Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Queirosiana

Blogue sobre livros, leituras, escritores e opiniões

Húmus (1917), Raul Brandão

Ficção - Clássicos

11.05.20 | L.F. Madeira

Húmus.png

Publicado em 1917, Húmus demoraria ainda largas dezenas de anos a ser incluído na estante das grandes obras nacionais. Herberto Hélder foi talvez o escritor que mais divulgou a obra de Raul Brandão e a fez chegar ao seu legítimo lugar como um dos maiores clássicos da Literatura Portuguesa. 

Atordoada. Angustiada. Fascinada. Sensação semelhante, só depois de uma Metamorfose de Kafka, umas Ondas de Woolf ou um Ivan Ilitch de Tolstoi. Húmus deixa-nos trôpegos, como se uma mão invisível alcançasse o âmago da existência - aquela pedra filosofal que nos anima o espírito - e nos sacudisse brutalmente. Sinto-me despojada.

Não é uma leitura ligeira, embora não tenha uma dimensão assustadora, o seu conteúdo é monumental e um absoluto apelo à introspeção e silêncio.  A escrita é pungente e contemplativa, ainda que nem sempre lhe tenha compreendido o sentido, a forma como Brandão disseca a natureza humana é abissal. 

Húmus não conta uma história, não acompanha personagens, interpela o leitor numa espécie de diário mas sem estrutura narrativa, pelo menos a que estejamos acostumados. Em Húmus questiona-se a vida, a morte e o transcendente. É um livro eminentemente filosófico e existencialista, sim. A sua leitura é complexa e difícil será dizer que se compreendeu todo o seu sentido. Contudo, em Húmus, Raul Brandão toca profundamente o medo, primário e primitivo do ser humano, e assalta o leitor de rompante colocando-o sós a sós com a [sua] alma

Mas que assombro!

***

Quero ler este livro

***

3 comentários

  • Imagem de perfil

    L.F. Madeira

    18.05.20

    Eu tenho cá em casa Os Pescadores pelo que irei voltar ao escritor, certamente. Concordo, apesar do pequeno volume desta obra, por exemplo, a leitura é deveras complexa. Contudo, gostei deste livro, não para o dia-a-dia ou quando preciso de uma boa história para me fazer companhia. Mas é um escritor ao qual vou regressar.
  • Eu li "A Morte do Palhaço e o Mistério da Árvore" (muito complexo e bizarro) e "El-Rei Junot" (muito menos diminuto). Não é, sem dúvida, um autor para se ler de modo leviano.
  • Comentar:

    Mais

    Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.