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Queirosiana

Blogue sobre livros, leituras, escritores e opiniões

Ema, Jane Austen (1815)

Ficção - Romance - Clássicos

01.01.19 | L.F. Madeira

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(review/opinião anterior a 2015, não revista)

Na qualidade de fã de Jane Austen, quando penso em sinceridade, Emma  é a obra que aponto como favorita. Este romance de Jane Austen foi escrito e publicado em menos de dois anos (1815), enquanto Jane Austen viveu em Chawton, Hampshire.

Antes de começar o romance, Jane Austen escreve: " Vou construir uma heroína que poucos, além de mim, irão gostar". Bem, tenho de concordar com isso, embora, tenha terminado o livro a adorar Emma Woodhouse. No início ela é apresentada como: "Emma Woodhouse, bonita, inteligente e rica", mas percebemos também quão 'mimada', convencida e orgulhosa ela é. Mas por favor, não a tomem por alguém desagradável, de todo, não o é. Mas esta é a imagem que nos fica dela, nos primeiros 10 capítulos, talvez. Mas que melhora daí para a frente.

Os romances de Jane Austen não são normalmente lidos pelos seus comentários sociais, ou por qualquer ideia de como seriam as classes sociais nos inícios do séc. XIX. Contudo, nas entre linhas, podemos encontrar variados pontos de vista sobre diferentes aspectos acerca do quotidiano para além dos jardins. Emma, publicado ainda em vida da autora, em 1815, pode ser considerado o romance mais provinciano de Jane Austen, confinado ao quotidiano e preocupações pessoais de um pequeno grupo de pessoas. É em Emma que encontramos um comentário distinto da vida social britânica, coisa que não se encontra nos romances daquele tempo. Neste romance Jane Austen esteve sublime na crítica à sociedade da sua época. Não podemos ficar indiferentes a figuras como Mrs. Elton, Miss Bates, Mr. Woodhouse. Não podemos, acima de tudo, porque são caricaturas de personagens com quem nos cruzamos na vida real.

Não referi propositadamente Emma na lista de personagens que apresentei acima. Emma, é fabulosa por ter todos os defeitos que tem. Emma Woodhouse é uma personagem que, quando nos é primeiramente apresentada, tem algo em comum com os Darcys deste mundo. Ela vem do dinheiro, é a filha de um “gentleman”, e é ela a herdeira de uma fortuna muito confortável. Ela não precisa de casar, tal como a mesma o diz – uma característica que a separa de quase todas as outras heroínas dos romances de Jane Austen.

Jane leva-nos a conhecer Emma profundamente, sabemos por várias vezes tudo o que lhe vai na mente, até os desejos menos benévolos, como quando ela deseja que Miss Smith nunca lhe tivesse aparecido à frente - enquanto leitoras somos obrigadas a criticar este sentimento, mas simultaneamente, compreendemo-lo tão bem! E Emma suscita-me constantemente esta sensação, criticar certas atitudes, mas ao mesmo tempo, compreende-las.

Em Emma assistimos a uma gigante evolução, acompanhamos o crescimento da nossa heroína e, juntamente com ela, melhoramos um pouco também, porque Emma é o espelho de muitos dos nossos defeitos e das nossas qualidades.