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Queirosiana

Blogue sobre livros, leituras, escritores e opiniões

O Retrato de Dorian Gray, Oscar Wilde

06.05.11

O Retrato de Dorian Gray, publicado em 1890, é considerado pela crítica como a melhor obra de Oscar Wilde.

Pergunto-me como consegui viver literariamente até hoje sem nunca ter lido esta obra?! Certo, é uma afirmação exagerada, mas o efeito estrondoso que este livro teve em mim foi de tal forma que em menos de três dias, durante intervalos de aulas e viagens de autocarro, absorvi-o por completo, vibrando a cada frase.

Apaixonei-me por Lord Henry (se é que nos podemos apaixonar por um personagem), cada diálogo dele "envenenava-me" o cérebro (embora seja ele mesmo a dizer que um livro não envenena), mas ele é o eterno paradoxo, fiar-mo-nos nas suas palavras ou confiar-mos no seu cinismo seria um tremendo erro. Mas isso não impede que seja um personagem fascinante, nas palavras de Dorian Gray, "o que não significa que tenha gostado dele". Podia continuar aqui a divagar utilizando as sublimes frases que enchem esta obra, creio que ainda estou com o "efeito ressaca" por só ontem à noite a ter terminado.

Dorian Gray é um jovem encantador e detentor de uma extrema e rara beleza. No início do livro a beleza de Dorian está incólume, assim como a sua alma, ingénua, limpa, pura. Ao longo da história a sua beleza permanece assim, tal e qual como quando nos foi apresentado no início, contudo, a sua alma envereda pelos tortuosos caminhos do pecado, da vaidade, luxúria, do crime e do prazer; sendo o estranho retrato pintado por Basil Hallward que arca com todo esse peso, modificando e envelhecendo em vez de Dorian. Há algo de sublime aqui que nos atrai profundamente, a eterna juventude é sem sombra de dúvida uma grande tentação. Dorian também o acha, influenciado pela idolatração que Basil lhe ganha e pela sinuosa influência de Lord Henry.

Dorian Gray é um eterno insatisfeito, assim como todos aqueles que buscam, como objectivo de vida, o prazer. O arrependimento ou ataque de consciência de que é vítima no final, mostram-nos cruamente a sua fraqueza. Eu mantive por muito tempo a última página aberta, na expectativa idiota de que algo ressuscitasse, pois tal como Dorian, o livro tornou-me insatisfeita.

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