urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:queirosiana Queirosiana Blogue sobre livros, leituras, escritores e opiniões LiveJournal / SAPO Blogs L.F. Madeira 2019-10-03T20:14:12Z urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:queirosiana:125101 2019-10-03T19:37:00 50 antes dos 40 2019-10-03T20:14:12Z 2019-10-03T20:14:12Z <p class="sapomedia images"><img style="width: 715px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="50A40.jpg" src="https://c9.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B9617b8b2/21572629_wPJqE.jpeg" alt="50A40.jpg" width="960" height="409" /></p> <p class="sapomedia images" style="text-align: justify;">Um desafio auto-proposto! 50 títulos antes dos 40 anos, uma meta atingível, ou assim veremos. Depois de ler muitas listas sobre<em> os melhores livros de sempre</em>, ou <em>os livros de tem de ler antes de morrer</em> (nada mais dramático!), logrei alcançar estes 50 títulos que, inexoravelmente, são também um reflexo de escolhas pessoais. A ordem é cronológica, por data de publicação, mas a leitura far-se-á aleatoriamente. </p> <p> </p> <ol> <li><span style="text-decoration: line-through;">O Parque de Mansfield, Jane Austen (1814)*</span></li> <li><span style="text-decoration: line-through;">Contos de Natal, Charles Dickens (1843)*</span></li> <li><span style="text-decoration: line-through;">O Monte dos Vendavais, Emily Bronte (1847)*</span></li> <li>A Cabana do Pai Tomás, Harriet Beecher Stowe (1852)</li> <li>Vilette, Charlotte Bronte (1853)</li> <li><span style="text-decoration: line-through;">Madame Bovary, Gustave Flaubert (1857)*</span></li> <li>O Moinho à Beira Rio, George Eliot (1860)</li> <li>Lady Macbeth do Distrito de Mtsensk, Nikolai Leskov (1865)</li> <li>Guerra e Paz, Leo Tolstoi (1869)</li> <li>Os Irmãos Karamazov, Fiódor Dostoievski (1880)</li> <li><span style="text-decoration: line-through;">O Retrato de Dorian Gray, Oscar Wilde (1890)*</span></li> <li>Um Quarto com Vista, E. M. Forster (1908)</li> <li>Em Busca do Tempo Perdido, Marcel Proust (1913)</li> <li><span style="text-decoration: line-through;">A Metamorfose, Franz Kafka (1915)*</span></li> <li>Herland, Charlotte Perkins Gilman (1915)</li> <li>Servidão Humana, W. Somerset Maugham (1915)</li> <li>A Idade da Inocência, Edith Wharton (1920)</li> <li>Ulisses, James Joyce (1922)</li> <li>A Montanha Mágica, Thomas Mann (1924)</li> <li><span style="text-decoration: line-through;">O Grande Gatsby, F. Scott Fitzgerald (1925)*</span></li> <li>O Lobo das Estepes, Hermann Hesse (1927)</li> <li>O Amante de Lady Chatterley, D.H. Lawrence (1928)</li> <li>O Som e a Fúria, William Faulkner (1929)</li> <li>Os Indiferentes, Alberto Moravia (1929)</li> <li><span style="text-decoration: line-through;">As Ondas, Virginia Woolf (1931)*</span></li> <li>Admirável Mundo Novo, Aldous Huxley (1932)</li> <li>Trópico de Câncer, Henry Miller (1934)</li> <li>Um Crime no Expresso do Oriente, Agatha Christie (1934)</li> <li>A Náusea, Jean-Paul Sartre (1938)</li> <li>Por Quem os Sinos Dobram, Ernest Hemingway (1940)</li> <li><span style="text-decoration: line-through;">O Estrangeiro, Albert Camus (1942)*</span></li> <li>O Sangue dos Outros, Simone de Beauvoir (1945)</li> <li>A Espuma dos Dias, Boris Vian (1947)</li> <li>Mundo Fechado, Agustina Bessa-Luís (1948)</li> <li><span style="text-decoration: line-through;">1984, George Orwell (1949)*</span></li> <li>Memórias de Adriano, Marguerite Yourcenar (1951)</li> <li>Lolita, Vladimir Nabokov (1955)</li> <li>O Doutor Jivago, Boris Pasternak (1957)</li> <li>Pela Estrada Fora, Jack Kerouac (1957)</li> <li>Gabriela Cravo e Canela, Jorge Amado (1958)</li> <li>Mataram a Cotovia, Harper Lee (1960)</li> <li>Cem Anos de Solidão, Gabriel García Márquez (1967)</li> <li>As Cidades Invisíveis, Italo Calvino (1972)</li> <li>O Nome da Rosa, <span class="texto2Cinza">Umberto Eco (1980)</span></li> <li><span style="font-size: 14pt;">A Casa dos Espíritos, Isabel Allende (1982)</span></li> <li><span style="text-decoration: line-through;">A Insustentável Leveza do Ser, Milan Kundera (1984)*</span></li> <li>Olhos Azuis, Cabelo Preto, Marguerite Duras (1986)</li> <li>A Jangada de Pedra, José Saramago (1986)</li> <li>As Horas, Michael Cunningham (1998)</li> <li>A Amiga Genial, Elena Ferrante (2011)</li> </ol> <p><span style="font-size: 8pt;">*Já lidos</span></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:queirosiana:124799 2019-10-01T19:20:00 Clássicos da Mitologia Recontados 2019-10-01T18:24:21Z 2019-10-01T18:24:21Z <p class="sapomedia images"><img style="width: 687px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="na_5b864d7018c7b.jpg" src="https://c10.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B60171cf9/21569504_Fr4YO.jpeg" alt="na_5b864d7018c7b.jpg" width="960" height="365" /></p> <p style="text-align: justify;">Para os amantes da mitologia grega e romana, como eu, decidi elaborar uma lista de 25 títulos que, baseados em mitos, recontaram novas versões da história, sendo que na maioria, optaram por recriar o mito de uma perspetiva feminista, ou pelo menos, dando preponderância às personagens e figuras femininas. A lista segue uma ordem cronológica e apenas coloca títulos em português quando exista edição traduzida. </p> <p style="text-align: justify;">Mas esta lista só faz sentido se tivermos por premissa três épicos da mitologia clássica: <em>A Ilíada</em> e <em>A Odisseia</em> de Homero e <em>A Eneida</em> de Virgílio. </p> <p> </p> <ol> <li><em>Till We Have Faces, </em>C.S. Lewis (1959)</li> <li><em>The Laugh of the Medusa, </em>Hélène Cixous (1973)</li> <li><em>When God Was a Woman</em>, Merlin Stone (1976)</li> <li><em>The Autobiography of Cassandra, Princess and Prophetess of Troy,</em> Ursule Molinaro (1979)</li> <li><em>Cassandra: A Novel and Four Essays </em>(Trd. Cassandra, edições Cotovia), Christa Wolf (1983)</li> <li><em>The Story of Sapho, </em>Madeleine de Scudéry (2001)</li> <li><em>Antigone's Claim: Kinship Between Life and Death</em>, Judith Butler (2002)</li> <li><em>The Penelopiad</em> (Trd. A Odisseia de Penélope, edições Elsinore)<em>, </em>Margaret Atwood (2005)</li> <li><em>The Memoirs of Helen of Troy</em>, Amanda Elyot (2005)</li> <li><em>Girl Meets Boy </em>(Trd. Rapariga Encontra Rapaz, edições Elsinore), Ali Smith (2007)</li> <li><em>Lavinia</em> (Trd. Lavínia, edições Editorial Presença), Ursula K. Le Guin (2008)</li> <li><em>Flow Down Like Silver: Hypatia of Alexandria</em>, Ki Longfellow (2009)</li> <li><em>Selene of Alexandria</em>, Faith L. Justice (2009)</li> <li><em>Alcestis</em>, Katharine Beutner (2010)</li> <li><em>The Song of Aquilles</em> (Trd. O Canto de Aquiles, edições Bertrand Editora), Madeline Miller (2011)</li> <li><em>xo Orpheus: Fifty New Myths</em>, Kate Bernheimer (editor) (2013)</li> <li><em>Here, The World Entire</em>, Anwen Hayward (2016)</li> <li><em>Ithaca: A Novel of Homer's Odissey</em>, Patrick Dillon (2016)</li> <li><em>Golden Apple Trilogy (For the Most Beautiful, For the Winner, For the Immortal)</em>, Emily Hauser (2016-2018)</li> <li><em>The Children of Jocasta</em>, Natalie Haynes (2017)</li> <li><em>House of Names</em>, Colm Tóibín (2017)</li> <li><span style="text-decoration: line-through;"><em>Circe</em>, Madeline Miller (2018)*</span></li> <li><em>The Silence of the Girls</em>, Pat Baker (2018)</li> <li><em>Everything Under</em>, Daisy Johnson (2018)</li> <li><em>The Cassandra</em>, Sharma Shields (2019)</li> </ol> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 8pt;">*Já lidos</span></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:queirosiana:124228 2019-09-27T21:06:00 Circe, Madeline Miller 2019-09-27T20:22:36Z 2019-10-01T18:54:40Z <p class="sapomedia images"><img style="width: 469px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="91c0yRVm+0L.jpg" src="https://c7.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B7017ed48/21565394_WrUPl.jpeg" alt="91c0yRVm+0L.jpg" width="469" height="720" /></p> <p class="sapomedia images" style="text-align: justify;"><em>Circe</em>, publicado em 2018 tornou-se, em poucas semanas, num dos meus livros preferidos. </p> <p class="sapomedia images" style="text-align: justify;">Circe é conhecida de muitos como a deusa da magia, a bruxa ou feiticeira na mitologia grega, filha do deus do sol, Hélios, e da ninfa Perseis.  Personagem da epopeia de Homero, <em>Odisseia</em>, Circe surge-nos retratada como uma poderosa feiticeira capaz de transformar homens em porcos, sedutora, vingativa, possessiva, ciumenta. No Renascimento, Circe torna-se no arquétipo da mulher predatória, tornando-se um num misto de figura a quem se tem medo e desejo. </p> <p class="sapomedia images" style="text-align: justify;">Em <em>Circe</em>, Madeline Miller vem destruir todos estes pré-conceitos, contando-nos a história de uma mulher que se emancipou e libertou. Madeline Miller juntou todos as histórias clássicas em torno de Circe e criou algo novo, recontando a história de vida desta personagem, na primeira pessoa, de uma perspetiva feminista. </p> <p class="sapomedia images" style="text-align: justify;">Enquanto leitores somos convidados a acompanhar a vida da personagem principal, Circe, desde a sua juventude nos corredores do palácio do seu pai, o Titã Hélios, à sua transferência para a ilha de Aiaia, na condição de exilada (por ter desafiado os deuses com a sua magia), até à sua última e derradeira decisão, quando abandona a ilha que a aprisionou e libertou, em simultâneo. Nos <em>entretantos</em>, vamos conhecendo várias personagens que se cruzam na vida de Circe, o Minotauro, Dédalo, o monstro Scylla (criado pela própria Circe), Medéia, Odisseu, Hermes, Atenas, Telémaco, e tantos outros!</p> <p class="sapomedia images" style="text-align: justify;">Madeline Miller recria os próprios mitos dentro da mitologia, transformando todos estes episódios num ensinamento, lição e aprendizagem de Circe, que servirão para a sua libertação e emancipação. </p> <p class="sapomedia images" style="text-align: justify;">A "má reputação" de Circe dada pelas inúmeras histórias contadas ao longo de séculos é, nesta obra, reinventada. E no fundo, a essência da personagem Circe em <em>Circe</em>, é precisamente essa, a de uma mulher que se cria e inventa por si e em si. </p> <p class="sapomedia images" style="text-align: justify;">Com <em>Circe</em>, Madeline Miller cria um verdadeiro épico, à semelhança de Odisseia - mas aqui o foco é a personagem feminina, livre das narrativas masculinas e enredos mitológicos que a transformaram numa bruxa odiada pelos homens - aqui conta-se a sua história, o seu percurso de divindade à mortalidade e a sua luta num mundo de homens onde, ser mulher e deter poder é uma gritante ameaça. </p> <div>"<em>Circe</em> de Madeline Miller é uma carta de amor para a primeira bruxa da literatura". </div> <div> </div> <p class="sapomedia images" style="text-align: justify;"><a href="https://www.bertrand.pt/livro/circe-madeline-miller/22384637?a_aid=5d63ed0787e7c" target="_blank" rel="noopener"><img style="width: 260px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="bertrand.jpg" src="https://c5.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Pab18f67c/21543634_NWJNF.jpeg" alt="bertrand.jpg" width="260" height="145" /></a></p> <p> </p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:queirosiana:123762 2019-09-25T18:17:00 Clássicos da Literatura Portuguesa - uma lista pessoal 2019-09-22T17:35:12Z 2019-09-30T15:36:04Z <p class="sapomedia images"><img style="width: 485px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="litpt.jpg" src="https://c5.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B60176f06/21563712_aBPyc.jpeg" alt="litpt.jpg" width="380" height="463" /></p> <p style="text-align: justify;">Aqui me confesso, na esperança de expiar as minhas faltas no que à literatura portuguesa diz respeito e que venho negligenciando desde há muito tempo. Assim, após alguma pesquisa, reuni uma lista de 30 obras clássicas da literatura portuguesa, à qual procurarei corresponder nos anos vindouros. Nem todos os títulos correspondem às obras mais famosas dos escritores, nalgum casos trata-se mais de uma escolha pessoal do que de outra coisa, tendo sempre optado por selecionar títulos ainda não lidos. Igualmente referir que não segue qualquer ordem, sendo uma lista puramente aleatória. </p> <p style="text-align: justify;"> </p> <ol> <li style="text-align: justify;"><em>Os Lusíadas de Luís Vaz de Camões Contados às Crianças e Lembrados ao Povo</em>, adaptação em prosa de João de Barros</li> <li style="text-align: justify;"><em>Livro do Desassossego</em>, Fernando Pessoa</li> <li style="text-align: justify;"><em>A Ilustre Casa de Ramires</em>, Eça de Queiroz</li> <li style="text-align: justify;"><em>Peregrinação</em>, Fernão Mendes Pinto</li> <li style="text-align: justify;"><em>O Ano da Morte de Ricardo Reis</em>, José Saramago</li> <li style="text-align: justify;"><em>Viagens na Minha Terra</em>, Almeida Garrett</li> <li style="text-align: justify;"><em>Mau Tempo no Canal</em>, Vitorino Nemésio</li> <li style="text-align: justify;"><em>A Casa Grande de Romarigães</em>, Aquilino Ribeiro</li> <li style="text-align: justify;"><em>O Labirinto da Saudade</em>, Eduardo Lourenço</li> <li style="text-align: justify;"><em>A Criação do Mundo</em>, Miguel Torga</li> <li style="text-align: justify;"><em>Aparição</em>, Vergílio Ferreira</li> <li style="text-align: justify;"><em>Os Passos em Volta</em>, Herberto Helder </li> <li style="text-align: justify;"><em>A Monja de Lisboa</em>, Agustina Bessa-Luís</li> <li style="text-align: justify;"><em>Contos e Diário</em>, Florbela Espanca</li> <li style="text-align: justify;"><em>Húmus</em>, Raul Brandão</li> <li style="text-align: justify;"><em>O Delfim</em>, José Cardoso Pires</li> <li style="text-align: justify;"><em>Sinais de Fogo</em>, Jorge de Sena</li> <li style="text-align: justify;"><em>A Bíblia da Humanidade</em>, Antero de Quental</li> <li style="text-align: justify;"><em>Histórias da Terra e do Mar</em>, Sophia de Mello Breyner</li> <li style="text-align: justify;"><em>Para Aquela que Está Sentada no Escuro à Minha Espera</em>, António Lobo Antunes</li> <li style="text-align: justify;"><em>Amor de Perdição</em>, Camilo Castelo Branco</li> <li style="text-align: justify;"><em>Manifesto Anti-Dantas e por extenso</em>, José de Almada Negreiros</li> <li style="text-align: justify;"><em>Adoecer</em>, Hélia Correia</li> <li style="text-align: justify;"><em>Eurico, o Presbítero</em>, Alexandre Herculano</li> <li style="text-align: justify;"><em>As Pupilas do Senhor Reitor</em>, Júlio Dinis</li> <li style="text-align: justify;"><em>A Confissão de Lúcio</em>, Mário de Sá-Carneiro</li> <li style="text-align: justify;"><em>Esteiros</em>, Soeiro Pereira Gomes</li> <li style="text-align: justify;"><em>Poesias Eróticas, Burlescas e Satíricas</em>, Bocage</li> <li style="text-align: justify;"><em>A Viagem à Roda da Parvónia</em>, Guerra Junqueiro</li> <li style="text-align: justify;"><em>Sob o Olhar de Medeia</em>, Fiama Hasse Pais Brandão</li> </ol> <p><span style="font-size: 8pt;">*Já lidos</span></p> <p> </p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:queirosiana:124129 2019-09-24T13:47:00 The Yellow Wallpaper, Charlotte Perkins Gilman 2019-09-24T13:19:21Z 2019-10-01T18:42:23Z <p class="sapomedia images"><img style="width: 456px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://img.bertrand.pt/images/the-yellow-wallpaper-charlotte-perkins-gilman/NDV8MTg2ODY0MDZ8MTQ0MDYxMzV8MTQ3MzgwNzYwMDAwMA==/502x" width="456" height="720" /></p> <p style="text-align: justify;">Trata-se apenas de uma <em>shortstory</em> publicada em 1892, mas dada a sua relevância nos estudos feministas, considerei importante fazer esta resenha, na medida em que, efetivamente, nas suas curtas páginas, esta história encerra em si profundas interpretações sobre a condição feminina nos finais do séc. XIX, ainda que revele laivos de sobrenatural. </p> <p style="text-align: justify;">Contado na primeira pessoa, por uma mulher cujo nome desconhecemos, esta <em>shortstory</em> é pioneira na literatura feminista norte-americana, ao debruçar-se sobre a questão da saúde mental e física da mulher. </p> <p style="text-align: justify;">Ao estilo de diário, esta personagem feminina vai revelando ao autor uma espécie de reclusão forçada pelo marido (que é médico), numa casa de campo afastada de tudo e de todos, por este considerar que ela se encontra num estado de depressão nervosa temporária ou histeria (diagnóstico muito comum dado às mulheres nesta época). Passando o tratamento por esta reclusão, por uma proibição de fazer o que quer que seja, sendo incentivada a alimentar-se bem e a descansar. O próprio ato de escrever está-lhe expressamente proibido, tanto que o faz às escondidas. </p> <p style="text-align: justify;">A <em>shortstory</em> trata de uma crítica expressa àquilo que Gilman experienciou na primeira pessoa, quando diagnosticada com a tal depressão nervosa temporária ou tendência histérica, as então chamadas "curas de repouso" ou "curas de sono" que exigiam o mínimo estímulo possível e uma quase passividade da paciente perante a vida. </p> <p style="text-align: justify;">Na <em>shortstory</em>, a escritora leva esta ausência de estimulação ao extremo, gerando quase uma psicose na personagem que, à falta de melhor, começa a tornar-se obcecada pelo padrão do papel de parede que parece "observá-la" ou ter gente (mulher ou mulheres) presas atrás dele. </p> <p style="text-align: justify;">A interpretação feminista desta <em>shortstory</em> é apresentada como uma crítica ao controlo masculino da profissão médica no séc. XIX que reduzia a mulher paciente a um estado de incapacidade de compreensão da sua condição e de limitação à esfera doméstica, bem como ao seu silenciamento.  Se tiverem oportunidade, espreitem este artigo de Martha J. Cutter "<a href="https://muse.jhu.edu/article/20281/summary" target="_blank" rel="noopener">The Writer as Doctor: New Models of Medical Discourses in Charlotte Perkins Gilman's Later Fiction</a>", que retrata precisamente a questão do discurso médico patriarcal no séc. XIX. </p> <p class="sapomedia images"><a href="https://www.bertrand.pt/ebook/the-yellow-wallpaper-charlotte-perkins-gilman/18686406?a_aid=5d63ed0787e7c" target="_blank" rel="noopener"><img style="width: 260px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="bertrand.jpg" src="https://c6.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Pab18f67c/21543634_NWJNF.jpeg" alt="bertrand.jpg" width="260" height="145" /></a></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:queirosiana:123598 2019-09-22T17:12:00 Para Ler aos Pares: A Abadia de Northanger & Os Mistérios do Castelo de Udolfo 2019-09-22T16:12:53Z 2019-09-29T16:17:02Z <p class="sapomedia images"><img style="width: 370px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="Two-school-children-reading-books-in-the-forest-37" src="https://c7.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Bfb1703be/21541480_Qeik3.jpeg" alt="Two-school-children-reading-books-in-the-forest-37" width="370" height="246" /></p> <p class="sapomedia images" style="text-align: justify;">Se existem dois livros que se complementam, <em>A Abadia de Northanger</em> (escrito entre 1798-1799) de Jane Austen e <em>Os Mistérios do Castelo de Udolfo</em> (1794) de Ann Radcliffe, são os tais. Basta tão só dizer que o último é o mote de inspiração que levou à escrita do primeiro!</p> <p class="sapomedia images">                                                         <img style="width: 167px; padding: 10px 10px;" src="https://img.bertrand.pt/images/a-abadia-de-northanger-jane-austen/NDV8MTc2NTIxMDd8MTMyOTEzOTZ8MTQ1OTI5MjQwMDAwMA==/502x" width="167" height="260" /><img style="width: 166px; padding: 10px 10px;" src="https://img.bertrand.pt/images/the-mysteries-of-udolpho-ann-radcliffe/NDV8MTQ5NDA5NTV8MTA0MjUxNTl8MTUxODM5MzYwMDAwMA==/502x" width="166" height="260" /></p> <p class="sapomedia images" style="text-align: justify;">Ambos podem ser incluídos do tão em voga romance gótico dos finais do séc. XVIII, ainda que o romance de Austen seja considerado uma paródia àquele género literário, na medida em que desmistifica uma série de estereótipos típicos do romance gótico. </p> <p class="sapomedia images" style="text-align: justify;">Embora não o tenha feito, diria que o indicado será ler primeiro a obra de Ann Radcliffe. Será uma enorme vantagem para o leitor que se aventurar com <em>A Abadia de Northanger</em>, pois compreenderá melhor a sua heroína, Catherine Morland. </p> <p class="sapomedia images" style="text-align: justify;">Sobre a resenha de <em>A Abadia de Northanger</em>, <a href="https://queirosiana.blogs.sapo.pt/110039.html" target="_blank" rel="noopener">ver aqui</a>. Sobre a resenha de <em>Os Mistérios do Castelo de Udolfo</em>, <a href="https://queirosiana.blogs.sapo.pt/os-misterios-do-castelo-de-udolfo-ann-121181" target="_blank" rel="noopener">ver aqui</a>.</p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:queirosiana:122146 2019-09-17T22:12:00 O Imperador de Portugal, Selma Lagerlöf 2019-09-17T21:42:09Z 2019-09-29T15:50:15Z <p class="sapomedia images"><img style="width: 461px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="32830061109.jpg" src="https://c5.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B051821f9/21557181_MiZpq.jpeg" alt="32830061109.jpg" width="461" height="720" /></p> <p class="sapomedia images" style="text-align: justify;">Como prometido, iniciei a minha epopeia das <a href="https://queirosiana.blogs.sapo.pt/quatorze-fantasticas-a-minha-lista-de-111000" target="_blank" rel="noopener">Quatorze Fantásticas</a> com Selma Lagerlöf, a primeira mulher a ser laureada com o Nobel de Literatura em 1909, e o seu Imperador de Portugal.</p> <p class="sapomedia images" style="text-align: justify;">Publicado em 1914, e com tradução em português, que tanto pode variar em título <em>O Imperador de Portugal</em> ou <em>O Imperador de Portugália</em>, trata-se de um romance contemporâneo de uma maravilhosa sensibilidade e cuja leitura, escorreita, se faz sem sobressaltos. </p> <p class="sapomedia images" style="text-align: justify;">O mote deste livro e o cerne de toda a sua história é o conto do amor de um pai pela filha. O adjectivo primeiro que me ocorre é "lindo". É um lindo romance, de uma ternura e emotividade vibrantes. </p> <p class="sapomedia images" style="text-align: justify;">Jan, um pobre camponês Sueco, descobre o que lhe faltava na vida quando a filha lhe nasceu - o amor. Numa divertida passagem do livro, este queixa-se à parteira de palpitações quando acolhe pela primeira vez a  pequena filhinha nos braços. </p> <p class="sapomedia images" style="text-align: justify;">Por circunstâncias que não revelarei, a filha, Clara Bela, é levada a sair de casa dos pais aos 17 anos para ir trabalhar para a cidade de Estocolmo e ajudar os pais a pagar uma dívida aos senhores lordes da terra. Porém, a vida da jovem Clara Bela não lhe corre tão de feição na nova cidade e, embora livre os pais da dívida, não regressa nem envia notícias.</p> <p class="sapomedia images" style="text-align: justify;">O enredo começa a desenlaçar-se quando Jan, pai de Clara Bela, na falta de notícias da filha, começa a receber aquilo que considera serem sinais da filha. É assim que declara que a filha é imperadora do reino de Portugal, tornando-o, portanto, imperador desse país onde "não se morria de fome, não se sofriam misérias, não havia pessoas maldosas" e onde "reinava a abundância e uma paz perpétua" - assim é descrito esse país imaginário (pois não se enganem, embora Portugal apareça no título, julgo que a escolha da autora seguiu apenas a lógica daquele ser o país europeu mais distante da Suécia). </p> <p class="sapomedia images" style="text-align: justify;">A verdade é que, essa "loucura" de Jan, o impede de se aperceber da vida em que a filha caiu, dando-lhe sempre uma boa dose de esperança que o acompanham durante os 20 anos de ausência da pequena, pois tudo o que sonha é pelo regresso da filha. </p> <p class="sapomedia images" style="text-align: justify;">O enredo depois oferece-nos pequenos pedaços deliciosos de Jan a enfrentar as hierarquias locais, achando-se em pleno direito, por ser o Imperador de Portugal, munido do seu chapéu e bastão e das suas duas estrelas ao peito. </p> <p class="sapomedia images" style="text-align: justify;">O regresso da filha dá-se, por fim, mas coincide com a morte de Jan. Ainda que, no final, seja o seu amor constante e incondicional que a salva. </p> <p class="sapomedia images" style="text-align: justify;">Como disse, um livro lindo, delicado e de uma brava doçura. É uma história que nos afaga o coração e por isso, a minha única possibilidade é recomendá-lo a este mundo e arredores!</p> <p class="sapomedia images"><a href="https://www.bertrand.pt/livro/o-imperador-de-portugal-selma-lagerlof/179924?gclid=Cj0KCQjwiILsBRCGARIsAHKQWLN2gsfQPpRm5YfTXBjwVwjmFLqB7HU00IcUSVIpCHR6mmFkF3gz-UcaAjwGEALw_wcB?a_aid=5d63ed0787e7c" target="_blank" rel="noopener"><img style="width: 260px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="bertrand.jpg" src="https://c2.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Pab18f67c/21543634_NWJNF.jpeg" alt="bertrand.jpg" width="260" height="145" /></a></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:queirosiana:121926 2019-09-08T23:01:00 Sanditon, Jane Austen 2019-09-08T22:48:40Z 2019-09-22T16:15:10Z <p class="sapomedia images"><a href="https://www.bertrand.pt/livro/sanditon-jane-austen/22617624?a_aid=5d63ed0787e7c" target="_blank" rel="noopener"><img style="width: 473px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="sanditon.png" src="https://c4.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B34187d21/21550308_LEQUZ.png" alt="sanditon.png" width="473" height="720" /></a></p> <p class="sapomedia images" style="text-align: justify;">A propósito da <a href="https://www.imdb.com/title/tt8685324/" target="_blank" rel="noopener">recente adaptação (ou inspiração) televisiva de Sandition</a>, resolvi reler este começo de romance de Jane Austen. Embora tenha lido a versão em língua inglesa, deixo aqui nota da existência da edição em português da Relógio D'Água à venda na Bertrand. </p> <p class="sapomedia images" style="text-align: justify;"><em>Sanditon</em>, o eterno romance inacabado de Jane Austen e que, em apenas 11 capítulos, deixa tantas expectativas e um manancial de personagens que desejaríamos descobrir pelas mãos de Jane Austen. Jane Austen terá começado a escrever este romance em 1817, ano em que viria a falecer. </p> <p class="sapomedia images" style="text-align: justify;">À semelhança de <em>Mansfield Park</em>, também este romance é intitulado com o nome de um local, <em>Sanditon</em>, uma vila à beira mar plantada e cujas perspectivas de se tornar na coqueluche dos destinos balneários dos ingleses da época é o mote em torno do qual se movem as diversas personagens que Jane Austen nos apresenta. Embora publicado postumamente, em 1925, assumindo o título Sanditon, Jane Austen pensou inicialmente em chamá-lo de <em>The Brothers</em>, o que me leva a crer que a relação entre Tom e Sidney seria mais explorada no romance, o que seria uma estreia em Jane Austen, que sempre se manteve ligada aos pensamentos e acções das suas criações femininas. </p> <p class="sapomedia images" style="text-align: justify;">Mas abundante universo de personagens! Sem dúvida que a heroína em potência é Charlotte Heywood, a filha mais velha de uma numerosa família de Sussex que, após um acidente de carruagem dos Parker, acolhidos em casa dos Heywood enquanto recuperam do susto, é convidada a partir com os Parker para Sanditon, como hóspede de verão. Sanditon, que até então não passava de uma vilória de pescadores, está a ser transformada, pelas mãos do empreendedor Mr. Parker numa estância balnear, graças ao financiamento de uma grande senhora, Lady Denham. </p> <p class="sapomedia images" style="text-align: justify;">Em torno de Lady Denham, uma viúva rica, pairam os seus herdeiros, Clara Brereton, e Sir Edward Denham e Miss Dunham. Ficamos com uma imagem boémia de Sir Edward, uma ideia maléfica de Miss Denham e agradados com Clara, ainda que paire sobre ela uma dúvida. </p> <p class="sapomedia images" style="text-align: justify;">Mais tarde surgem outros personagens, banhistas, por assim dizer, Mrs. Griffiths com as duas Miss Beauforts e a primeira personagem negra de Jane Austen, Georgiana  Lambe.</p> <p class="sapomedia images" style="text-align: justify;">Ficamos também a conhecer intimamente a família Parker, Mr. Tom Parker e Mrs. Parker, com quem Charlotte está e com quem mantém excelente relação pelo carácter dinâmico de um e afectuoso da outra. Igualmente conhecemos um dos irmãos e as duas irmãs hipocondríacas, que proporcionam momentos hilariantes!</p> <p class="sapomedia images" style="text-align: justify;">Do segundo irmão, Sidney Parker, ficamos apenas com um breve encontro, um vislumbre, mas com a certeza no coração de que, de uma forma ou de outra, ele se iria apaixonar por Charlotte. Mas isso... nunca saberemos!</p> <p class="sapomedia images" style="text-align: justify;"><em>Sanditon</em> teve continuações pelas mãos de outros escritores, fiquei particularmente interessada na versão criada por Juliette Shapiro, com o título <em>A Completion of Sanditon </em>e também na versão (também inacabada) de uma das sobrinhas de Jane Austen, Anna Austen Lefroy.</p> <p class="sapomedia images" style="text-align: justify;">Estou expectante com a adaptação televisiva desta obra, embora absolutamente ciente de que se trata apenas de um trabalho inspirado na obra de Austen.</p> <p class="sapomedia images"><a href="https://www.bertrand.pt/livro/sanditon-jane-austen/22617624?a_aid=5d63ed0787e7c" target="_blank" rel="noopener"><img style="width: 260px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="bertrand.jpg" src="https://c2.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Pab18f67c/21543634_NWJNF.jpeg" alt="bertrand.jpg" width="260" height="145" /></a></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:queirosiana:121406 2019-09-03T22:13:00 A Ignorância, Milan Kundera 2019-09-04T21:49:59Z 2019-09-29T15:52:03Z <p class="sapomedia images"><a href="https://www.bertrand.pt/livro/a-ignorancia-milan-kundera/10400167?a_aid=5d63ed0787e7c" target="_blank" rel="noopener"><img style="width: 483px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://img.bertrand.pt/images/a-ignorancia-milan-kundera/NDV8MTA0MDAxNjd8NTk4MTcyOXwxMzgzNTIzMjAwMDAw/500x" width="483" height="720" /></a></p> <p style="text-align: justify;">Publicado em 2000, este romance contemporâneo tem por principal mote a emigração, retratando o regresso à terra natal de dois personagens que se reencontram ao fim de 20 anos, ficando a pairar no ar uma ideia de recuperarem uma história de amor. </p> <p style="text-align: justify;">Tendo por cenário uma Praga saída do comunismo, Kundera, deixa o leitor acompanhar esparsos da vida de Josef e Irena, ambos filhos de Praga, mas emigrados na Dinamarca e França, respectivamente. </p> <p style="text-align: justify;">Num estilo desprendido, mordaz e indulgente, vamos espreitando pequenos acontecimentos das vidas destes dois personagens, conhecendo-lhes os desejos íntimos, os arrependimentos e sofrimentos, quase que num <em>voyeurismo, </em>sempre expectantes sobre se a vida destes personagens vai, finalmente, coincidir. </p> <p style="text-align: justify;">O problema, contudo, é que ao fim de 20 anos já não somos quem éramos, ao fim de 20 anos, as memórias de uns podem não coincidir com as memórias do outro. Algures, entre a memória, o esquecimento e a nostalgia, encontramos, por fim, a ignorância. Ignorância, no sentido de nos desconhecermos todos uns dos outros ou de nos ignorarmos mutuamente. </p> <p style="text-align: justify;">No início do livro, Kundera fala-nos de um quase-síndrome de Ulisses e do seu regresso a Ítaca e de como alguém se pode sentir tão estranho numa terra que o viu nascer, ou de como alguém se pode sentir tão distante daqueles com quem partilha o sangue. Inexoravelmente, o regresso está ligado a um sentimento de sofrimento - sofrimento por não poder regressar ou uma recordação dolorosa do que se deixou para trás. </p> <p style="text-align: justify;">Este é um livro que me deixou desconcertada, perturbou-me de alguma forma - sobretudo a ideia de solidão que é transversal a todo o romance, bem como a da ignorância (como vem no título) e de como grande parte das acções decisivas nas nossas vidas são tomadas num estado de desconhecimento e de como, mais tarde, já cientes dos erros, teimamos, por isto ou por aquilo, em não tomar as rédeas do que temos de mais nosso - a vida.</p> <p style="text-align: justify;">Creio que os bons autores fazem-nos isto, mexem-nos na alma, chocalham-nos as convicções.  É um livro a ler e a reler, se bem que ter um conhecimento anterior da história da queda dos regimes comunistas do Leste da Europa seja uma mais valia para compreender o contexto e as circunstâncias. </p> <p class="sapomedia images"><a href="https://www.bertrand.pt/livro/a-ignorancia-milan-kundera/10400167?a_aid=5d63ed0787e7c" target="_blank" rel="noopener"><img style="width: 260px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="bertrand.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Pab18f67c/21543634_NWJNF.jpeg" alt="bertrand.jpg" width="260" height="145" /></a></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:queirosiana:115441 2019-08-26T15:35:00 mater lingua no Feminino - a minha lista de escritoras portuguesas 2019-08-26T15:10:51Z 2019-09-29T15:25:28Z <p class="sapomedia images"><img style="width: 960px; padding: 10px 10px;" title="escritoras2.jpg" src="https://c5.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Bac18ac13/21540268_1uO7z.jpeg" alt="escritoras2.jpg" width="960" height="508" /></p> <div style="text-align: justify;">Os grandes nomes da literatura portuguesa são inúmeros. Confesso-me profundamente pobre no que respeita à literatura portuguesa, tendo andado mais focada em clássicos da literatura mundial, mais especificamente, literatura inglesa. Uma falha na minha educação, como costumo dizer. </div> <div style="text-align: justify;"> </div> <div style="text-align: justify;">Com o intento de me enriquecer no que à literatura na <em>mater lingua</em> diz respeito, e para apresentar um panorama da literatura feminina contemporânea em Portugal, desenvolvi esta lista de escritoras portuguesas que espero seguir fielmente e comprometer-me com, pelo menos, duas obras por ano.</div> <div style="text-align: justify;"> </div> <div style="text-align: justify;">A lista segue a ordem cronológica das obras publicadas no feminino.</div> <div style="text-align: justify;"> </div> <ol> <li style="text-align: justify;">Às mulheres portuguesas, Ana de Castro Osório (1905)</li> <li>Satânia. Novelas, Judith Teixeira  (1927)</li> <li><span style="text-decoration: line-through;">Sonetos Completos de Florbela Espanca, Florbela Espanca (1934)</span>*</li> <li>Para Além do Amor, Maria Lamas (1935)</li> <li>Ela é apenas mulher, Maria Archer (1944)</li> <li>Voltar Atrás Para Quê?, Irene Lisboa (1954)</li> <li>As Palavras Poupadas, Maria Judite de Carvalho (1961)</li> <li>A Madona, Natália Correia (1968)</li> <li>Fanny Owen, Agustina Bessa-Luís (1979)</li> <li>Novas Cartas Portuguesas, Maria Isabel Barreno, Maria Velho da Costa, Maria Teresa Horta (1974)</li> <li>A Gata e a Fábula, Fernanda Botelho (1987)</li> <li>A Costa dos Murmúrios, Lídia Jorge (1988)</li> <li>Um Beijo Dado Mais Tarde, Maria Gabriela Llansol (1990)</li> <li>As Velhas Senhoras e Outros Contos, Natália Nunes (1992)</li> <li>O Mundo Em Que Vivi, Ilse Losa (1992)</li> <li>Olhos Verdes, Luísa Costa Gomes (1994)</li> <li>Passagem do Cabo, Maria Ondina Braga (1994)</li> <li>Lillias Fraser, Hélia Correia (2001)</li> <li>Fazes-me Falta, Inês Pedrosa (2002)</li> <li>Livro Sexto, Sophia de Mello Breyner Andresen (2003)</li> <li>Viver Com os Outros, Isabel da Nóbrega (2005)</li> <li>Myra, Maria Velho da Costa (2010)</li> <li>As Luzes de Leonor, Maria Teresa Horta (2011)</li> <li>A Cidade de Ulissess, Teolinda Gersão (2011)</li> <li>Por Este Mundo Acima, Patrícia Reis (2011)</li> <li>Os Profetas, Alice Vieira (2011)</li> <li>O Retorno, Dulce Maria Cardoso (2012)</li> <li>E a Noite Roda, Alexandra Lucas Coelho (2012)</li> <li>Humilhação e Glória, Helena Vasconcelos (2012)</li> <li>A Saga de Selma Lagerlöf, Cristina Carvalho (2018)</li> </ol> <p><span style="font-size: 8pt;">*Já lidos</span></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:queirosiana:115900 2019-08-23T20:32:00 North and South, Elizabeth Gaskell 2019-09-01T20:20:36Z 2019-09-29T15:52:31Z <p class="sapomedia images"><a href="https://www.bertrand.pt/livro/norte-e-sul-elizabeth-gaskell/17824646?a_aid=5d63ed0787e7c" target="_blank" rel="noopener"><img style="width: 465px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="North-and-South-2.jpg" src="https://c7.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Ba8178e9f/21540379_0WbM2.jpeg" alt="North-and-South-2.jpg" width="465" height="720" /></a></p> <p class="sapomedia images" style="text-align: justify;">Li algures por aí um sumário deste livro que dizia simplesmente: <em>Orgulho e Preconceito</em> para socialistas. Não pude evitar sorrir, é uma afirmação com alguma verdade, mas <em>North and South</em> é muito mais do que isso. </p> <p style="text-align: justify;">Publicado em 1854, esta complexa obra aborda variadas temáticas, desde os preconceitos entre o norte e sul geográficos, o papel social da mulher, as reivindicações das classes operárias, os preconceitos entre as classes burguesas e aristocráticas, e o aparecimento das primeiras greves em plena Revolução Industrial.</p> <p style="text-align: justify;">A nossa protagonista, cujo carácter aprendemos desde cedo a admirar e reverenciar, Margaret Hale surge primeiramente ao leitor, com dezoito anos, vivendo uma faustosa e pueril vida urbana em Londres com a tia e a prima, prestes a casar-se. Concretizado o casamento, Margaret regressa a casa, Helstone, para junto da mãe e do pai, pároco dessa pequena vila do sul de Inglaterra, levando uma vida mais modesta. Contudo, por uma questão de consciência, o pai de Margaret sente-se forçado a abandonar a religião e aqui é o verdadeiro início da história, a mudança dos Hale de Helstone para Milton, uma cidade industrializada do norte onde o pai de Margaret irá dar aulas e tornar-se tutor, garantindo assim rendimento para a família. </p> <p style="text-align: justify;">Este é o primeiro choque, a vida frenética e barulhenta em Milton é totalmente diferente da vida tranquila e bucólica em Helstone. O segundo embate trava-se entre o carácter orgulhoso e altivo de Margaret e o carácter carismático e pragmático de John Thorton, proprietário de uma indústria de algodão em Milton e o primeiro pupilo de Mr Hale. Este embate de pré-conceitos e pré-juízos entre Margaret e Thorton, é o fio  condutor de todo o romance, até ao final. O que nos recorda de Lizzie e Darcy, sem dúvida. Mas em <em>Norte e Sul</em>, Gaskell aprofunda questões sociais entre proprietários e operários e a distinção e estrutura social de classes. </p> <p style="text-align: justify;">Outra nuvem sempre presente neste romance é a morte e a forma como esta afecta Margaret, que perde de uma assentada, a mãe e uma das poucas amizades que encontrou em Milton. As mortes neste romance obrigam Margaret a ganhar mais responsabilidade e independência, levantando várias questões sobre o papel social da mulher na sociedade vitoriana. </p> <p style="text-align: justify;">Margaret Hale é uma das personagens femininas mais completas e profundas que já encontrei, um misto do arrojo de Lizzie Bennet, com a abnegação de Fanny Price e sentido de independência de Jane Eyre. </p> <p style="text-align: justify;">É um romance profundo, muitas vezes duro e com uma história de amor que, no limite, ultrapassa todos os preconceitos. Ainda que a admiração de Thorton por Margaret seja precoce, no enredo, a sua constância é arrebatadora; assim como é o gradual envolvimento emocional de Margaret.</p> <p style="text-align: justify;">Uma curiosidade, Elizabeth Gaskell pretendia intitular o seu romance de "<em>Margaret Hale</em>", mas a opinião de Charles Dickens prevaleceu, e acabou com o nome <em>Norte e Sul</em>. </p> <p style="text-align: justify;">Gaskell enfrentou uma torrente de críticas aquando da publicação deste romance, sendo inclusive acusada de, pelo facto de ser mulher, não entender os problemas industriais e saber demasiado pouco sobre a indústria e que só aumentava a confusão escrevendo sobre isso; ou que lhe faltava a "masculinidade" necessária para lidar adequadamente com os problemas sociais. Só mais tarde, no início do séc. XXI, é que se lhe reconheceu devidamente a coragem por escrever sobre estes temas, demonstrando uma visão claramente contrária às perspectivas predominantes da época. </p> <p style="text-align: justify;">Recomendo vivamente a leitura deste livro, que pela sua dimensão, será sempre um pouco mais demorada, mas vale cada página. <a href="https://www.bertrand.pt/livro/norte-e-sul-elizabeth-gaskell/17824646?a_aid=5d63ed0787e7c" target="_blank" rel="noopener"><img style="width: 260px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="bertrand.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Pab18f67c/21543634_NWJNF.jpeg" alt="bertrand.jpg" width="260" height="145" /></a></p> <p> </p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:queirosiana:111000 2019-08-16T16:07:00 Quatorze Fantásticas - a minha lista de livros das mulheres laureadas com o Prémio Nobel da Literatura 2019-08-18T18:06:40Z 2019-09-16T14:48:34Z <p class="sapomedia images"><img style="width: 588px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="nobel.jpg" src="https://c4.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B6a184f90/21536523_F4Yp9.jpeg" alt="nobel.jpg" width="753" height="563" /></p> <p style="text-align: justify;">Até 2017, num total de 114 laureados com o Nobel de Literatura, apenas 14 são mulheres. Se é certo que, em paralelo com o Nobel da Paz, esta é a categoria com maior representatividade feminina, ainda assim, sobressai a desproporção.</p> <p style="text-align: justify;">O primeiro Nobel de Literatura foi concedido no ano de 1901 e em 1909, estreava-se a primeira mulher, escritora, a receber o prémio. A distinção a mulheres escritoras foi sendo parca, mas destaca-se o período entre 1991 e 1966, basicamente, um quarto de século, sem que nenhuma escritora tenha sido laureada. Recentemente, sobretudo desde 2004, o Nobel de Literatura tem vindo a ser atribuído a mulheres escritoras com mais frequência.</p> <p style="text-align: justify;">Na minha opinião, não se trata de uma questão de falta de qualidade das obras produzidas por mulheres, mas antes de um histórico de invisibilidade e ausência do feminino nos <em>espaços físicos, institucionais e escritos da arte</em> (a este propósito, recordo aqui um magistral artigo de Filipa Lowndes Vicente, intitulado “Artes, a ilusão da vanguarda”, in XXI, Ter Opinião, n.º 8, 2017).</p> <p style="text-align: justify;">Ora, para celebrar as 14 mulheres laureadas com o Nobel de Literatura e com o intento de ampliar o meu horizonte literário, resolvi criar esta lista das Quatorze Fantásticas. O compromisso é o de ler, pelo menos, duas obras por ano. </p> <p style="text-align: justify;">Lamento, não obstante, o facto de muitas destas autoras não estarem traduzidas para português. </p> <p style="text-align: justify;"> </p> <ol> <li style="text-align: justify;">Selma Lagerlöf (Suécia), vencedora do Nobel de Literatura de 1909. <span style="text-decoration: line-through;"><em><strong>O Imperador de Portugal</strong> </em> (1914)</span>, edição em português Ulisseia.*</li> <li style="text-align: justify;">Grazia Cosima Deledda (Itália), vencedora do Nobel de Literatura de 1926. <em><strong>Marianna Sirca</strong></em> (1916), edição em português Sibila Publicações.</li> <li style="text-align: justify;">Sigrid Undset (Noruega), vencedora do Nobel de Literatura de 1928. <em><strong>Kristin Lavransdatter: The Wreath, Wife, the Cross</strong></em> (1920), edição em inglês Penguin Classics.</li> <li style="text-align: justify;">Pearl Sydenstricker Buck (EUA), vencedora do Nobel de Literatura de 1938. <em><strong>A Flor Oculta</strong></em> (1952), edição em português Livros do Brasil.</li> <li style="text-align: justify;">Gabriela Mistral (Chile), vencedora do Nobel de Literatura de 1945. <strong><em>Poesias Escolhidas</em></strong> (1969), edição brasileira Delta.</li> <li style="text-align: justify;">Nelly Sachs  (Alemanha), vencedora do Nobel de Literatura de 1966. <em><strong>Glowing Enigmas</strong></em> (1966), edição em inglês Tavern Books.</li> <li style="text-align: justify;">Nadine Gordimer  (África do Sul), vencedora do Nobel de Literatura de 1991. <strong><em>Um Mundo de Estranhos</em> </strong>(1958), edição em português Difel.</li> <li style="text-align: justify;">Toni Morrison (EUA), vencedora do Nobel de Literatura de 1993. <strong><em>Deus Ajude a Criança</em></strong> (2015), edição em português Editorial Presença.</li> <li style="text-align: justify;">Wisława Szymborska (Polónia), vencedora do Nobel de Literatura de 1996. <em><strong>Map</strong> </em>(2016), edição em inglês Houghton Mifflin.</li> <li style="text-align: justify;">Elfriede Jelinek  (Áustria), vencedora do Nobel de Literatura de 2004. <strong><em>A Pianista</em></strong> (1983), edição em português Edições Asa.</li> <li style="text-align: justify;">Doris Lessing (Reino Unido), vencedora do Nobel de Literatura de 2007. <strong><em>The Golden Notebook</em> </strong>(1962), edição em inglês Fourth Estate.</li> <li style="text-align: justify;">Herta Müller (Alemanha), vencedora do Nobel de Literatura de 2009. <strong><em>Hoje Preferia Não Me Ter Encontrado</em></strong> (1997), edição em português Dom Quixote.</li> <li style="text-align: justify;">Alice Ann Munro (Canadá), vencedora do Nobel de Literatura de 2013. <strong><em>Amada Vida</em></strong> (2012), edição em português Relógio D’Água.</li> <li style="text-align: justify;">Svetlana Aleksandrovna Aleksiévitch (Bielorrússia),  vencedora do Nobel de Literatura de 2015. <em><strong>O Fim do Homem Soviético</strong></em> (2013), edição em Português Porto Editora.</li> </ol> <p><span style="font-size: 8pt;">* Já lidos</span></p> <p> </p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:queirosiana:110180 2019-08-15T19:11:00 "Declaro-me Feminista" - a minha lista de livros feministas essenciais 2019-08-15T20:11:44Z 2019-09-27T20:26:37Z <p class="sapomedia images"><img style="width: 514px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="rubrica feminista.jpg" src="https://c7.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B9a1809b1/21532413_H1TZN.jpeg" alt="rubrica feminista.jpg" width="875" height="424" /></p> <p class="sapomedia images" style="text-align: justify;">Declaro-me feminista porque defendo a igualdade. A igualdade de tratamento e de oportunidades independentemente do género ou sexo. Assim, nesta lista que abaixo enumero, pretendo fazer um périplo literário por aquelas que considero - ou que me induziram a considerar - como as obras essenciais para dar os primeiros passos no que é o feminismo.  Ou, no mínimo, um ponto de partida. A ordem é aleatória, se bem que, por uma razão lógica, seja conveniente iniciar pelas obras mais antigas. Também os géneros literários são variados, desde ensaios a romances. O compromisso é o de ler, pelo menos, três obras desta lista por ano. </p> <p class="sapomedia images" style="text-align: justify;"> </p> <ol> <li class="sapomedia images" style="text-align: justify;">Mary Wollstonecraft - <em>Uma Vindicação dos Direitos da Mulher</em> (1792)</li> <li>Kate Chopin, <em>The Awakening</em> (1899)</li> <li>Virginia Woolf - <em>Um Quarto Só Para Si</em> (1929)</li> <li>Simone Beauvoir - <em>O Segundo Sexo</em> (1949)</li> <li>Doris Lessing, <em>The Golden Notebook</em> (1962)</li> <li>Betty Friedan, <em>Feminine Mystique</em> (1963)</li> <li>Sylvia Plath, <em>A Campânula de Vidro</em> (1963)</li> <li>Germaine Greer, <em>The Female Eunuch</em> (1970)</li> <li>Kate Millett, <em>Sexual Politics</em> (1970)</li> <li>Shulamith Firestone, <em>The Dialectic of Sex</em> (1970)</li> <li>Carol Gilligan, <em>In a Different Voice</em> (1982)</li> <li>Margaret Atwood, <em>A História de Uma Serva</em> (1985)</li> <li>Clarissa Pinkola Estes, <em>Mulheres Que Correm Com Lobos</em> (1992)</li> <li>bell hooks, <em>Feminism is for Everybody</em> (2000)</li> <li>Chimamanda Ngozi Adichie, <em>Todos Devemos Ser Feministas</em> (2014)</li> <li>Naomi Alderman, <em>The Power</em> (2016)</li> <li>Kamila Shamsie, <em>Conflito Interno</em> (2017)</li> <li>Scarlett Curtis, <em>Feminists Don't Wear Pink and Other Lies</em> (2018)</li> <li class="sapomedia images" style="text-align: justify;"><span style="text-decoration: line-through;">Madeline Miler, <em>Circe</em> (2018)*</span></li> <li class="sapomedia images" style="text-align: justify;"><span style="text-decoration: line-through;">Mary Beard, <em>Mulheres e Poder</em> (2018)</span>*</li> </ol> <p><span style="font-size: 8pt;">* Já lidos</span></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:queirosiana:117344 2019-08-11T22:20:00 Escritores Intemporais 2019-08-27T21:26:34Z 2019-08-27T21:26:34Z <p class="sapomedia images"><img style="width: 620px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="escritores.jpg" src="https://c4.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Ba7175263/21541482_bshZB.jpeg" alt="escritores.jpg" width="570" height="623" /></p> <p class="sapomedia images" style="text-align: justify;">Todos temos os nossos autores e escritores preferidos. Na minha lista conto Virginia Woolf, Jane Austen, Charles Dickens, Doris Lessing e Eça de Queiroz. </p> <p class="sapomedia images" style="text-align: justify;">Com esta rubrica pretendo explorar um pouco mais sobre a vida terrena destes fabulosos seres que se eternizaram nas páginas das suas obras, deixando em cada obra um pouco da sua alma, partilhando-a connosco, intemporalmente. </p> <p class="sapomedia images" style="text-align: justify;">Aqui encontraremos breves biografias, curiosidades, espólio, obras.</p> <p> </p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:queirosiana:112340 2019-08-08T20:15:00 Chamavam-lhe Grace, Margaret Atwood 2019-09-01T19:30:20Z 2019-10-01T18:42:58Z <p class="sapomedia images"><a href="https://www.bertrand.pt/livro/chamavam-lhe-grace-margaret-atwood/22007455?a_aid=5d63ed0787e7c" target="_blank" rel="noopener"><img style="width: 406px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://img.bertrand.pt/images/chamavam-lhe-grace-margaret-atwood/NDV8MjIwMDc0NTV8MTc4NzMxNTN8MTUzNDExNDgwMDAwMA==/350x" width="350" height="628" /></a></p> <p class="sapomedia images" style="text-align: justify;">Um romance primoroso. Segue um estilo de escrita arrebatador e vibrante sem nunca nos enfastiar. Publicado originalmente em 1996, <em>Alias Grace</em> (no seu título original), transporta o leitor para o Canadá do séc. XIX, baseando o seu enredo em factos reais. </p> <p class="sapomedia images" style="text-align: justify;">Em 1843, a verdadeira Grace Marks e o verdadeiro James McDermott eram condenados à morte pelo assassinato de Thomas Kinnear e da sua governanta Nancy Montgomery. McDermott acabou condenado a morte por enforcamento e Grace, condenada a prisão perpétua, pois conseguiu ver a sua pena atenuada.</p> <p class="sapomedia images" style="text-align: justify;">Este é o ponto de partida do romance de Atwood. A partir daqui, a autora constrói uma empolgante história, através dos encontros entre Grace Marks e Simon Jordan, um médico psiquiatra contratado para conduzir uma investigação científica que possa vir a sustentar mais uma petição para libertar Grace e Marks. </p> <p class="sapomedia images" style="text-align: justify;">Em cada consulta vamos sabendo mais um pouco sobre a história de Grace Marks, contada por ela própria e desvelada aos poucos, qual Xerazade. Desde a sua vinda da Irlanda para o Canadá, uma viagem cuja descrição me fez recordar os barcos negreiros do livro de História; depois o seu establecimento no Canadá, já órfã de mãe; o seu primeiro trabalho como criada e os que se seguiram; a amizade com Mary Whitney; os bizarros acontecimentos em torno da morte de Mary; a sua mudança para a casa de Mr Kinnear e as relações aí travadas; as suas tarefas do quotidiano como criada; o seu dia-a-dia na prisão; e finalmente a descrição do fatal dia que mudaria a sua vida para sempre.</p> <p class="sapomedia images" style="text-align: justify;">Ao longo destas consultas, Jordan vai criando uma espécie de admiração pela paciente e a razão e a emoção vão-se confundindo pelo caminho. O próprio leitor não consegue deslindar a culpa ou inocência desta bela mulher. Não obtendo os resultados esperados, Jordan acaba por ceder a que Grace seja sujeita a uma sessão de hipnotismo que rapidamente se transforma numa espécie de séance  espírita. </p> <p class="sapomedia images" style="text-align: justify;">Neste romance, encontramos elementos que nos cativam e prendem a todo o enredo, a crueza da descrição da realidade da vida de Grace, o crime, o sobrenatural e a dúvida. </p> <p class="sapomedia images" style="text-align: justify;">Quando virem este livro na livraria, não hesitem emtrazê-lo convosco!</p> <p class="sapomedia images" style="text-align: justify;">De notar que a adaptação desta obra para televisão pela Netflix está, igualmente, soberba. <a href="https://www.bertrand.pt/livro/chamavam-lhe-grace-margaret-atwood/22007455?a_aid=5d63ed0787e7c" target="_blank" rel="noopener"><img style="width: 260px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="bertrand.jpg" src="https://c4.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Pab18f67c/21543634_NWJNF.jpeg" alt="bertrand.jpg" width="260" height="145" /></a></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:queirosiana:112799 2019-08-08T18:03:00 A Very Penny Dreadful List - a minha lista de romances góticos 2019-08-21T18:10:08Z 2019-09-29T16:17:33Z <p class="sapomedia images"><img style="width: 700px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="abandoned-places-pianos-photography-romain-thiery-" src="https://c6.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Bb017920c/21536535_sTrwp.jpeg" alt="abandoned-places-pianos-photography-romain-thiery-" width="700" height="368" /></p> <p style="text-align: justify;">Inspirada pela minha doce Catherine Morland (heroína d' <em>A Abadia de Northanger</em>) e pelo universo da excepcional série televisiva <em>Penny Dreadful</em>, decidi compilar uma lista com títulos de um específico "género" literário muito em voga na Inglaterra do século XVIII, o romance gótico. Este tipo de literatura caracteriza-se pelos cenários medievais, conspirações e segredos, mistério e terror, donzelas em perigo e vilões temerosos e pelo imaginário sobrenatural. </p> <p> </p> <ol> <li><em>The Castle of Otranto</em>, Horace Walpole (1764)</li> <li><em>The Old English Baron</em>, Clara Reeve (1777)</li> <li><em>The Ghost-Seer,</em> Friedrich Schiller (1789)</li> <li><em>A Sicilian Romance,</em> Ann Radcliffe (1790)</li> <li><em>Justine, or The Misfortunes of Virtue</em>, Marquis de Sade (1791)</li> <li><em>Castle of Wolfenbach</em>, Eliza Parsons (1793)</li> <li><span style="text-decoration: line-through;"><em>The Mysteries of Udolpho</em>, Ann Radcliffe (1794)</span>*</li> <li><em>The Necromancer or The Tale of the Black Forest</em>, Ludwig Flammenberg (1794)</li> <li><em>The Monk</em>, Matthew Gregory Lewis (1796)</li> <li><em>The Horrid Mysteries</em>, Carl Friedrich August Grosse (1796)</li> <li><em>The Italian</em>, Ann Radcliffe (1797)</li> <li><em>Clermont</em>, Regina Maria Roche (1798)</li> <li><em>The Midnight Bell, </em>Francis Lathom (1798)</li> <li><em>The Orphan of the Rhine</em>, Eleanor Sleath (1798)</li> <li><em>St. Irvine or The Rosicrucian</em>, Percy Shelley (1811)</li> <li><em>The Heroine,</em> Eaton Stannard Barrett (1813) </li> <li><span style="text-decoration: line-through;"><em>Northanger Abbey,</em> Jane Austen (1818)</span>*</li> <li><em>Frankenstein</em>, Mary Shelley (1820)</li> <li><em>Melmoth, the Wanderer</em>, Charles Maturin (1820)</li> <li><em>The Mummy!</em>, Jane C. Loudon (1827)</li> <li><em>The Amber Witch</em>, Wilhelm Meinhold (1838)</li> <li><em>The Fall of the House of Usher, </em>Edgar Allan Poe (1839) </li> <li><em>The Mysteries of London, </em>George Reynolds (1845) </li> <li><em>Varney the Vampire or The Feast of Blood, </em>James Rymer and Thomas Prest (1847) </li> <li><span style="text-decoration: line-through;"><em>Wuthering Heights, </em>Emily Brontë  (1847)</span>* </li> <li><em>T</em><em>he Mystery of Edwin Drood,</em> Charles Dickens (1870) </li> <li><em>Carmilla</em>, Sheridan Le Fanu (1872)</li> <li><em>Strange Case of Dr. Jekyll and Mr Hyde</em>, Robert Lewis Stevenson (1886)</li> <li><span style="text-decoration: line-through;"><em>The Picture of Dorian Gray,</em> Oscar Wilde (1891)</span>*</li> <li><em>Dracula</em>, Bram Stoker (1897)</li> <li><em>The Turn of the Screw</em>, Henry James (1898)</li> <li><em>The Phantom of the Opera, </em>Gaston Leroux (1910)</li> </ol> <p><span style="font-size: 8pt;">* Já lidos</span></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:queirosiana:117001 2019-08-05T22:15:00 Para Ler aos Pares 2019-08-27T21:19:42Z 2019-08-27T21:27:48Z <p style="text-align: justify;"><img style="max-width: 100%; height: 371px; width: 542px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="Two-school-children-reading-books-in-the-forest-37" src="https://c5.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Bfb1703be/21541480_Qeik3.jpeg" alt="Two-school-children-reading-books-in-the-forest-37" width="370" height="246" />O universo literário é uma imensidão, mas não podemos deixar de notar nalgumas obras que se complementam, que se relacionam ou que se assemelham. </p> <p style="text-align: justify;">Nesta rubrica iremos explorar as relações mais ou menos simbióticas de alguns títulos da literatura mundial e, eventualmente, sugerir que se leiam ou releiam aos pares, por forma a encontrar os pequenos pormenores ou as extraordinárias analogias. </p> <p> </p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:queirosiana:110794 2019-08-02T23:07:00 Heroínas marcantes 2019-08-16T22:16:39Z 2019-08-19T22:25:50Z <p class="sapomedia images"><img style="width: 687px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="rubrica_heroinas marcantes.jpg" src="https://c7.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B6818c67e/21535227_ZISNB.jpeg" alt="rubrica_heroinas marcantes.jpg" width="800" height="409" /></p> <p class="sapomedia images" style="text-align: justify;">O universo literário está repleto de personagens singulares. Personagens que nos cativam e que se nos entranham na alma e que, por vezes, acarinhamos como se de pessoas reais se tratassem. Felizmente, os infinitos mundos contidos nos livros, proporcionaram-me já a experiência de estimar uma personagem como um amigo invisível que surge por vezes em pensamento para nos acalentar e acarinhar. </p> <p class="sapomedia images" style="text-align: justify;">Nesta rubrica irei falar, em particular, das personagens femininas que deixaram uma marca de água na minha vida. São muitas, mas não posso deixar já de mencionar Miss Havisham (Grandes Esperanças, Charles Dickens), Hermione Granger (Harry Potter, J.K. Rowling) e Elinor Dashwood (Sensibilidade e Bom Senso, Jane Austen). Talvez comece por elas. Quiçá!</p> <p> </p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:queirosiana:120079 2019-08-02T22:06:00 Agnes Grey, Anne Brontë 2019-08-31T21:38:59Z 2019-09-29T15:54:14Z <p class="sapomedia images"><a href="https://www.bertrand.pt/livro/agnes-grey-anne-bronte/23224725?a_aid=5d63ed0787e7c" target="_blank" rel="noopener"><img style="width: 447px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="61433948_max.jpg" src="https://c7.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B82184952/21544107_AWVwV.jpeg" alt="61433948_max.jpg" width="411" height="683" /></a></p> <p style="text-align: justify;">Queria ler uma obra de Anne Brontë faz muito tempo. Não fiz a minha estreia com o romance mais famoso da autora, <em>A Inquilina de Wildfell Hall</em>, mas optei antes por ler aquele que foi o primeiro romance publicado da autora - <em>Agnes Grey </em>e arrisquei lê-lo na língua de origem, o inglês. </p> <p style="text-align: justify;">Publicado inicialmente em 1847, à semelhança de <em>Jane Eyre</em> e <em>O Monte dos Vendavais</em>, das duas outras irmãs Brontë, <em>Agnes Grey</em> está longe de ser tão marcante ou soberbo quanto aqueles. Contudo, apreciei bastante a escrita de Anne, provavelmente, a irmã Brontë menos afamada. Em muitos aspectos encontrei semelhanças com o estilo de Jane Austen, talvez pelo moralismo latente no enredo, e nenhum vislumbre das características de romance gótico que encontramos nas obras das suas irmãs. </p> <p style="text-align: justify;"><em>Agnes Grey</em> retrata o dia a dia de uma jovem governanta. De acordo com a sua irmã, Charlotte, <em>Agnes Grey</em> é efectivamente um romance auto-biográfico, reflectindo muitos aspectos dos cinco anos da vida de Anne enquanto governanta. </p> <p style="text-align: justify;">Neste romance-debute de Anne Brontë o foco central está na personagem Agnes, e é com os seus pensamentos, actos e experiências que somos levados ao longo da história. Confesso, a história de Agnes não é muito feliz e está cheia de adversidades, esforço e sacrifício. O retrato da vida de governanta é bastante real e ficamos quase chocados com a opressão e isolamento a que estas estavam vetadas nas grandes casas das famílias aristocráticas inglesas. </p> <p style="text-align: justify;">O romance segue um estilo moralista e mantém um tom sóbrio e despretensioso. A personagem principal, Agnes, é um reflexo disso mesmo, simples, contida, discreta, reservada e ponderada. Por ser um livro escrito na primeira pessoa, compreendemos que a forte personalidade e carácter com sólidos princípios de Agnes entra muitas vezes em contradição com aquilo que lhe impõem, e sim, Agnes tem de engolir muitos sapos ao longo de todo o romance. </p> <p style="text-align: justify;">Admito que não consegui vislumbrar final feliz para Agnes, ainda que os obstáculos no caminho fossem diminuindo ao longo da história, mas o último capítulo traz, efectivamente, contentamento ao leitor. </p> <p class="sapomedia images"><a href="https://www.bertrand.pt/livro/agnes-grey-anne-bronte/23224725?a_aid=5d63ed0787e7c" target="_blank" rel="noopener"><img style="width: 260px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="bertrand.jpg" src="https://c4.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Pab18f67c/21543634_NWJNF.jpeg" alt="bertrand.jpg" width="260" height="145" /></a></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:queirosiana:110039 2019-07-28T18:08:00 A Abadia de Northanger, Jane Austen 2019-08-15T17:08:58Z 2019-10-01T18:43:28Z <p class="sapomedia images"><a href="https://www.bertrand.pt/livro/a-abadia-de-northanger-jane-austen/17652107?a_aid=5d63ed0787e7c" target="_blank" rel="noopener"><img style="width: 424px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="A Abadia de Northanger.jpg" src="https://c7.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Baa1713bc/21543623_9QOm2.jpeg" alt="A Abadia de Northanger.jpg" width="318" height="601" /></a></p> <p style="text-align: justify;">Julga-se que foi a primeira obra completada para publicação de Jane Austen, em 1803, embora se saiba que já tinha começado a escrever <em>Sensibilidade e Bom Senso</em> e <em>Orgulho e Preconceito</em>.</p> <p style="text-align: justify;">De acordo com a irmã da escritora, Cassandra Austen, o título inicial desta obra era "Susan" e terá sido escrito entre 1798-1799. Contudo, só foi publicado em 1817, postumamente, juntamente com <em>Persuasão</em>.</p> <p style="text-align: justify;"><em>A Abadia de Northanger</em> surge como uma "paródia"  ao estilo gótico tão em voga na altura, mas também como uma crítica àqueles que se consideravam superiores a ler coisas tão corriqueiras como romances, tidos como leituras de mulheres.  </p> <p style="text-align: justify;">As figuras centrais deste romance são Catherine Morland e Henry Tilney e, aqui me confesso, a primeira vez que li <em>A Abadia de Northanger</em>, nem um nem outro me convenceram. Contudo, dou a mão à palmatória e hoje posso afirmar, sem sombra de dúvidas, que se há casal Austeniano por quem eu tenha uma enorme estima é precisamente este. Talvez por ser um casal tão jovem e por considerar que se completam muito bem, a ingenuidade dela juntamente com o espírito crítico dele, deliciam-me.</p> <p style="text-align: justify;">Catherine pareceu-me bem diferente das outras heroínas de Austen, na medida em que é bem mais ingénua e algo cabeça no ar, mas não era necessariamente uma tola ou leviana. Mas de certa forma pensei que ela talvez pudesse ser o género de pessoa que se deixa levar e cair em desgraça. Já em Mr. Tilney encontramos um personagem com uma postura menos séria e muito mais descontraída do que outros personagens masculinos criados por Austen.</p> <p style="text-align: justify;">Em <em>A Abadia de Northanger </em>assistimos à educação moral de Catherine Morland, durante o desenrolar da história, ela aprende que o mundo não funciona de acordo com os princípios de um romance gótico. A acção de Henry Tilney é deveras importante na emancipação da nossa heroína, digamos assim. Com o seu natural sentido de humor e perspicaz compreensão do carácter humano, Henry Tilney vai guiando a nossa heroína no sentido de tomar mais em consideração o seu próprio julgamento sobre as acções das outras pessoas. Obviamente que a natural e bondosa intuição e dinamismo de Catherine são um molde perfeito para Henry por em prática esta orientação.</p> <p style="text-align: justify;">Mas engane-se o leitor que entender pelo parágrafo acima que Henry Tilney forma Catherine à sua forma e semelhança. Não, trata-se de um processo mútuo de evolução. Sem querer arruinar o final aos estreantes leitores desta obra, a verdade é que o ultimato de Henry ao pai no final da história, revela quão o amor por Catherine melhorou o seu carácter atendo-se aos seus princípios, independentemente da vontade paterna.</p> <p style="text-align: justify;">Catherine Morland, a heroína desta obra de Jane Austen, com apenas 17 anos, parte para Bath com um casal amigo da família, Mr. e Mrs. Allen. Em Bath, toma o primeiro contacto com a sociedade, em tudo diferente de Fullerton, a sua bucólica e campestre terra natal. Aí conhece Isabella Thorpe, cuja rápida amizade se torna essencial para Catherine mas de quem sofrerá, mais tarde, uma enorme decepção.</p> <p style="text-align: justify;">No decurso da história trava conhecimento com Mr. Tilney, um jovem pároco com uma certa tendência para a ironia e é convidada para ir para Northanger Abbey com Mr. Tilney e a sua irmã Elinor, de quem se torna muito amiga durante a sua estadia em Bath. Durante a sua estada em Northanger Abbey uma série de mistérios e enganos acontecem, resultando numa partida inesperada.</p> <p style="text-align: justify;">Como sempre em Austen, há um final feliz, e eu creio que o amor entre estes dois personagens seja o mais natural de todas as  histórias de Jane Austen, ainda que nada tenha de heróico. Mas  como todas as coisas naturais, é belo e puro.  No fim da história vemos uma clara evolução no pensamento de Catherine, ela cresce, decididamente, durante toda a obra, deixando-nos rendidos ao seu carácter e ao seu inusitado percurso para se tornar uma heroína.  </p> <p style="text-align: justify;">Uma curiosidade que penso que agradará a todos os fãs de Jane Austen é a de que Henry Tilney poderá ter sido baseado numa pessoa real do conhecimento de Jane Austen, um cavalheiro e jovem pároco de seu nome Sydney Smith e que travou conhecimento com a nossa autora, em 1797, numa situação idêntica àquela em que Catherine conhece Henry – ou seja, através da apresentação pelo Mestre-de-cerimónias num baile nos Lower Rooms em Bath! Consta, aliás, que Sydney Smith era "alto, bonito e muito divertido graças ao seu sentido de humor peculiar", tal como Henry Tilney.</p> <p class="sapomedia images"><a title="BERTRAND" href="https://www.bertrand.pt/livro/a-abadia-de-northanger-jane-austen/17652107?a_aid=5d63ed0787e7c" target="_blank" rel="noopener"><img class="" style="width: 260px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="BERTRAND" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Pce180260/21543626_zsuST.jpeg" alt="BERTRAND" width="260" height="145" /></a></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:queirosiana:111903 2019-07-19T21:05:00 Mulheres e Poder: um manifesto, Mary Beard 2019-08-28T22:07:05Z 2019-09-29T15:55:30Z <p class="sapomedia images"><a href="https://www.bertrand.pt/livro/mulheres-poder-mary-beard/21475936?a_aid=5d63ed0787e7c" target="_blank" rel="noopener"><img style="width: 350px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://img.bertrand.pt/images/mulheres--poder-mary-beard/NDV8MjE0NzU5MzZ8MTczMzA2NTl8MTUyNDE3ODgwMDAwMA==/350x" width="350" height="541" /></a></p> <p style="text-align: justify;">Este é um ensaio essencial para reflectir sobre a voz das mulheres no espaço público. A sua autora, Mary Beard, professora na Universidade de Cambridge, desenvolveu este ensaio com base em duas conferências que apresentou em público sobre a temática em 2014 e 2017. </p> <p style="text-align: justify;">Nesta obra, dividida em duas partes: "A Voz Pública das Mulheres" e "Mulheres no Poder", Beard analisa de forma incisiva a forma como as mulheres com poder têm sido tratadas ao longo da história - recorrendo aqui a vários exemplos da Antiguidade Clássica, na qual ela é mestre. Reflecte também sobre a misoginia e sobre as estruturas e narrativas do poder. </p> <p style="text-align: justify;">Renomada classicista como é, Mary Beard, apresenta-nos vários exemplos da Grécia e Roma Antiga. Desde logo, a história de Telémaco e Penélope, de Maesia, de Afrânia, de Hortênsia, de Lucrécia, de Lisístrata e de Lavínia.</p> <p style="text-align: justify;">Mas não só, demonstra também como ao longo da história se tem masculinizado o discurso das mulheres que adquirem poder ou pelo menos transformando-as numa versão andrógina. </p> <p style="text-align: justify;">Foi aqui que também pela primeira vez ouvi falar da obra <em>Herland</em>, de Charlotte Perkins Gilman, uma história ficcional sobre uma nação constituída por mulheres, e mulheres apenas e que viviam numa verdadeira utopia, numa existência pacífica, colaborativa e brilhantemente organizada - bem, pelo menos até aparecerem três americanos que descobrem esta utópica nação. Fiquei deveras curiosa por ler esta obra, recordando-me das semelhanças com <em>Utopia</em> de Thomas More. </p> <p style="text-align: justify;">Este ensaio derrubou também uma das minhas utopias femininas, refiro-me ao mito das amazonas. Beard faz-nos compreender a subversão latente na criação desse mito grego, "a verdade pura e dura é que as amazonas eram um mito grego masculino (...) a ideia subjacente era que o dever dos homens consistia em salvar a civilização do domínio das mulheres". Mas não só, depois de ler este ensaio, nunca mais olharei para a história da Medusa e a sua decapitação com os mesmos olhos - na medida em que essa representação clássica continua ainda hoje a ser um símbolo cultural de oposição ao poder da mulher.</p> <p style="text-align: justify;">Nas palavras de Rachel Cooke, este é um clássico feminista moderno, de leitura obrigatória, acrescento eu. </p> <p style="text-align: justify;">Já agora, não deixem de acompanhar o blog de Mary Beard, <a href="https://www.the-tls.co.uk/category/a-dons-life/" target="_blank" rel="noopener">A Don's Life</a>. </p> <p class="sapomedia images"><a title="BERTRAND" href="https://www.bertrand.pt/livro/mulheres-poder-mary-beard/21475936?a_aid=5d63ed0787e7c" target="_blank" rel="noopener"><img class="" style="width: 260px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="BERTRAND" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Pce180260/21543626_zsuST.jpeg" alt="BERTRAND" width="260" height="145" /></a></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:queirosiana:111858 2019-05-03T18:25:00 Grandes Esperanças, Charles Dickens 2019-08-26T18:13:30Z 2019-09-29T15:55:51Z <p class="sapomedia images"><a href="https://www.bertrand.pt/livro/grandes-esperancas-charles-dickens/18911795?a_aid=5d63ed0787e7c" target="_blank" rel="noopener"><img style="width: 427px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://img.bertrand.pt/images/grandes-esperancas-charles-dickens/NDV8MTg5MTE3OTV8MTQ2NDQyMzV8MTQ3ODQ3NjgwMDAwMA==/350x" width="350" height="640" /></a></p> <p style="text-align: justify;"><em>Grandes Esperanças</em> é o décimo terceiro romance do autor, publicado inicialmente em 1861 em três volumes. Está entre os títulos mais famosos de Dickens.  </p> <p style="text-align: justify;">A história gira em torno da vida de Pip, um menino órfão que vive com a irmã mais velha, uma mulher fria, ríspida e algo temperamental e respectivo marido, Joe, o seu oposto, a bondade, humildade e amizade em pessoa. Ao longo da história, acompanhamos a vida de Pip desde os 7 anos até à idade adulta. </p> <p style="text-align: justify;">Em <em>Grandes Esperanças</em> somos confrontados com situações bizarras. Desde logo, o início, com o encontro do pequeno Pip com um condenado agrilhoado, num cemitério, que o aterroriza e o obriga a roubar comida da despensa da irmã, causando vários sarilhos.</p> <p style="text-align: justify;">Depois, a excêntrica Miss Havisham, a noiva abandonada no altar que estagnou no tempo, vestindo eternamente o seu vestido de noiva, mantendo o banquete nupcial na mesa, num perpétuo luto pelo que poderia ter sido. Aliás, há quem sustenha que esta personagem se baseou na história real de Eliza Emily Donnithorne.</p> <p style="text-align: justify;">Pode não ser uma personagem que esperemos encontrar na rua, contudo, o impacto imaginário de Miss Havisham é tal, que ela permanece intensamente nítida na nossa mente, vestida toda de branco, mas de um branco que há muito tempo “perdeu o brilho, ficou desbotado e amarelo”. O abandono, a infelicidade e o despeito, são o sangue que corre nas veias de Miss Havisham. O momento traumático da sua vida, em que é abandonada no altar pelo homem que amava, transforma-se numa sede por vingança e ódio contra todos os homens – ideal que ela transmite à sua bela filha adoptiva Estella. Se, no início, julguei estar diante de uma altamente radical personagem defensora dos direitos das mulheres, terminei o livro, consciente do quão errada estava e de quão prejudicial ela foi na criação e na vida de Estella. </p> <p style="text-align: justify;">Ainda rapaz, Pip é chamado à presença de Miss Havisham com intuito de brincar com Estella. Um papel que não era difícil de desempenhar, não fosse a frieza e crueza de espírito da alma de Estella, ainda que num invólucro de extrema beleza que, ao mesmo tempo que humilha e rebaixa, encanta o nosso Pip, deixando-o apaixonado para toda a vida, um amor não correspondido.</p> <p style="text-align: justify;">Alcançada a juventude, Pip recebe a boa nova de se saber detentor de uma avultada fortuna que, se crê, vir da própria Miss Havisham, com vista a que Pip venha a ser o marido da Estella.</p> <p style="text-align: justify;">Contudo, as coisas não se passam bem assim e esta é a primeira reviravolta na história. A fortuna de Pip é oriunda, afinal, do mais improvável dos personagens, se bem que no final tal fortuna acabe entregue ao Estado, deixando-nos crer que lá se foram as grandes esperanças de Pip. Mas não desanimemos, Pip acaba por se sair bem na vida, a custo de trabalho, amizade e dedicação.</p> <p style="text-align: justify;">A verdade é que começamos a ler uma história em que a relação entre as personagens parece ser circunstancial. Mas não, alcançado o final, verificamos quão entrelaçadas estas estão em torno de Pip.</p> <p style="text-align: justify;">Uma curiosidade deste livro é o facto de ter tido dois finais possíveis.  Ou melhor, o final publicado não foi exactamente aquele que Dickens havia pensado inicialmente. A verdade é que, influenciado pela opinião de um amigo, acabou por dar uma reviravolta ao final, tornando-o mais doce e deixando no ar um laivo de esperança para Pip e Estella.</p> <p style="text-align: justify;">A edição que li continha os dois finais e, sem dúvida, aquele que Dickens havia traçado inicialmente era, talvez, mais congruente, mas deixava um amargo na boca. O final publicado deixa-nos a pairar na possibilidade que resulta da enigmática frase “não descortinei quaisquer sombras que sinistramente prenunciassem nova separação entre mim e ela”.</p> <p class="sapomedia images"><a href="https://www.bertrand.pt/livro/grandes-esperancas-charles-dickens/18911795?a_aid=5d63ed0787e7c" target="_blank" rel="noopener"><img style="width: 260px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="bertrand.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Pab18f67c/21543634_NWJNF.jpeg" alt="bertrand.jpg" width="260" height="145" /></a></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:queirosiana:111443 2019-01-19T22:44:00 A Morte Feliz, Albert Camus 2019-08-22T22:11:04Z 2019-09-29T15:57:20Z <p class="sapomedia images"><a href="https://www.bertrand.pt/livro/a-morte-feliz-albert-camus/22330997?a_aid=5d63ed0787e7c" target="_blank" rel="noopener"><img style="width: 391px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://img.bertrand.pt/images/a-morte-feliz-albert-camus/NDV8MjIzMzA5OTd8MTgyMTg4NjR8MTU0MDQyMjAwMDAwMA==/350x" width="350" height="594" /></a></p> <p class="sapomedia images" style="text-align: justify;"><em>A Morte Feliz</em> é a primeira obra de Albert Camus, escrita entre 1936 e 1938, ainda que apenas tenha sido publicada postumamente em 1971. Considerado como a antecâmara daquele que viria a ser o livro mais famoso do autor (<em>O Estrangeiro</em>), em <em>A Morte Feliz</em> acompanhamos Patrice Mersault no seu dia a dia e na sua incessante busca pela felicidade.</p> <p class="sapomedia images" style="text-align: justify;">Os paralelismos com <em>O Estrangeiro</em> são muitos. Por exemplo, ambas as personagens principais são escriturários e ambos cometem assassínio. Até os nomes das personagens são parecidos!</p> <p class="sapomedia images" style="text-align: justify;">O livro divide-se em duas partes. A primeira é um retrato da monotonia e repetição do dia a dia de Mersault em Argel. Contudo, é neste início que conhecemos Zagreus, um homem de meia idade, rico e inválido, mas que surge como uma luz ao fundo do túnel para a vida de Mersault, ao afirmar que "a felicidade é uma coisa possível, desde que haja tempo, e que ter dinheiro é a única maneira de se libertar do domínio do tempo". É depois desta conversa que Mersault decide cometer tão atroz crime. </p> <p class="sapomedia images" style="text-align: justify;">Na segunda parte, seguimos Mersault na sua busca pela felicidade e tranquilidade. No seu repentino abandono da terra natal, na sua viagem pela Europa onde começa a mostrar sinais de doença. Uma segunda parte que se inicia inquietante e desassossegada, talvez pela assombração do terrível crime. Por fim, Mersault decide regressar a Argel e, aparentemente, a sua busca pela felicidade é alcançada. Ainda que haja sempre uma sensação de descontentamento, de incompletude. Mersault morre feliz, consciente da vida e consciente da morte, mas sozinho e numa indiferença apática.</p> <p class="sapomedia images" style="text-align: justify;">Confesso que durante a leitura senti sempre algo de opressivo na escrita do autor. Ainda que me seduza a ideia da felicidade e do tempo e acredite que a felicidade está intimamente relacionada com a liberdade, não consigo criar um elo de causalidade absoluto entre a felicidade e o dinheiro. Não que não estejam relacionados, mas a simbiose não é total, não pode ser... não deve ser. </p> <p class="sapomedia images"><a href="https://www.bertrand.pt/livro/a-morte-feliz-albert-camus/22330997?a_aid=5d63ed0787e7c" target="_blank" rel="noopener"><img style="width: 260px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="bertrand.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Pab18f67c/21543634_NWJNF.jpeg" alt="bertrand.jpg" width="260" height="145" /></a></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:queirosiana:120385 2013-08-29T22:43:00 O Grande Gatsby, F. Scott Fitzgerald 2019-09-02T21:52:54Z 2019-09-29T15:58:07Z <p class="sapomedia images"><img style="width: 417px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="O grande Gatsby-Scott Fitzgerald.jpg" src="https://c8.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B2f178c81/21545903_1j7T5.jpeg" alt="O grande Gatsby-Scott Fitzgerald.jpg" width="417" height="720" /></p> <p class="sapomedia images" style="text-align: justify;">Publicado em 1925, o enredo tem por cenário a cidade de Nova Iorque e Long Island durante o Verão quente de 1922.  Um excelente retrato daquilo que era a sociedade norte-americana nos <em>loucos anos 20</em>. <sup id="cite_ref-1" class="reference"></sup></p> <p class="sapomedia images" style="text-align: justify;">Estava à espera de um personagem com um carisma arrebatador, Gatsby soava a singularidade e transpirava originalidade. Mas afinal, não passava de um excêntrico com pouco interesse. </p> <p class="sapomedia images" style="text-align: justify;">Não posso dizer que não tenha gostado ou que se trata de um livro intragável, longe disso, a leitura faz-se limpa e ligeiramente. Aliás, embora considere que se demora muito com adjectivos, o efeito visual do livro é muito forte.</p> <p class="sapomedia images" style="text-align: justify;">Tenho dúvidas de que o romance Gatsby-Daisy tenha sido bem concebido, de comum encontrei muito pouco. O próprio mistério acerca da história de vida e passado de Gatsby é revelado rápido demais, sem nos deixar expectantes. </p> <p class="sapomedia images" style="text-align: justify;">O ponto forte, julgo, será o passeio a Nova Iorque de Daisy, Tom, Gatsby, Jordan e Nick - a ida e o regresso naquele carro amarelo. </p> <p class="sapomedia images" style="text-align: justify;">Gatsby é um personagem que subiu com esforço na vida, vindo do nada, ganhou milhares de dólares - de forma um pouco obscura, de facto. As estrondosas festas que dava em sua casa, mais não eram do que a prova provada da sua solidão profunda e amarga, a espera ansiosa por um sonho que nunca poderia acontecer e do qual se alimentou sem dele resultarem quaisquer frutos.</p> <p class="sapomedia images" style="text-align: justify;">O final trágico teria de ocorrer, pois a vida de Gatsby não fazia sentido sem o amor idílico que criara, pois ele já alcançara tudo, excepto a harmonia que se consegue quando se ama e se é amado. Mas manteve a esperança até ao fim e isso, se calhar, é aquilo que lhe dá a originalidade que eu julguei não encontrar.</p> <p class="sapomedia images" style="text-align: justify;">Um clássico moderno da literatura norte-americana e que deve constar de uma capaz lista de livros. Gatsby não me arrebatou o coração, mas recomendo-o vivamente, mais não seja, para me contradizerem na minha apreciação!</p> <p class="sapomedia images"><a href="https://www.bertrand.pt/livro/o-grande-gatsby-f-scott-fitzgerald/45930?a_aid=5d63ed0787e7c" target="_blank" rel="noopener"><img style="width: 260px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="bertrand.jpg" src="https://c9.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Pab18f67c/21543634_NWJNF.jpeg" alt="bertrand.jpg" width="260" height="145" /></a></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:queirosiana:115107 2013-08-18T22:10:00 A vida era assim em Middlemarch, George Eliot 2019-08-30T21:10:48Z 2019-09-29T15:58:23Z <p class="sapomedia images"><a href="https://www.bertrand.pt/livro/a-vida-era-assim-em-middlemarch-george-eliot/1995542?a_aid=5d63ed0787e7c" target="_blank" rel="noopener"><img style="width: 404px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://img.bertrand.pt/images/a-vida-era-assim-em-middlemarch-george-eliot/NDV8MTk5NTU0MnwxNzYxNjYxfDE1MTk5NDg4MDAwMDA=/350x" width="350" height="568" /></a></p> <p class="sapomedia images" style="text-align: justify;">Parti para esta obra às escuras. Conhecia um pouco da biografia da autora e uma adaptação de Daniel Deronda, mas sobre Middlemarch nada sabia. </p> <p class="sapomedia images" style="text-align: justify;">Achei Middlemarch uma obra muito completa e extremamente rica em personagens. A história tem a vila de Middlemarch como cenário para diversas histórias que compõem um vasto enredo. </p> <p class="sapomedia images" style="text-align: justify;">Doroteia Brooke, julgo, ser a personagem principal, todavia, estou longe de a considerar uma heroína unânime. Só granjeou a minha simpatia no último livro, o sétimo, pois até lá, a sua bondade e o seu espírito de sacrifício foram sempre abafados por uma certa afectação de carácter que me impedia de render às suas qualidades. Para mim, Mary Garth é a verdadeira heroína, pois, embora amando Fred como era, não desistiu de o orientar pelo bom caminho. </p> <p class="sapomedia images" style="text-align: justify;">Outra história que me cativou muito mais do que a de Doroteia Brooke e o seu disparatado e ridículo casamento com Casaubon - celebrado não por amor ou interesse económico, mas sim por um interesse intelectual frustrado, como era de esperar, tendo em conta o facto de Casaubon ter mais de 30 anos de diferença de Dodo e ter uma alma velha e um espírito gasto - a relação com Will Ladislaw também não me prendeu a atenção como seria de esperar. Mas a história de Lydgate e Rosamund, essa sim, foi a que me captou toda a atenção, pois desenvolve profundamente o nível emocional da questão da (in)felicidade conjugal. Infelizmente, o meu desejo de George Eliot juntar Dodo com Lydgate não se concretizou - digo isto porque o desenvolvimento intelectual que Dodo visava seria muito mais conseguido se se tivesse juntada a alguém como Lydgate. </p> <p class="sapomedia images" style="text-align: justify;">Aconselho vivamente a obra, os pequenos detalhes do quotidiano de Middlemarch são todos eles interessantes, a questão das eleições para o Parlamento, a aprovação da lei, a eleição do vigário, as intrigas com Mr. Bulstrode... o universo de Middlemarch está construído sobre fortes alicerces, sem que se caia em contradições.</p> <p class="sapomedia images"><a href="https://www.bertrand.pt/livro/a-vida-era-assim-em-middlemarch-george-eliot/1995542?a_aid=5d63ed0787e7c" target="_blank" rel="noopener"><img class="editing" style="width: 260px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="bertrand.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Pab18f67c/21543634_NWJNF.jpeg" alt="bertrand.jpg" width="260" height="145" /></a></p>