para várias famílias, cada uma alugava uma divisão onde vivia. Raskolnikov é a personagem principal, um jovem ex-estudante de Direito que deixa de ter dinheiro para pagar a Universidade e abandona os estudos, abandonando praticamente o mundo, vivendo fechado no seu cubículo onde engendra mentalmente um crime hediondo. Leva-o avante contra as suas próprias expectativas.

O curioso e interessante desta história é a forma como o escritor explora a criação do crime, a execução do crime e o pós-crime, num caminho para a expiação.

Raskolnikov é-nos apresentado como alguém antipático, reservado, lunático consciente; mas ao mesmo tempo, surgem-nos cenas onde o mesmo Raskolnikov é capaz de ajudar o outro sem esperar nada em troca, é capaz de se horrorizar com comportamentos e atitudes de outros menos próprios contra pessoas indefesas, aliás, é capaz de as defender e proteger. E este é o mesmo Raskolnikov que comete um crime por uma razão mesquinha, quase sem valor.

A exploração do drama psicológico em que caí Raskolnikov depois de cometer o crime é quase brutal. Em momento algum julguei precipitadamente Raskolnikov, em momento algum senti necessidade de lhe apontar o dedo, porque de certa forma entramos no seu consciente e subconsciente e vamos acompanhando as suas justificações, muitas delas incoerentes. Ele comete um crime, é certo, mas não é repulsa aquilo que se sente por aquela personagem, mais uma vontade imensa de que ele se arrependa. Mas também me apercebi que era escusado tentar perceber o porquê de tal crime.

A história encaminha-se numa direcção em que achamos que Raskolnikov ficará impune, não deixa de ser interessante o impacto que teve em mim o último capítulo. 

Este é um essencial da literatura universal, se não está nas vossas listas, apontem-no.

bertrand.jpg