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Queirosiana

Blogue sobre livros, leituras, escritores e opiniões

O Primo Basílio, Eça de Queiroz

14.02.07

O Primo Basílio, publicado em 1878,  é um clássico do Realismo da literatura portuguesa. Este romance  retrata a sociedade portuguesa oitocentista, com os seus vícios e virtudes, e muita sátira à mistura, como é típico de Eça de Queiroz.  

Basílio, o primo rico do Brasil; Luísa, a mulher e amante; Jorge, o marido; e Juliana, a empregada - estas são as personagens centrais de um romance que se lê num trago. Assumindo o lar burguês como cenário para o enredo, onde desvelamos os defeitos da sociedade burguesa da época, como a ociosidade e a futilidade. 

Foi o primeiro livro que li de Eça de Queiroz. Foi a minha estreia. Percebe-se pelo título do meu blogue, que sou uma grande fã de Eça de Queiroz, e a bem dizer essa "paixão" começou exactamente com este livro.

Não escondo quão empolgada fiquei logo nas primeiras páginas, tinha apenas quatorze anos. 
A família burguesa no seu melhor, Luísa e Jorge como o casal perfeito; Basílio como o arrebatador de corações; Juliana como a criada execrável. 

Até à data, nunca tinha sentido tanta repulsa por uma personagem como aquela que senti pela criada Juliana. Mandava-lhe pragas e tudo! Embora a tenha abominado do principio ao fim da história, creio que raramente encontrei alguma personagem tão subtilmente complexa quanto ela. De certa forma, fui ganhando uma espécie de admiração repulsiva pela sua amargura e ódio doentio. A forma como ela toma conta da vida da patroa e de como a certa altura a controla, é pura tirania.

Em suma, Luísa e Jorge são, aparentemente, um casal perfeito. Jorge sai de casa por uma temporada em trabalho. Luísa fica sozinha, e num dia aparece o seu primo Basílio, por quem teve uma pequena paixão na juventude. O reencontro resulta mais tarde na traição de Luísa para com o marido. Juliana descobre e guarda cartas que revelam toda a paixão entre Luísa e Basílio e ameaça Luísa de que irá mostrar as ditas a Jorge se ela não lhe der o melhor quarto da casa, as melhores roupas, se não lhe fizer o trabalho doméstico, etc.

No fim, Luísa adoece. Jorge regressa, descobre as cartas e a traição da mulher, mas perdoa-a, morrendo ela prematuramente. 

Uma nota final, reveladora do tempo e época em que foi escrita, mas não deixa de existir sempre um padrão nestes romances de adultério, por qualquer razão, a figura feminina acaba sempre por ser a grande infractora e o alvo de todas as consequências, como se a censura só pendesse para um lado.

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