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Queirosiana

Blogue sobre livros, leituras, escritores e opiniões

Orgulho e Preconceito, Jane Austen (1813)

Ficção - Romance - Clássicos

01.01.19 | L.F. Madeira

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(review/opinião anterior a 2015, não revista)

De início (ainda em rascunho) este livro chamava-se "First Impressions". É por muitos, considerado a obra prima de Jane Austen. Repleto de um humor muito próprio da autora e composto por duas personagens brilhantes: Elizabeth Bennet e Mr. Darcy.

De todas as histórias clássicas, não há nenhuma que se compare à complexa relação de Elizabeth Benner e Fitzwilliam Darcy, duas pessoas muito teimosas que, só depois de muito tempo e de uma jornada turbulenta, descobrem a verdadeira natureza do coração um do outro, mostrando quão importante as primeiras impressões são.

A relação de Elizabeth e Darcy está repleta de testes e atribulações, maus julgamentos e preconceitos. Tudo começa num terrível ponto quando eles se conhecem durante a festa em Meryton, com ambos a formar primeiras impressões pouco favoráveis. Elizabeth acha Darcy um homem orgulhoso e frio, resultado da sua reserva e por a ter recusado numa dança. A sua prévia avaliação do carácter de Darcy dá-lhe um conhecimento limitado da sua pessoa, o que nestas circunstâncias tão infortunadas é natural e compreensível. Darcy, por seu lado, pode ser acusado de alguma falta de diligência e de orgulho, que o leva a criticar injustamente Elizabeth nos seus primeiros encontros. Contudo, à medida que o romance se desenvolve, Darcy demonstra flexibilidade suficiente e o bom senso de mudar a sua opinião sobre a heroína. Por isso, a sua primeira inclinação de a rejeitar dissolve-se à medida que ele se enamora dela pela sua inteligência e espírito perspicaz.

Depois de encontros repetidos e discussões verbais, a opinião de Darcy é totalmente substituída por um total afecto à medida que ele descobre nela um espírito familiar. É o seu prudente juízo e flexibilidade que controla a sua inclinação para ser duro e crítico, e que o faz reconhecer que Elizabeth seria uma boa mulher e companheira, apesar do seu estatuto social e fuga de Lydia. Por tudo isso, devemos dar crédito à sua mudança de coração que dá forma ao caminho para a sua futura felicidade. Infelizmente Elizabeth mostra pouco decoro no que toca a Darcy, é somente por esta razão que a sua relação com ele está cheia de dificuldades. Depois do seu primeiro encontro, Elizabeth mantém determinantemente o seu preconceito contra Darcy, mesmo depois de repetidos incidentes que atestam a credibilidade do seu carácter, aliás, Elizabeth mostra uma incaracterística falta de inteligência e juízo.

Mas quando ela conhece Wickham, rende-se totalmente à sua aparência e charme, e está de coração aberto para acreditar em cada palavra dele; isso resulta numa maior convicção de que Darcy tem um carácter pouco recomendável. Ela confia no outro homem que desonra toda a família de Darcy em frente de um estranho, depois de ele próprio se declarar determinado a honrar a reputação do falecido Mr. Darcy. Depois disso ele evita propositadamente Darcy no Baile de Netherfield, depois de ter afirmado de não ter qualquer receio de se encontrar com Darcy e que não teria medo de qualquer confronto entre eles. Elizabeth contudo, não encontra razões para duvidar dele. Ela não leve em consideração nem a opinião de Bingley a respeito de Darcy, nem o aviso de Miss Bingley em relação a Wickham, e recusa-se a moderar as suas primeiras impressões com uma mente aberto, mesmo depois de Jane, que apenas vê o melhor nas pessoas, confessa que Wickham não é alguém em quem se deve confiar. A sua falta bom senso leva-a a uma recusa muito dura aquando da primeira proposta de Darcy que expõe a sua possível felicidade ao seu lado. É apenas quando Elizabeth lê a carta de Darcy que se vê forçada a aceitar a verdade e a admitir o seu grotesco erro. Depois desta inesquecível apresentação da verdade, o antigo desagrado de Elizabeth por Darcy reverte-se, e depois de mais alguns obstáculos, eles revelam o mútuo afecto um ao outro, e as duas almas gémeas ficam finalmente juntas.  

Colateralmente, a família Bennet é uma das melhores criações de Jane Austen, na minha opinião. Um pai cínico e repleto daquele humor tipicamente British, uma mãe totalmente histérica, cinco filhas que não podiam ser mais diferentes umas das outras. Ler as cenas do livro que mostram a convivência desta família é delicioso! Outra personagem curiosa é Mr. Collins, um primo que herdará toda a fortuna Bennet, uma vez que não existem descendentes homens. Mr. Collins é uma personagem "melosa", ridícula e mesquinha que nos causa repulsa logo no primeiro instante, mas que nos brinda, com as cartas mais mirabolantes durante a história.

Se nunca leram Jane Austen, esta é sem dúvida, a obra com que se devem estrear. Não foi o meu caso, mas esta é a obra mais afamada e conhecida da autora e é, também na minha opinião, a mais genial, pela forma como as personagens interagem entre si cativando-nos de tal forma que quase nos sentimos membros da família Bennet.