O Grande Gatsby, F. Scott Fitzgerald

Publicado em 1925, o enredo tem por cenário a cidade de Nova Iorque e Long Island durante o Verão quente de 1922. Um excelente retrato daquilo que era a sociedade norte-americana nos loucos anos 20.
Estava à espera de um personagem com um carisma arrebatador, Gatsby soava a singularidade e transpirava originalidade. Mas afinal, não passava de um excêntrico com pouco interesse.
Não posso dizer que não tenha gostado ou que se trata de um livro intragável, longe disso, a leitura faz-se limpa e ligeiramente. Aliás, embora considere que se demora muito com adjectivos, o efeito visual do livro é muito forte.
Tenho dúvidas de que o romance Gatsby-Daisy tenha sido bem concebido, de comum encontrei muito pouco. O próprio mistério acerca da história de vida e passado de Gatsby é revelado rápido demais, sem nos deixar expectantes.
O ponto forte, julgo, será o passeio a Nova Iorque de Daisy, Tom, Gatsby, Jordan e Nick - a ida e o regresso naquele carro amarelo.
Gatsby é um personagem que subiu com esforço na vida, vindo do nada, ganhou milhares de dólares - de forma um pouco obscura, de facto. As estrondosas festas que dava em sua casa, mais não eram do que a prova provada da sua solidão profunda e amarga, a espera ansiosa por um sonho que nunca poderia acontecer e do qual se alimentou sem dele resultarem quaisquer frutos.
O final trágico teria de ocorrer, pois a vida de Gatsby não fazia sentido sem o amor idílico que criara, pois ele já alcançara tudo, excepto a harmonia que se consegue quando se ama e se é amado. Mas manteve a esperança até ao fim e isso, se calhar, é aquilo que lhe dá a originalidade que eu julguei não encontrar.
Um clássico moderno da literatura norte-americana e que deve constar de uma capaz lista de livros. Gatsby não me arrebatou o coração, mas recomendo-o vivamente, mais não seja, para me contradizerem na minha apreciação!
