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Queirosiana

Blogue sobre livros, leituras, escritores e opiniões

História do Novo Nome, Elena Ferrante (2012)

06.02.20

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O universo de Elena Ferrante é deslumbrante. Deslumbrante pela franqueza de sentimentos, pela inclemência da realidade da vida, das complexas relações pessoais, da existência interior. Que saborosa descoberta me trouxe 2020 com A Amiga Genial e agora com o segundo volume, História do Novo Nome. Cada página é um trago de vida. 

No seguimento do primeiro volume, em História do Novo Nome retomamos o universo de Lenú e Lila nos seus 17 anos até aos  inícios dos seus vinte e anos. A infância ficou no primeiro volume e agora mergulhamos na juventude destas duas extraordinárias - e geniais - personagens. Neste segundo volume, em ambas é latente a necessidade de pertença, a busca de pertencer a algo ou algum lado - não a alguém, sublinho. A necessidade de uma identidade. A premência de criar o seu destino. Uma batalha pela afirmação. 

Lila está agora casada e Lenú dedicada aos estudos. Numa mescla de surdos entendimentos e negligências intencionais, Lenú e Lila parecem seguir caminhos  autónomos mas que sempre se interseccionam. Esta é sem dúvida a história de uma amizade pungente que é, simultaneamente, esmagadora e comovente. Há algo de auto-destrutivo e regenerador na relação de Lila e Lenú - e sim, a contradição é propositada. 

O enredo deste segundo volume engole o leitor e não o deixa escapar, acompanhamos a vida de recém casada de Lila, novos e passados amores, as férias de Lila e Lenú em Ishia e uma reviravolta abrupta, novos projetos profissionais e criativos, a ida de Lenú para Pisa, as intrincadas relações das personagens do bairro, a maternidade de Lila, a fuga de Lila que embora surja como um retrocesso, a mim me fez lembrar as ondas que andam para trás para poderem seguir em frente, o sentimento de desajuste e o merecido reconhecimento de Lenú. 

São os detalhes que tornam a escrita de Ferrante magnetizante e absorvente, bem como a sua forma de nos guiar pelas complexas relações pessoais das personagens do bairro, das suas venturas e desventuras. Elena Ferrante é brilhante na forma como revela, sem pudor, as contradições dos sentimentos humanos. Elena Ferrante é uma feiticeira, uma cerzideira de emoções. 

Uma nota para o grafismo das edições da Relógio D'Água das obras de Elena Ferrante, são quase hipnotizantes e de uma enorme elegância em comparação com as edições em língua inglesa, por exemplo.

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