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Queirosiana

Blogue sobre livros, leituras, escritores e opiniões

O Parque de Mansfield, Jane Austen (1814)

Ficção - Romance - Clássicos

01.01.19 | L.F. Madeira

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(review/opinião anterior a 2015, não revista)

Publicado pela primeira vez em 1814. Juntamente com "Northanger Abbey", é a obra que menos atrai as "Janeittes", coisa que julguei que também se aplicava a mim, mas no entanto...

Este livro surpreendeu-me positivamente. Tenho de admitir que fui, à partida, sem grandes expectativas. Já tinha visto o filme e a série, que estão muito aquém da obra e não lhe fazem qualquer espécie de justiça.

Agradavelmente surpreendida, será o termo correcto. Fanny Price, a personagem principal e a heroína desta obra, é diferente de qualquer outra heroína de Jane Austen e diferente de qualquer heroína em geral... Fanny Price, é fisicamente débil, tímida, humilde, ingénua, infantil, submissa e, nalgumas alturas, considerada como "chorona". Enfim, devo dizer que é isso tudo, e que no início há uma espécie de decepção, tendo em conta que Jane Austen nos habitou a heroínas repletas de um carácter forte. Contudo, Fanny Price acabou por se tornar muito querida, pelo menos para mim.

Uma coisa que reparamos nesta obra, diferente de todas as outras de Jane Austen, é de que o "romance" propriamente dito, acontece somente no último capítulo; a obra possui também um carácter moral que está quase sempre adjacente a duas personagens muito curiosas - Mary e Henry Crawford - que surgem nesta obra como resultado de uma sociedade insípida e sem princípios; nesta obra, Jane Austen, mostra-nos também outro lado desconhecido (entre as suas obras) da época, relatando o dia-a-dia de uma família pobre.

É curioso notar também que, a nossa heroína possui o enorme dom de avaliar correctamente o carácter das pessoas e fazer juízos acertados... foi algo que gostei bastante nela.

A história em resumo pode ser contada da seguinte forma: Fanny Price é levada (com 9 anos) para Mansfield Park, casa do tio e da tia (irmã de sua mãe) para aí crescer com mais vantagens do que aquelas que teria no seio da sua família muito pobre e repleta de crianças.

Apenas o seu primo Edmund contribui para a sua adaptação e bem-estar, tornando-se desde logo o seu melhor amigo.

Quando Mary e Henry Crawford (irmãos) chegam a Mansfield Park, a moral de todos os membros de Mansfield Park é posta à prova, embora Fanny nunca tenha gostado de nenhum deles. Henry Crawford seduz ambas as suas primas, levando uma a perder toda a sua dignidade e Edmund fica perdidamente apaixonado por Mary Crawford, que só lhe trará decepção.

O contraste entre Mansfield Park e a família Price, que conhecemos graças à visita de Fanny passados quase 9 anos da sua saída, é enorme e só nessa altura Fanny se apercebe que a sua casa não é aquela, mas sim Mansfield Park.

Uma série de desgraças sucedem-se à sua saída (temporária) de Mansfield Park, e só depois de muitas decepções é que Fanny encontra a felicidade - o que acontece somente no último capítulo, que devo dizer, escrito de forma genial!

O último grande livro que me faltava ler de Jane Austen, não é uma história que nos exalte as emoções, mas denota uma escrita madura e também um romance que primeiro estranha-se, depois entranha-se. 

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