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Queirosiana

Blogue sobre livros, leituras, escritores e opiniões

Sensibilidade e Bom Senso, Jane Austen (1811)

Ficção - Romance - Clássicos

01.01.19 | L.F. Madeira

sensibilidade e bom senso.jpg

(review/opinião anterior a 2015, não revista)

Publicado em 1811, foi o primeiro romance de Jane Austen a ser publicado, sob o pseudónimo de " A Lady". Jane Austen escreveu o primeiro rascunho desta obra em 1795, quando tinha cerca de 19 anos. Primeiramente chamado "Elinor and Marianne" e depois, definitivamente "Sense and Sensibility".

À semelhança de "Persuasion" este livro é totalmente absorvente, são tantas as desgraças que acontecem à família Dashwood que vivemos a história como se fôssemos uma das irmãs. O livro, fala-nos da possibilidade de amar uma segunda vez, tão fortemente como se ama a primeira vez.

A história possui duas personagens principais: Elinor e Marianne Dashwood (duas irmãs). O contraste entre ambas é enorme. Elinor revela um enorme bom senso e Marianne representa a emoção do seu maior esplendor. Acredita-se que estas duas irmãs foram criadas a partir de Jane Austen e da sua irmã Cassandra.

Tudo começa quando o pai de Elinor, Marianne e Margarett morre. Toda a sua fortuna passa para as mãos do filho do primeiro casamento (meio irmão de Elinor, Marianne e Margarett). As irmãs e a sua mãe ficam com uma pequena renda anual. O irmão e a sua mulher acabam por vir residir para Norland - a morada do pai, madrasta e meias-irmãs.

Mrs. Dashwood começa a procurar uma casa para poder ir viver com as suas filhas, um primo oferece-lhe uma pequena casa de campo em Barton e aí se acabam por estabelecer.

Elinor, razoável, sensata, prudente e com um enorme bom senso é o oposto da sua irmã, que vive tudo com a emoção à flor da pele, que não suporta ficar calada quando julga que algo está mal, que pouco que lhe importa o que os outros pensam das suas acções - Marianne é a eterna romântica que apenas acredita no único amor e que ninguém consegue amar novamente depois de ter encontrado o "amor da sua vida".

Muito acontece entretanto... Elinor, que pode por vezes parecer indiferente e fria, pois nada do que sente se reflete (exageradamente) para fora, embora sinta tudo e de uma forma muito profunda, acaba por se apaixonar por Edward Ferrars, irmão da sua cunhada. Uma relação manifestamente impossível perante os olhos da família de Edward.

Marianne, apaixona-se por Willoughby... e também nós (leitores), a relação deles é claramente aquele "amor perfeito" em que acreditamos fielmente. No entanto, esta personagem acaba por nos dececionar a todos, porque, afinal de contas, não era tão perfeito assim.

Há um capítulo, já no fim, em que Willoughby tem uma conversa com Elinor, onde se justifica ou explica as suas ações... e até eu, que lhe fiquei com um enorme "pó" depois do que ele fez à Marianne, consegui desculpá-lo, de certa forma.

O fim do livro é ao mesmo tempo fantástico e ao mesmo tempo de um certo desapontamento... fiquei muito feliz com Elinor pois acabou por se casar com Edward (o "amor da sua vida"), mas o destino de Marianne é, embora feliz, um destino alternativo, pois ela não acaba com o "amor da sua vida", eu senti que, ao casar-se com o Colonel Brandon, casou-se primeiramente pela grande amizade que tinham e que, acabou por se tornar em amor... o que não deixa de ser irónico, dado que era ela a "eterna romântica".