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Queirosiana

Blogue sobre livros, leituras, escritores e opiniões

Menina Júlia, August Strindberg

28.10.19

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Menina Júlia do dramaturgo August Strindberg, publicada em 1888, é uma peça de teatro excepcional. 

Abordando temas variados, tendo apenas três personagens, percorremos questões como a divisão e distinção de classes, ambição, emancipação, frustração e desamparo, sedução e luxúria, liberdade, perda, solidão, o feminino, o masculino, o poder. 

Júlia, uma jovem mulher aristocrata; João, o criado ou valet em inglês; e Cristina, a cozinheira. O enredo ocorre durante a noite de São João, na mansão e propriedade do Conde, pai de Júlia. No início da história, Júlia assume-se dona e senhora do palco e do seguimento da história, usufruindo do seu poder e estatuto social para subordinar todos os outros. Inicia com João um tenso e intenso jogo psicológico. Ocorrendo determinado evento, a situação inverte-se, e Júlia não é mais dona de nada, nem de si própria, iniciando um ciclo de autodestruição e decadência. 

Strindberg utiliza Júlia como a aristocrata no ocaso da sua Era ainda que pretensamente moderna, e João como aquela pessoa que pretende subir socialmente, ambicioso e oportunista e para quem, apesar de tudo, há uma nova chance. Cristina, a cozinheira, surge como uma personagem moralista, cosciente e de bom senso. 

Júlia e João são assim representações esterotipadas da sua classe na sociedade - mas também representantes do seu sexo, o que se verifica em absoluto quando o véu da classe social cai, nesse momento invertem-se as ordens de poder. Já não há senhora e criado, mas uma mulher e um homem. E no final, é Júlia quem está em queda em face da inconsequência do seu destino.